2014-07-09

Subject: Memórias semelhantes beneficiam de mais espaço no cérebro

 

Memórias semelhantes beneficiam de mais espaço no cérebro

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ BBC

Memórias semelhantes sobrepõem-se fisicamente no cérebro, o que origina menos confusão se a área do cérebro responsável for maior, revela um novo estudo agora conhecido.

Os cientistas analisaram os cérebros de 15 pessoas enquanto recordavam quatro cenas semelhantes, num estudo publicado na última edição da revista PNAS. Detectaram vestígios de memórias sobrepostas numa zona específica do hipocampo chamada CA3, uma zona de memória conhecida. Se a sua zona CA3 fosse maior, os sujeitos do estudo ficavam menos confusos e havia menos sobreposição nos vestígios.

A maioria de nós armazena muitas memórias semelhantes, relacionadas com locais onde passamos mais tempo e com as pessoas que conhecemos melhor. Normalmente conseguimos diferenciá-las, ainda que alguns de nós sejam melhores a faze-lo do que outros.

Considerava-se que a região CA3 processasse cada memória usando diferentes conjuntos de células cerebrais mas estas descobertas sugerem que quando dois episódios incorporam conteúdos semelhantes podem, na realidade, ser recordados por redes neurais sobrepostas e mais espaço poderia ser benéfico.

"Os nossos resultados podem ajudar a explicar porque razão por vezes temos dificuldade em diferenciar memórias do passado semelhantes e porque algumas pessoas o fazem melhor que outras", diz Eleanor Maguire, autora principal do estudo do Centro de Neuroimagem Wellcome Trust no University College de Londres (UCL).

Os 15 sujeitos do estudo visualizaram quatro pequenos filmes, mostrando duas acções diferentes que decorrem, cada uma, em dois locais diferentes. Foi-lhes depois pedido que recordassem, cada um, as situações 20 vezes no interior de um scanner cerebral.

Os scans revelaram actividades de memória distintas na região CA3 mas não em três outros compartimentos do hipocampo. Ainda mais importante, os quatro vestígios diferentes das quatro memórias revelaram sobreposição significativa e essa sobreposição foi mais aparente nas pessoas que disseram estar mais confusas pelas semelhanças entre as quatro memórias.

Os scans combinaram fMRI (imagens de ressonância magnética funcional) com medições estruturais detalhadas de cada cérebro, logo, para além de obter uma leitura da actividade cerebral, a equipa de investigadores pode medir a dimensão exacta da CA3 de cada participante.

Foi dessa forma que descobriram que a dimensão dessa região, relativamente ao resto do hipocampo, afectava tanto a quantidade de sobreposição nos vestígios de memória, como o nível de confusão da pessoa.

"Uma zona CA3 maior pode conter mais neurónios ou mais ligações entre neurónios, o que pode permitir uma maior separação física dos diferentes vestígios de memória", diz Martin Chadwick, que realizou as experiências.

Apesar do tamanho do cérebro não estar relacionada com as capacidades mentais dos diferentes indivíduos (o cérebro de Einstein, por exemplo, era menor que a média), as dimensões relativas dos diferentes componentes têm vindo a ser associadas a diferentes características.

Um conhecido estudo feito por Maguire já tinha mostrado que para alcançar a sua impressionante capacidade de manter um mapa mental das ruas e capacidade navegacional, os taxistas de Londres desenvolvem um hipocampo maior, em média, do que a restante população.

Hugo Spiers, professor de neurociência na UCL que não esteve envolvido na pesquisa, descreveu este novo artigo como uma adição "realmente útil" à clássica descoberta. "O hipocampo ocupa muito cérebro e o que agora descobriram é que esta sua zona, a CA3, é maior em algumas pessoas."

"O estudo com os taxistas foi sobre a forma como o tamanho total  se relaciona com a capacidade de navegação numa grande cidade mas isso é muito diferente de recordar o que cada um disse numa discussão com o parceiro no outro dia. A maioria de nós atrapalha-se com isso, acaba por se resumir a 'disseste isto, não eu disse aquilo', se calhar é a dimensão da CA3 que influencia quem vai ganhar essa discussão!"

A região CA3 é espantosa porque as suas ligações generalizadas com outras zonas do cérebro são acompanhadas por um vasto número de interligações no interior da própria CA3. Isto destacou esta zona já há anos, explica Spiers, como um componente potencialmente útil para a armazenagem e recuperação da memória.

"Queremos algo que se volte a ligar a si próprio muitas vezes para nos permitir recuperar rapidamente as memórias armazenadas, mas tem um limite", diz ele. "Temos uma melhor compreensão, a partir deste novo trabalho, sobre o que este pedaço de circuitos de memória tão importante está a fazer."

 

 

Saber mais:

Detestamos estar sozinhos com os nossos pensamentos!

Flashes de luz revelam como se formam as memórias

Stress altera o genoma das crianças 

Epigenética começa a deixar a sua marca

Medicamento ajuda a eliminar memórias traumáticas

Terapia do sono pode alterar más recordações

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com