2014-07-01

Subject: Terras adquiridas têm potencial para alimentar milhões

 

Terras adquiridas têm potencial para alimentar milhões

 

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@ Nature/Wade C.L. Williams/Inter Press Service/Getty

Investigadores internacionais adquiriram, nos últimos 15 anos, cerca de 22 milhões de hectares de terra em países em desenvolvimento para fins agrícolas, uma área maior que o Uganda. Agora, os investigadores calcularam que a controversa venda ao desbarato de terras pode permitir a esses países aumentarem a sua produção de alimentos o suficiente para alimentar mais 100 milhões de pessoas em todo mundo.

Apesar de ser demasiado cedo para dizer se a experiência global de aquisição de terras irá dar frutos tão positivos, os autores do relatório defendem que os negócios agrícolas estrangeiros podem ajudar a fechar o fosso de produção entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Quase mil milhões de pessoas em todo o mundo estão cronicamente subnutridas e em muitos países em desenvolvimento usam práticas agrícolas antiquadas com irrigação insuficiente e poucos fertilizantes químicos. Investidores internacionais podem aumentar a produtividade das quintas trazendo tecnologias avançadas.

Mas os países pobres não colherão os benefícios se as quintas não produzirem alimentos que cheguem aos mercados locais, em vez de serem exportados, alertam os autores, cujas descobertas foram agora publicadas na revista Environmental Research Letters.

“Depende da forma como os negócios estão a ser feitos”, diz Paolo D’Odorico, perito ambiental na Universidade da Virgínia em Charlottesville, e co-autor do estudo. “Se não houver transparência, em violação de direitos humanos ou sem o envolvimento dos actuais utilizadores das terras, são pouco éticos mas não é necessariamente o caso." O México e o Peru, por exemplo, têm regras para garantir um elevado grau de participação da comunidade nas transações de terras.

D’Odorico e Cristina Rulli, engenheira hidráulica na Universidade Politécnica de Milão, analisaram dados compilados pela Land Matrix, uma iniciativa internacional de monitorização das terras, sobre negócios com parcelas maiores que 200 hectares desde 2000.

Usando estimativas de produções típicas das práticas agrícolas tradicionais e dos métodos agrícolas industrializados, D’Odorico e Rulli calcularam que se todas as terras adquiridas fossem cultivadas à capacidade máxima, as produções anuais de milho e arroz aumentariam três vezes e produção de trigo mais do que duplicava, em relação às produções de 2000.

A terra agrícola detida por estrangeiros em países em desenvolvimento é frequentemente usada para a produção de biocombustíveis, como o óleo de palma. Os investigadores assumiram que apenas 50% do açúcar de cana e do óleo de palma cultivados em terras adquiridas seria consumido como alimento. Mesmo assim, os alimentos produzidos em terras adquiridas podem nutrir entre 300 e 550 milhões de anos, dependendo da eficiência da produção e da dieta.

Se a agricultura de subsistência continuasse nas terras alimentaria apenas 190 a 370 milhões de pessoas, estimam os investigadores. Cinco países, a Indonésia, Malásia, Papua-Nova Guiné, Sudão e Sudão do Sul, são responsáveis por mais de 80% das calorias alimentares que poderiam ser produzidas em terras adquiridas.

A Land Matrix também recolhe informação sobre a forma como a terra adquirida é na realidade usada pelos novos donos. Os dados são incompletos mas em muitos casos conhecidos a terra ainda não está a ser cultivada ou se a sua produtividade está no seu potencial máximo. Também se desconhece quanta da terra tem vindo a ser usada para o cultivo de biocombustíveis em vez de alimentos.

Mas a corrida às terras é fortemente controversa por razões éticas. O Banco Mundial e a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), ambas organizações das Nações Unidas, propuseram directrizes para as aquisições de terras como forma de garantir que os agricultores locais mantêm os direitos de utilização das terras. Mesmo assim, as comunidades locais não são frequentemente representados adequadamente nas negociações de vendas de terras, diz Kristian Toft, ética ambiental na Universidade de Aalborg, Dinamarca: “Por vezes não têm competência para o fazer mas a maior parte das vezes são simplesmente excluídos", diz ele.

Só na semana passada, grupos de defesa dos direitos humanos acusaram a companhia inglesa Equatorial Palm Oil de fazer planos para expandir a sua produção à Libéria sem o consentimento das comunidades locais. A companhia rejeita as alegações de que as suas operações em África estão a violar os direitos humanos e que têm ajudado a manter a guerra civil na Libéria, que é um dos países mais pobres do mundo.

A disputa sobre como abordar os negócios de terras está longe de estar decidida. “Se a aquisição de terras significa violação dos direitos de utilização, o aumento da produção é uma má desculpa”, diz Thomas Herzfeld, chefe de política agrícola no Instituto Leibniz de Desenvolvimento Agrícola em Halle, Alemanha. "Uma estratégia melhor seria identificar factores de subnutrição em regiões onde as aquisições de terras ocorrem.”

 

 

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