2014-06-30

Subject: Correr cura ratos cegos

 

Correr cura ratos cegos

 

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@ Nature/Tetra Images/Corbis

Correr ajuda ratos a recuperar de um tipo de cegueira causada por privação sensorial no início da vida, relatam os investigadores. O estudo, publicado na revista eLife, também ilumina o processo por detrás da capacidade do cérebro para se ajustar em resposta a experiências, um fenómeno conhecido por plasticidade e que os neurocientistas acreditam ser a base da aprendizagem.

Há mais de 50 anos, os neurofisiólogos David Hubel e Torsten Wiesel decifraram o código usado para enviar informação dos olhos para o cérebro. Eles também mostraram que o córtex visual apenas se desenvolve adequadamente se receber informação de ambos os olhos no início da vida. Se um dos olhos for for privado da visão durante este período crítico, o resultado é ambliopia (olho preguiçoso), um estado de quase cegueira. Isto pode acontecer a alguém que nasça com uma pálpebra descaída, cataratas ou outros defeitos que não sejam corrigidos a tempo. Se o olho for aberto na fase adulta, a recuperação é lenta e incompleta.

Em 2010, os neurocientistas Christopher Niell e Michael Stryker, ambos da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), mostraram que correr mais do que duplicava a resposta dos neurónios do córtex visual de ratos à estimulação visual. Stryker diz que é provavelmente mais importante manter uma ideia do ambiente quando se navega a alta velocidade e que a baixa capacidade de resposta em repouso pode ter evoluído para conservar energia em situações menos exigentes. “Faz sentido colocar o sistema visual num estado de alto desempenho quando nos deslocamos através do ambiente pois a visão diz-nos a que distância estão as coisas, enquanto o toque apenas diz algo sobre coisas de que estamos perto", diz ele.

Geralmente assume-se que a actividade estimula a plasticidade, pelo que Stryker e o seu colega Megumi Kaneko, também neurocientista na UCSF, ficaram a pensar se a corrida poderia influenciar a plasticidade do córtex visual. Eles induziram ambliopia em ratos suturando um olho fechado durante vários meses, durante e após o período crítico do desenvolvimento visual.

Seguidamente voltaram a abrir os olhos dos ratos e dividiram-nos em dois grupos. Os ratos de um grupo viram um padrão visual 'ruidoso' enquanto corriam na roda durante quatro horas por dia durante três semanas.

O padrão foi escolhido para activar praticamente todas as células do córtex visual primário dos ratos. Os investigadores registaram a actividade do cérebro dos ratos usando imagens de sinal intrínseco, um método semelhante à ressonância magnética funcional.

Após uma semana estes ratos mostraram mais capacidade de resposta na parte do córtex correspondente ao olho que tinha sido fechado. Após duas semanas, as respostas eram comparáveis às dos ratos normais que nunca tinham sido privados. O outro grupo, alojado em gaiolas e sem estimulação visual extra, tinham uma resposta muito menor nos seus olhos recém-abertos e nunca atingiram níveis de resposta normais.

Outras experiências revelaram que nem correr, nem estimulação visual, por si sós tinham estes efeitos. A recuperação também foi específica para o estímulo: ratos que viram o padrão 'ruidoso' não mostraram respostas melhores do que os que viram um padrão de barras, e vice-versa, sugerindo que apenas os circuitos activados durante a corrida recuperam.

“O que é espantoso é a robustez deste fenómeno”, diz Massimo Scanziani, neurobiólogo na Universidade da Califórnia, San Diego. “É poderoso e altamente reproduzível, o que é ideal para o estudo do mecanismo.”

Stryker ainda não sabe se as suas descobertas se aplicam a humanos mas tencionam realizar trabalhos para o descobrir.

 

 

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