2014-07-12

Subject: QI dos chimpanzés começa nos genes

 

QI dos chimpanzés começa nos genes

 

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@ Nature/Gravity Giant Productions/Getty

É frequente chimpanzés inteligentes produzirem descendência inteligente, sugerem os investigadores numa das primeiras análises da contribuição genética para a inteligência em grandes símios. As descobertas, publicadas online na revista Current Biology, podem ajudar a lançar luz sobre a forma como a inteligência humana evoluiu e podem  mesmo conduzir à descoberta de genes associados à capacidade mental.

Uma equipa liderada por William Hopkins, psicólogo na Universidade Estadual da Geórgia em Atlanta, testou a inteligência de 99 chimpanzés com idades entre os 9 e os 54 anos, na sua maioria descendentes do mesmo grupo de animais alojados no Centro Nacional de Investigação sobre Primatas Yerkes em Atlanta. Os chimpanzés enfrentaram desafios cognitivos como recordar onde alimentos estavam escondidos num objecto rotativo, seguir o olhar humano e usar ferramentas para resolver problemas.

Uma análise estatística subsequente revelou uma correlação entre o desempenho dos animais nestes testes e o seu grau de parentesco com outros chimpanzés participantes no estudo. Cerca de metade da diferença de desempenho entre indivíduos era genética, descobriram os investigadores.

Em humanos, cerca de 30% da inteligência em crianças pode ser explicada pela genética e nos adultos, que são menos vulneráveis a influencias ambientais, esse número sobe para 70%. Esses números são comparáveis com a nova estimativa da heritabilidade da inteligência num leque vasto de chimpanzés, diz Danielle Posthuma, geneticista comportamental na Universidade VU em Amesterdão, que não esteve envolvida no estudo.

“Há muito que este estudo era devido”, diz Rasmus Nielsen, biólogo computacional na Universidade da Califórnia, Berkeley.  “Tem havido um enorme foco na compreensão da heritabilidade da inteligência em humanos mas muito pouco sobre os nossos parentes mais próximos.”

Mas Nielsen espera que investigações futuras sobre a inteligência dos chimpanzés encontre as mesmas dificuldades que os estudos do QI humano, como a determinação da influência do ambiente em que chimpanzé é criado ou os factores a que foi exposto enquanto feto. Seria interessante, diz ele, comparar as estimativas da heritabilidade da inteligência em chimpanzés selvagens com a dos chimpanzés criados em cativeiro.

A equipa de Hopkins tenciona agora repetir as suas experiências num grupo de chimpanzés de outras instalações, que serão geneticamente diferentes do grupo do centro Yerkes.  Ele também espera identificar genes específicos associados à inteligência e para isso tem um ponto de partida: em Janeiro, um artigo publicado na revista Scientific Reports, Hopkins descobriu que os chimpanzés eram melhores a seguir pistas sociais se apresentassem variantes específicas do gene AVPR1A, que está associado ao comportamento social em humanos.

Robert Plomin, geneticista comportamental na King’s College de Londres, que estuda a inteligência em gémeos humanos, considera que esta será uma tarefa difícil. “Desde há 15 anos que ando a tentar encontrar genes associados à inteligência mas sem grande sucesso."

Apesar de terem sido propostos centenas de genes candidatos, cada um parece exercer um efeito muito pequeno na inteligência de um indivíduo, acrescenta Plomin, e os chimpanzés são mais geneticamente diversificados entre si que os humanos, o que torna a identificação de genes relevantes ainda mais difícil.

Mas Hopkins tem esperança que os chimpanzés ainda possam ser um modelo útil para a compreensão do QI em humanos: os chimpanzés criados em cativeiro não são afectados pelos mesmos factores socioeconómicos e culturais que podem influenciar o desempenho humano nos testes de inteligência estandardizados. Isto pode permitir aos investigadores detectar novos genes da inteligência em chimpanzés e depois procurar descobrir os efeitos desses mesmos genes em humanos.

 

 

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