2004-06-20

Subject: Formigas sul-americanas: combater fogo com fogo

News of the Wild

 

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Formigas sul-americanas: combater fogo com fogo 

 

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Os cientistas acreditam que as formigas vermelhas do Brasil Solenopsis invicta (conhecidas por formigas fogo), que se estão a torna ruma séria ameaça nos Estados Unidos, apenas podem ser travadas com a ajuda de uma mosca importada da América do sul.

As formigas terão atingido as costas americanas há cerca de 60 anos, passageiras clandestinas em cargueiros provenientes da América do sul. Desde então têm-se espalhado por todos os estados do sul dos Estados Unidos, aniquilando as formigas nativas no seu caminho.

As formigas brasileiras atingem uma densidade tão superior à das suas primas nativas provavelmente porque deixaram para trás a maioria dos seus inimigos naturais, essencialmente agentes patogénicos e parasitas, explica Larry Gilbert, ecologista da Universidade do Texas. 

Sem inimigos, as formigas têm sido imparáveis, chegando a matar com as suas picadas animais jovens nascidos nos campos, criando ninhos em locais perigosos, causando curtos-circuitos, fogos e constituindo uma séria ameaça para o Homem.

Forídeo emergindo ca cabeça de uma formiga vermelhaGilbert está a explorar formas de controlar as formigas, nomeadamente a importação de moscas parasitas do Brasil, conhecidas por forídeos. Uma fêmea destas moscas procura as formigas quando estas saem do ninho para caçar e escolhe uma delas para colocar o seu ovo. Este ovo vai desenvolver-se no interior do corpo da formiga, matando-a em 10 dias. De seguida a larva desloca-se para a cabeça, que acaba por cair, onde se desenvolve a pupa. Após 40 dias, a mosca adulta emerge.

Apesar de as moscas apenas matarem uma pequena fracção das formigas desta forma, estas parecem ter tanto receio das moscas que a sua mera presença para interferir com a sua busca de alimento, o que, por sua vez, levará ao estabelecimento de menos colónias numa dada zona. Desta forma, o impacto dos forídeos levará a um declínio gradual das formigas brasileiras em relação às suas primas nativas, refere Gilbert. 

 

Existem mais de 20000 espécies diferentes de forídeos, cerca de 50 das quais atacam formigas vermelhas. No entanto, também existem duas famílias de formigas vermelhas e as moscas que a família Geminata não atacam a família  Saevissima, e vice-versa. Apesar disso, as moscas atacam mais do que uma espécie dentro de cada família.

Estamos bastante seguros de que certos sinais químicos específicos usados para identificação pelas formigas são os mesmos que as moscas usam para localizar e distinguir as formigas hospedeiras, refere Gilbert, daí o elevado nível de especificidade desta relação.

Alguns problemas são já previsíveis. Os testes estão a ser conduzidos com forídeos que atacam ninhos remexidos de formigas vermelhas, em vez de atacaram as colunas de operárias em busca de alimento. Outra questão importante foi levantada por um outro estudo realizado na Universidade de Campinas, no Brasil, onde não foram encontradas provas conclusivas da regulação do efectivo das formigas pelas moscas.

Gilbert, no entanto, acredita que esta abordagem pode funcionar. Existem 5 a 7 espécies de forídeos especializados nativos da América do sul, explica. Cada uma especializa-se num diferente tipo de formiga (grande ou pequena), estilo de ataque (ninho ou coluna de operárias) e estação do ano.

Todos os especialistas consideram que se a introdução de forídeos falhar no seu objectivo, não é provável que ataquem as formigas nativas e tenham outra explosão populacional. No entanto, seria ainda uma situação preocupante, pois ajudaria na uniformização crescente dos biomas mundiais, o que pode ter consequências imprevisíveis e não desejadas a longo prazo. 

 

 

Saber mais:

University of Texas- Phorid Flies and Fire Ants

Invasive Ants University of Utah- Department of Biology

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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