2014-07-19

Subject: Morreu no voo MH17 o cientista que levou terapia contra HIV aos pobres

 

Morreu no voo MH17 o cientista que levou terapia contra HIV aos pobres

 

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@ Nature/Merlijn Doomernik/Hollandse Hoogte/eyevine

“Por que razão", disse Joep Lange numa conferência internacional sobre SIDA no início da década de 2000, “estamos sempre a falar do problema da distribuição de medicamentos, quando não há virtualmente nenhum local em África onde não sejamos capazes de obter uma cerveja fresca ou uma Coca-Cola.”

O virulogista holandês, que é uma das 298 pessoas que morreram quando um avião da Malaysia Airlines foi abatido sobre a Ucrânia a 17 de Julho, fazia parte de um grupo que se dirigia à vigésima Conferência Internacional sobre SIDA em Melbourne, Austrália, e trabalhava desde a década de 90 para levar medicamentos contra o HIV para o coração dos países mais pobres. Entre 2002 e 2004 foi presidente da Sociedade Internacional da SIDA, que organiza o encontro anual, entre os maiores e mais importantes da comunidade de investigação do HIV.

Em 1996, Lange co-fundou uma rede de testes clínicos na Tailândia, para testar a possibilidade de fornecer medicamentos anti-retrovirais a pacientes com HIV em píses com rendimentos médios e baixos. A Colaboração Holanda-Austrália-Tailândia para a Investigação sobre HIV, conhecida por HIV-NAT, completou desde então 68 estudos e esteve entre os primeiros esforços de investigação para estabelecer que medicamentos contra HIV podem ser entregues de forma económica e eficaz em locais pobres em recursos.

Lange era virulogista clínico na Universidade de Amsterdão, onde explorou a resistência aos medicamentos do HIV, o papel dos medicamentos anti-retrovirais na prevenção da transmissão de mãe para filho e outras questões relacionadas com a gestão do HIV/SIDA. A sua investigação ajudou a estabelecer a segurança e eficácia de tratar pacientes com vários medicamentos anti-retrovirais, que é agora standard. Também co-fundou a revista Antiviral Therapy e foi conselheiro de várias farmacêuticas sobre anti-virais.

Em 2000, Lange ajudou a lançar a organização sem fins lucrativos Fundação PharmAccess para trazer medicamentos anti-retrovirais à África subsaariana, onde a epidemia de HIV estava em pleno e a maioria dos pacientes continuava sem tratamento. 

O esforço começou com uma ideia modesta mas nova: tratar os empregados do fabricante holandês de cerveja Heineken (um dos primeiros apoiantes da PharmAccess) e seus dependentes na África subsaariana. A fundação alargou o seu alcance desde então, criando um fundo que subsidia seguros de saúde (que pagam os medicamentos anti-retrovirais) a cerca de 100 mil pessoas na Nigéria, Tanzânia e Quénia.

Falando no encontro da SIDA em Melbourne, Charles Boucher, virulogista no Centro Médico Erasmus em Roterdão, Holanda, comentou: “Trabalhei com Lange durante 30 anos, já o conhecia da faculdade. Vi-o passar de clínico geral que cuidava de pacientes no início da década de 80 a líder nacional no desenvolvimento de novos medicamentos na Europa, avaliando-os e alterando o paradigma dos testes clínicos. Daí passou para investigação internacionais, onde se tornou bem conhecido.”

“Ele estava a trabalhar em tudo, do vírus à epidemia global, os cuidados, os custos e a economia. Era verdadeiramente excepcional no seu alcance: preocupava-se com a ciência e com a epidemia. Não sei se haverá muitas pessoas assim actualmente”, acrescenta Boucher.

"Ele não era nada egoísta", diz Robin Weiss, virulogista na University College de Londres. “Ele acreditava que tínhamos feito grandes avanços científicos e as pessoas deviam beneficiar deles."

 

 

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