2014-06-26

Subject: Artigo que alega associação entre transgénicos e tumores novamente publicado

 

Artigo que alega associação entre transgénicos e tumores novamente publicado

 

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@ Nature/YVES HERMAN/Reuters/Corbis

Um controverso artigo que associa o milho geneticamente modificado ao desenvolvimento de tumores e outros problemas graves de saúde em ratos, que foi publicado em 2012 e retractado em 2013, foi agora publicado novamente, por uma revista diferente.

Quatro outras revistas ofereceram-se para publicar o artigo, liderado pelo autor Gilles-Eric Séralini. Ele e a sua equipa acabaram por escolher a revista Environmental Sciences Europe, explica ele, porque é de acesso livre e assim as descobertas do estudo ficam disponíveis a toda a comunidade científica.

O artigo que ficou disponível online foi ligeiramente emendado em relação ao original, especialmente na forma como os dados foram analisados. Quatro dos autores, incluindo Séralini, também escrevem um comentário acompanhante em que dizem ter sido vítimas de censura e que os seus críticos tinham “sérios e não revelados conflitos de interesses".

Os autores também publicaram os seus dados em bruto pois Séralini diz que queria ser um paradigma da transparência e espera que as companhias que produzem e vendem alimentos geneticamente modificados (GM) sigam o seu exemplo. Ele insiste que o seu trabalho está de acordo a prática internacional standard para estudos de toxicidade e lamenta o facto de a Monsanto e outras companhias não publicarem os dados de toxicidade para os seus produtos. “Nem um único estudo foi conduzido sobre os efeitos a longo prazo do Roundup no sangue dos ratos", diz ele, referindo-se à popular marca de pesticida fabricado pela Monsanto e usado conjuntamente com o milho GM resistente ao Roundup. “Isto é completamente anormal e uma anomalia científica."

A revista que originalmente publicou o artigo, a Food and Chemical Toxicology (FCT), retractou-o sob uma chuva de críticas em Novembro de 2013 depois da equipa de Séralini se ter recusado a retirá-lo. Uma revisão pós-publicação do artigo revelou que “os dados eram inconclusivos e por isso as conclusões descritas não eram fiáveis". No entanto, a FCT “não encontrou evidências de fraude ou falsa interpretação intencional dos dados", segundo a editora da revista Elsevier.

A equipa de Séralini tinha descoberto que ratos alimentados durante dois anos com um tipo de milho resistente ao glifosato produzido pela Monsanto desenvolviam mais tumores e morriam mais cedo do que os animais controlo. Também descobriram que os ratos desenvolveram tumores quando o Roundup foi acrescentado à sua água de beber.

A Environmental Sciences Europe (ESEU) decidiu voltar a publicar o artigo para dar à comunidade científica acesso a longo prazo garantido aos dados do artigo retractado, diz o seu editor-chefe Henner Hollert. A ESEU não realizou nenhuma revisão científica por pares pois “isso já foi feito pela Food and Chemical Toxicology e havia conclusões de que não havia fraude ou má interpretação". 

A publicação da nova versão do artigo não dá aos seus críticos razões para mudar de opinião, diz o investigador de alergias alimentares Richard Goodman, da Universidade Nebraska–Lincoln e editor de biotecnologia na FCT. "Tanto quanto sei, ninguém demonstrou que o estudo de dois anos com alimentação de ratos Sprague Dawley tenha revelado qualquer problema que coloque em risco a saúde humana ou de gado."

Os ratos Sprague Dawley, um dos animais de laboratório mais usados, tornaram-se propensos a problemas de saúde quando ultrapassam os 18 meses de idade, tornando os resultados de Séralini “ininterpretáveis", diz Goodman. “Se olharmos para os dados de Séralini, o estudo teve, e continua a ter, falhas."

Séralini alega que Goodman, que trabalhou para a Monsanto durante sete anos, foi retirado do comité de revisão da FCT depois de ele se ter queixado de potenciais conflitos de interesse. Goodman reconhece ter-se retirado do comité a pedido de Séralini pois "esta foi a única forma de Séralini fornecer os dados que o comité precisava para avaliar o artigo". Mas, acrescenta, “não contribui para a decisão de retractar o artigo por parte da FCT e não vejo como é que a minha experiência e informação é considerada conflito de interesses em vez de útil." 

David Spiegelhalter, estatístico na Universidade de Cambridge, diz: "O artigo não parece ter as referências estatísticas e os métodos e relatos continuam obscuros. Os alegados efeitos não mostram resposta à dose logo as conclusões dependem completamente da comparação com dez ratos controlo de cada sexo, o que é inadequado."

Spiegelhalter acrescenta: "O estudo precisa de replicação por um laboratório verdadeiramente independente usando amostras de dimensão adequada. Concordo com os autores de todo o campo beneficiaria de uma maior transparência nos dados e melhores métodos estatísticos e experimentais."

 

 

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