2014-07-20

Subject: Tratamento contra cancro liberta dois australianos do HIV

 

Tratamento contra cancro liberta dois australianos do HIV

 

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@ Nature/Thomas Deernick, NCMIR/Science Photo Library

Os cientistas descobriram dois novos casos de pacientes com HIV em que o vírus se tornou indetectável.

Os dois pacientes, ambos homens australianos, aparentemente ficaram livres do HIV após receberem células estaminais como tratamento para o cancro. Ainda estão a receber terapia anti-retroviral (TAR) “como precaução" mas os medicamentos por si só não podem ser responsáveis por reduzir a níveis tão baixos o vírus, diz David Cooper, director do Instituto Kirby da Universidade da Nova Gales do Sul em Sydney, que liderou a descoberta. Há um ano, um grupo diferente de investigadores relatou casos com um resultado semelhante.

Cooper apresentou os detalhes dos casos num comunicado em Melbourne, Austrália, onde os delegados se estão a reunir para a vigésima Conferência Internacional sobre SIDA na próxima semana. O anúncio surgiu apenas um dia após as notícias de que pelo menos seis investigadores que se dirigiam para a conferência morreram quando um avião da Malaysia Airlines foi abatido sobre a Ucrânia.

Cooper começou a procurar pacientes que tivessem ficado livres do HIV após assistir a uma apresentação da equipa americana no ano passado na conferência da Sociedade Internacional da SIDA em Kuala Lumpur. Nesse encontro, investigadores do Hospital Brigham and Women de Boston, Massachusetts, relataram que dois pacientes que tinham recebido transplantes de células estaminais estavam livres do vírus.

Cooper analisou os arquivos do Hospital St Vincent em Sydney, um dos maiores centros de medula óssea da Austrália. “Voltamos atrás e procurámos se tínhamos feito algum transplante em algum paciente HIV-positivo e descobrimos dois", diz Cooper.

O primeiro paciente recebeu um transplante de medula óssea para tratamento de um linfoma não Hodgkin em 2011. As suas células estaminais de substituição provieram de um dador que continha uma cópia de um gene que se pensa fornecer protecção contra o vírus. O outro tinha sido tratado a leucemia em 2012.

Infelizmente, vários meses depois de os pacientes de Boston terem deixado o TAR o vírus regressou. Uma criança nascida com o HIV no Mississípi que recebeu TAR logo após o nascimento e depois a interrompeu durante mais de 3 anos, parecia curada mas também ela viu o vírus regressar.

De momento, apenas resta uma pessoa no mundo que ainda está considerada curada do HIV e é Timothy Ray Brown, o paciente de Berlim, que recebeu um transplante de medula e não apresenta sinais do vírus após seis anos sem TAR. A medula óssea que o paciente de Berlim recebeu proveio de um dador que tinha uma resistência genética natural à sua estirpe de HIV.

“É muito possível que os homens australianos sofram uma recaída se interromperem a TAR”, diz Timothy Henrich, especialista em doenças infecciosas no Hospital Brigham and Women e que ajudou a tratar os homens de Boston.

Devido ao risco de recaída, a equipa de Cooper não alega que os seus pacientes estão curados mas, diz ele, os resultados mostram que “há algo nos transplantes de medula em pessoas com HIV que tem um efeito anti-reservatório, de tal forma que os reservatórios ficam com níveis muito baixos de HIV. Se conseguirmos perceber que efeito é esse e de que forma acontece, realmente poderá acelerar o campo de investigação da cura".

O transplante de células estaminais por si só não pode ser usado como tratamento rotineiro para o HIV devido à elevada mortalidade (10%) associada ao procedimento. Um importante passo seguinte será descobrir mais sobre estes casos e compará-los, diz Cooper, para tentar identificar onde o vírus se poderá estar a esconder. “Estes pacientes são exemplos muito preciosos para nos ajudar a perceber como poderemos manipular o sistema imunitário para reduzir o reservatório a estes níveis extraordinariamente baixos."

Henrich diz que um grupo maior de pacientes fornecerá uma melhor compreensão da forma como podemos usar o sistema imunitário para combater o HIV, acrescentando que pode haver muitas pessoas em todo o mundo cujo vírus se tornou indetectável. “Penso que a principal descoberta é a confirmação de que o transplante pode reduzir o nível do vírus no sangue periférico a níveis que são indetectáveis pelos testes de pesquisa."

Gero Hütter, hematologista na Universidade de Heidelberg e que realizou o transplante no paciente de Berlim, diz que o seu caso “nos ensinou que a cura pode ser possível, o que é uma importante motivação para continuar neste caminho mas não significa que a alcancemos para todos os pacientes. O HIV continua um inimigo poderoso, logo pode haver limitações de que ainda não nos apercebemos".

 

 

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