2014-06-27

Subject: Ovos com padrão afastam cucos usurpadores

 

Ovos com padrão afastam cucos usurpadores

 

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@ Nature/David Tipling/2020VISION/Nature Picture Library/Corbis

Os cucos são famosos por porem os seus ovos nos ninhos de outras aves mas os seus hospedeiros estão a contra-atacar este comportamento parasita desenvolvendo 'assinaturas' características nas cascas dos seus ovos, o que ajuda as aves hospedeiras a detectar o intruso. 

Usando software de reconhecimento de padrões, os investigadores pesquisaram as várias estratégias que as aves hospedeiras usam para produzir essas assinaturas, lançando igualmente luz sobre a forma como as aves processam informação visual.

O cuco vulgar Cuculus canorus é capaz de produzir ovos que imitam a aparência dos ovos de um dado hospedeiro, permitindo aos invasores passar despercebidos no ninho. Geralmente os cucos chocam antes da ninhada do hospedeiro e acabam por despejar do ninho os outros ovos ou crias. Para evitar criar inadvertidamente intrusos, os hospedeiros têm que identificar o ovo do cuco e remove-lo do ninho antes que choque.

“Agora sabemos que as aves hospedeiras conseguem empregar as suas próprias defesas, tal como um banco coloca marcas-de-água especiais à suas notas”, diz a bióloga evolutiva Mary Caswell Stoddard, da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, que é a primeira autora do estudo agora publicado na revista Nature Communications.

Stoddard fotografou 689 ovos de espécies hospedeiras das colecções do Museu de História Natural de Londres, usando uma câmara que detecta os mesmos comprimentos de onda que as aves vêem. Usando análise de imagens, a equipa de investigadores converteu, de seguida, cada fotografia de forma a que a imagem representasse o que a ave realmente veria (ver imagem ao lado). 

Os ovos provieram que oito espécies de aves conhecidas por serem alvo do cuco vulgar, desde o tentilhão-montês Fringilla montifringilla ao rouxinol-grande-dos-caniços Acrocephalus arundinaceus.

Para determinar de que forma uma ave poderá ver e processar os padrões nos seus ovos, os investigadores criaram o NaturePatternMatch, um algoritmo de reconhecimento de padrões que analisa os padrões da casca dos ovos da mesma forma que se pensa que a ave avaliaria a informação visual.

Para cada espécie, a equipa usou o software para comparar ovos da mesma postura e de posturas de diferentes fêmeas. os cientistas descobriram que a maior parte dos ovos das espécies hospedeiras têm padrões de assinatura distintos e que os padrões eram mais sofisticados entre espécies que têm sido mais exploradas pelo cuco vulgar. 

Para estes hospedeiros, uma boa assinatura parece tornar mais fácil reconhecer um ovo de cuco entre a sua postura e rejeitá-lo, diz a co-autora Rebecca Kilner, bióloga evolutiva na Universidade de Cambridge, Reino Unido.

Os cientistas também descobriram que diferentes espécies hospedeiras têm diferentes estratégias para combater os cucos invasores. O picanço-de-dorso-ruivo Lanius collurio, por exemplo, desenvolveu padrões altamente repetitivos nos ovos de uma única postura, enquanto as marcas nos ovos do rouxinol-grande-dos-caniços diferem drasticamente de fêmea para fêmea. Outras espécies hospedeiras desenvolveram padrões de ovos com um elevado grau de complexidade espacial: algumas, por exemplo, põe ovos com poucas marcas mas espaçadas de forma desigual, uma característica que dá uma assinatura muito boa, diz Kilner.

Os resultados mostram que, ao contrário do que diz a teoria, as espécies hospedeiras não usam todas as três estratégias ao mesmo tempo para que os padrões sejam reconhecíveis: padrões podem ser complexos ou repetidos numa postura, ou mesmo diferentes entre posturas da mesma espécie. Cada abordagem individualmente ajuda os ovos da espécie hospedeira mais reconhecíveis, permitindo aos hospedeiros rejeitar os ovos de cuco.

O ecologista James Dale, da Universidade de Massey em North Shore, Nova Zelândia, que não esteve envolvido no estudo, diz que o software “mostra uma forma de avançar muito prometedora para a compreensão do comportamento de reconhecimento visual, não apenas nas situações de parasitas nas ninhadas mas em geral”. 

No entanto, o biólogo David Lahti, da Universidade de Nova Iorque, alerta para o facto de os investigadores não poderem ter a certeza até que ponto o programa de computador imita os processos cognitivos dos cérebros dos animais. “Mas precisamos de começar em algum lado”, acrescenta ele. "Sem dúvida que cientistas como eu próprio vamos correr para o campo para testar estas novas hipóteses nos nossos próprios sistemas.”

 

 

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