2014-07-18

Subject: Terapia génica cria pacemaker biológico

 

Terapia génica cria pacemaker biológico

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Fred Dufour/AFP/Getty Images

A terapia génica pode brevemente juntar-se ao pacemaker electrónico como tratamento para corações fracos: ao inserirem um gene específico nas células musculares cardíacas, os investigadores conseguiram restaurar o batimento cardíaco normal em porcos, pelo menos temporariamente.

Os pacemakers electrónicos restauram a função normal a corações lentos e arrítmicos usando electricidade para estimular o seu batimento, uma função geralmente desempenhada pelo nódulo sinoatrial, um grupo de poucos milhares de células cardíacas que enviam sinais ao coração para bater a uma dada taxa. 

Apesar dos pacemakers implantados serem de utilização vulgarizada, exigem a realização de uma cirurgia invasiva para serem instalados, provocam risco de infecções e disparam alarmes nos pontos de controlo de segurança dos aeroportos.

Para ultrapassar estas limitações, uma equipa liderada por Eduardo Marbán, cardiologista no Centro Médico Cedars-Sinai em Los Angeles, Califórnia, procurou induzir células cardíacas localizadas fora do nódulo sinoatrial a manter o ritmo usando uma abordagem menos invasiva e as suas descobertas foram agora publicadas na revista Science Translational Medicine.

Em 12 porcos, a equipa imitou uma situação de ataque cardíaco humano fatal em que a actividade eléctrica não se propaga através do coração a partir do nódulo sinoatrial, forçando outras zonas, mais fracas, do coração a tomar o controlo. Os investigadores usaram ondas de rádio de alta frequência para destruir as células do nódulo sinoatrial dos porcos. Em resultado, os batimentos cardíacos dos animais abrandaram para cerca de 50 batimentos por minuto, comparados com os 100, ou mais, normais.

Seguidamente, os cientistas injectaram os corações dos porcos com um vírus modificado para transportar um gene de porco conhecido por Tbx18, envolvido no desenvolvimento do coração. No espaço de um dia, as células cardíacas infectadas com o vírus começaram a expressar uma variedade de genes de pacemaker e a bombear o sangue a uma taxa normal. Os animais mantiveram este batimento constante durante o período de duas semanas do estudo, fosse em descanso, em movimento ou a dormir.

Marbán considera o seu método mais simples do que outras abordagens biológicas à normalização de corações de batimento irregular, como a indução de células musculares cardíacas a um estado de pluripotência seguido de diferenciação em células do pacemaker. 

No entanto, ele alerta para o facto de a terapia génica  poder ser temporária: ao longo do tempo, o sistema imunitário deverá reconhecer o vírus vector do gene Tbx18 e começar a atacar as células infectadas. A equipa de Marbán está agora a monitorizar os porcos que receberam o tratamento por terapia génica durante vários meses para ver quanto tempo o efeito pacemaker persiste.

Mas mesmo que os efeitos do tratamento sejam limitados, ainda se pode revelar útil, diz Marbán. Por exemplo, se o pacemaker electrónico de uma pessoa ficar infectado e tiver que ser removido, um pacemaker biológico pode manter o coração a bombear regularmente até que a infecção desapareça e um novo dispositivo possa ser implantado. A abordagem da terapia génica também pode ajudar fetos com defeitos cardíacos, bem como crianças que rapidamente crescem e ultrapassam os seus pacemakers implantados ou pacientes para quem a cirurgia é um risco.

“Parece-me uma ideia verdadeiramente criativa”, diz Ira Cohen, electrofisiólogo cardíaco no Centro Médico da Universidade Stony Brook em Nova Iorque. Ele gostaria de ver a terapia testada em cães, cujo ritmo cardíaco médio é mais semelhante aos humanos 60 a 100 batimentos por minuto.

Marbán refere que a sua equipa está a conversar com a Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos sobre o desenvolvimento de um teste clínico em humanos, que ele pensa poder estar apenas a dois ou três anos de distância.

 

 

Saber mais:

Método de edição genética funciona contra HIV em teste clínico

Medicamento para o colesterol com base em RNA revela-se prometedor

Transplantes de células estaminais podem eliminar HIV

Terapia génica traz esperança a doentes de Parkinson

Testes de tratamento para esclerose múltipla prometedores

Terapia génica melhora visão em rapaz inglês

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com