2014-07-03

Subject: Artigos sobre células estaminais induzidas por stress retractados

 

Artigos sobre células estaminais induzidas por stress retractados

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Asahi Shimbun/Getty Images

A revista Nature retractou dois controversos artigos sobre células estaminais publicados em Janeiro. As retracções, acordadas com todos os co-autores, surgem ao fim de cinco meses loucos em que vários erros foram detectados, tentativas para replicar as experiências falharam, a autora principal foi considerada culpada de má conduta e o centro que a emprega foi ameaçado com o enceramento. O aviso de retracção menciona um punhado de problemas com os artigos que não tinham antes sido considerados pelas equipas de investigação institucional.

As dúvidas permanecem sobre qual era exactamente a base das alegações de que células estaminais do tipo embrionário podiam ser criadas expondo células somáticas a stress, uma tecnologia que os autores apelidaram aquisição de pluripotência desencadeada por estímulos (STAP). Mas a controvérsia promete ter um impacto duradouro na ciência japonesa, na investigação global sobre células estaminais e na comunidade científica em geral, incluindo alterações na política editorial da Nature

O primeiro dos dois artigos descrevia um método que usava exposição a ácido ou a pressão física para converter células do baço de ratos recém-nascidos em células pluripotentes. O segundo artigo impressionava ainda mais os cientistas com dados que mostravam que o processo STAP criava células que se podiam diferenciar em células placentárias, algo que outras células pluripotentes, como as células estaminais embrionárias e as células estaminais pluripotentes induzidas, normalmente não fazem.

Mas no espaço de semanas, imagens duplicadas e manipuladas foram descobertas, focando a atenção na fonte dos dados fornecidos por Haruko Obokata, bioquímica no Centro RIKEN de Biologia do Desenvolvimento em Kobe e primeira autora de ambos os artigos. Os cientistas também relataram dificuldades em replicar as experiências.

Uma investigação do RIKEN que analisou os artigos anunciou a 1 de Abril que Obokata tinha sido considerada culpada de dois actos de má conduta científica. O RIKEN rejeitou um recurso e aconselhou-a a retractar os artigos em Maio. O seu co-autor Teruhiko Wakayama, da Universidade de Yamanishi, já defendia a retracção desde Março.

Obokata e Charles Vacanti, anestesiólogo no Hospital Brigham and Women em Boston, Massachusetts, e o autor sénior correspondente ao primeiro artigo, mantiveram as suas alegações mas posteriormente alteraram as suas posições depois de novos erros surgirem. Obokata deu o consentimento à retracção a 4 de Junho.

O aviso de retracção agora publicado lista cinco erros. Os primeiros quatro salientam que as legendas não descrevem o que está nas imagens ou figuras a que correspondem, sem reflectir de que forma isso se relaciona com os dados experimentais. O quinto, relativo ao primeiro artigo, salienta que as alegadas células STAP provêm de um fundo genético diferente das supostamente usadas nas experiências, algo que apelida de “discrepâncias inexplicáveis".

Austin Smith, biólogo de células estaminais na Universidade de Cambridge, Reino Unido, também retractou um artigo publicado juntamente com os dois artigos STAP.

Obokata e Vacanti continuam a manter que o fenómeno é real. Num comunicado publicado no seu website, Vacanti diz ter concordado com a retracção “apesar de não haver informações que lancem dúvidas sobre a existência do fenómeno STAP em si mesmo".

Para muitos observadores, a retracção confirmou as dúvidas que tinham desde o início. Alan Trounson, antigo director do Instituto Californiano de Medicina Regenerativa em San Francisco, diz que há muitos locais acídicos no corpo onde os cientistas não encontram células pluripotentes: “Não faz sentido que as células respondessem desta forma, senão teríamos muitos problemas, por exemplo, com o risco potencial de cancro."

Outros investigadores não estão preparados para virar completamente a página sobre a indução por stress. Qi Zhou, investigador de clonagem no Instituto de Zoologia de Pequim, diz que a estimulação externa, seja ela química ou física, pode ser capaz de alterar o estado das células mas que o tipo de pluripotência total que se vê em células estaminais embrionárias não é provável que seja conseguida com um simples banho de ácido ou outro factor único.

Foi dada a Obokata uma oportunidade de provar que os cépticos estão enganados sobre o seu trabalho. Enquanto decorre a sua acção disciplinar no RIKEN, Obokata foi convidada a ajudar nos esforços em curso para replicar as experiências que estão a ser feitos por dois investigadores sénior do centro, Shinichi Aizawa e Hitoshi Niwa, este último um dos co-autores dos artigos STAP.

Ontem, Obokata, que tinha sido hospitalizada, voltou ao trabalho pela primeira vez em meses, segundo os meios de comunicação japoneses. Mas com as suspeitas sobre a origem das células usadas na experiência original, a sua credibilidade é baixa e a sua actividade no laboratório será gravada. Os resultados preliminares dos esforços de replicação são esperados no final de Julho, início de Agosto.

Apesar do escândalo ter manchado a reputação dos co-autores, cientistas de todo mundo apelaram ao RIKEN para que não encerre todo o centro, uma opção drástica que foi mencionada num relatório publicado por um comité independente no mês passado.

O impacto dos eventos vai para além de Kobe e para além do Japão, é outro golpe na investigação de células estaminais, diz Solter. O episódio STAP “certamente aumentou a reputação do campo da pluripotência como um campo onde maus resultados tendem a ser publicados de forma acrítica e, em nome da publicidade, os processos científicos normais são suspensos", diz ele.

 

 

Saber mais:

Testes genéticos sugerem que células estaminais de banho ácido nunca existiram

Somam-se dúvidas sobre 'descoberta' com células estaminais

Células reprogramadas lentas a produzir tumores em macacos

Células estaminais produzidas com eficiência quase perfeita

Células estaminais reprogramadas apenas com auxílio de químicos

Autor reconhece erros em artigo sobre clonagem de células estaminais

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com