2014-06-29

Subject: Primeiros animais com esqueleto construíam recifes

 

Primeiros animais com esqueleto construíam recifes

 

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@ Nature/Fred Bowyer

Os animais que constróem recifes evoluíram milhões de anos mais cedo do que até aqui se pensava, relata uma equipa de investigadores na última edição da revista Science

Os cientistas descobriram fósseis que indicam que os recifes de metazoários datam de há cerca de 548 milhões de anos, perto de sete milhões de anos anteriores ao que antes se estimava. Este facto sugere que terão surgido antes da explosão câmbrica, um momento de diversificação explosiva que geralmente é considerado o motor da proliferação dos construtores de recifes.

“Esta sucessão de rochas que temos estado a analisar na Namíbia abrange um período de tempo muito importante para a vida animal”, diz Amelia Penny, geóloga da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, e primeira autora do estudo. “Tanto quanto sabemos, estes são os primeiros animais construtores de recifes.” 

Os cientistas descobriram os fósseis em rochas do grupo Nama, uma série de estratos carbonatados e silicatados depositados no fundo de um oceano ancestral que cobriu, em tempos, o que é agora a Namíbia, há centenas de milhões de anos.

Os paleontólogos estimam que os recifes microbianos datem de há, pelo menos, três mil milhões de anos, seguidos por recifes animais por volta da explosão Câmbrica. A construção dos chamados esqueletos recifais por animais envolve a deposição de uma espécie de conchas com camadas de carbonato de cálcio, enquanto os recifes microbianos tipicamente são formados por cianobactérias e outros microrganismos.

O que Penny e a sua equipa mostram é a evolução ecológica de um para outro tipo de recife, diz Guy Narbonne, paleobiólogo na Universidade Queen em Kingston, Ontário. Narbonne considera que a descoberta mostra pela primeira vez que tanto microrganismos, como animais com esqueleto contribuíram para a construção de recifes no Ediacariano, o período geológico que precedeu o Câmbrico. “A questão que nos surge agora é qual a importância relativa desses papéis e de que forma se alteraram", diz ele.

Os recifes foram formados por minúsculos animais filtradores do género Cloudina, um animal muito bem estudado que viveu antes da explosão do Câmbrico. Os autores identificaram características chave em agrupamentos de construtores de recifes: para construir um recife, os animais precisam de uma base onde começar (como o fundo oceânico), uma forma de se ligarem uns aos outros e a capacidade de formar uma estrutura rígida.

“Os recifes modernos são o resultado de pressões ecológicas”, diz a geóloga e co-autora do estudo Rachel Wood, também da Universidade de Edimburgo. Tipicamente os recifes ajudam a proteger os animais que os criam de predadores e fornecem uma maneira de recolher nutrientes da água. O estudo sugere que que estas pressões da selecção natural já estavam em funcionamento muito antes do que os investigadores antes pensavam, diz ela.

A descoberta vai levar os investigadores que estudam os antigos construtores de recifes a olhar para trás para além dos 540 milhões de anos em busca de outros sinais de ecologia de recifes de esqueleto, diz Mary Droser, paleobióloga na Universidade da Califórnia, Riverside.

Entretanto, Penny e a sua equipa estão a construir um modelo tridimensional do recife a partir de lâminas de rocha trazidas do campo para melhor escrutinar o recife de Cloudina. Com a ajuda de colaboradores internacionais, os autores tencionam estudar a geoquímica das rochas para compreender de que forma o teor de oxigénio dos oceanos antigos se alterou ao longo do tempo, e de que forma isto afectou a evolução animal. “Não compreendemos totalmente como uma coisa afecta a outra”, diz Wood, salientando a possibilidade de que a alteração na disponibilidade de oxigénio pode ter sido o motor da evolução da vida complexa.

 

 

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