2014-06-22

Subject: Testes genéticos sugerem que células estaminais de banho ácido nunca existiram

 

Testes genéticos sugerem que células estaminais de banho ácido nunca existiram

 

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@ Nature/Asahi Shimbun via Getty Images

Um dos co-autores de dois controversos artigos que alegavam a criação de um novo tipo de célula estaminal tipo embrionária apresentou dados genéticos que mostram que as células usadas para a alegação não eram o que se dizia serem. A descoberta foi apoiada por uma segunda via, que sugere que as células criadas com a técnica conhecida por aquisição de pluripotência desencadeada por estímulos (STAP) provavelmente não seriam mais que células estaminais embrionárias normais, possivelmente em resultado de troca de amostras.

Ambos os anúncios, feitos a 16 de Junho, aumentam a pressão sobre a autora principal dos artigos, a bióloga Haruko Obokata, do Centro RIKEN de Biologia do Desenvolvimento em Kobe, para que prove que o fenómeno STAP realmente existe.

Obokata e outros concordaram e retractar dois artigos descrevendo as técnicas STAP que tinham publicado na revista Nature em Janeiro, depois de terem sido identificados numerosos problemas. Mas a questão permaneceu se o fenómeno, em que factores de stress como exposição a ácidos ou a pressão física são suficientes para transformar células corporais em células do tipo embrionário, era real, como Obokata tem mantido.

Teruhiko Wakayama, pioneiro da clonagem de ratos actualmente na Universidade Yamanashi, chefiou o laboratório RIKEN onde Obokata alegou ter criado as células STAP. Durante as experiências, Wakayama deu a Obokata ratos recém-nascidos do seu laboratório. Ela alega ter retirado células do baço desses ratos, expô-las a ácido para criar as células STAP e forneceu-as a Wakayama. Wakayama agarrou nas alegadas células STAP e criou linhagens celulares estaminais auto-renováveis. Ele também as injectou em embriões de rato para criar ratos quiméricos, alegadamente demonstrando a pluripotência das células.

Depois de terem emergido vários problemas com os artigos, Wakayama começou a ponderar se as células que recebeu teriam sido realmente o resultado do método STAP. Mandou oito linhagens de células estaminais que tinham sido apresentadas no artigo para o Instituto Nacional de de Ciências Radiológicas (NIRS) em Chiba, para serem analisadas. Os geneticistas do NIRS tiveram como alvo locais onde a proteína fluorescente verde (GFP), usada pelos investigadores para marcar a expressão de certos genes, tinham sido inseridas no genoma dos ratos.

Nos ratos que Wakayama deu a Obokata, o gene da GFP estava no cromossoma 18 mas nas alegadas células STAP estava no cromossoma 15. Isto sugere fortemente que foram usados ratos diferentes. “No meu laboratório, não existem nem células estaminais embrionárias nem ratos com GFP no cromossoma 15", diz Wakayama.

Wakayama é cauteloso na interpretação dos resultados. “Não podemos dizer com certeza que as células STAP nunca existiram. Ainda que a gestão dos ratos experimentais seja muito rigorosa no RIKEN, é sempre possível que Obokata traga ratos bebés de outro local", diz ele.

Mas testes semelhantes levados a cabo pelo RIKEN e publicado ao mesmo tempo chama a atenção para a questão da origem das células STAP. O RIKEN analisou os locais de inserção da GFP e o pano de fundo genético de seis outras alegadas linhagens celulares STAP que Obokata mantinha no seu laboratório. “Os resultados estão de acordo com os resultados da análise de amostras feita por Wakayama”, diz o director do RIKEN Masatoshi Takeichi. Ele salienta que as células com a GFP no cromossoma 18 "têm proveniência desconhecida". 

Em resposta a isto, Obokata disse, através do seu advogado Hideo Miki, que esse tipo de troca era impossível: “Ela não pensa que tal possa ter acontecido, nem intencionalmente, nem por engano."

 

 

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