2014-06-20

Subject: O lado negro dos banhos de sol

 

O lado negro dos banhos de sol

 

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@ Nature/Oliver Strewe/Getty

O apelo de um dia solarengo na praia pode ser mais do que a mera promessa de diversão e descontracção: um estudo agora publicado relata que ratos expostos a raios ultravioleta (UV) revelam comportamentos semelhantes à dependência.

Os investigadores descobriram que os ratos repetidamente expostos à luz UV produziam um opióide chamado β-endorfina, que adormece a dor e está associado à dependência de drogas. Quando lhes foi fornecida uma substância que bloqueia o efeito dos opióides, os ratos também revelam sinais de carência, incluindo patas trémulas e ranger de dentes.

Se os resultados forem verdadeiros para humanos, sugerem uma explicação para a razão porque tantas pessoas continuam a procurar a luz do sol independentemente dos riscos e, em alguns casos, mesmo depois de lhes ter sido diagnosticado cancro de pele.

“Isto oferece um claro potencial mecanismo para a forma como a radiação UV pode ser compensadora e, por essa razão, potencialmente aditiva”, diz Bryon Adinoff, psiquiatra da dependência no Centro Médico da Universidade do Texas Southwestern em Dallas, que não esteve envolvido no estudo. “E isso é algo muito importante.”

O oncologista David Fisher, do Hospital Geral do Massachusetts em Boston,  ficou interessado na dependência da luz solar depois de estudar os mecanismos moleculares de produção de pigmento na pele após exposição à luz UV. No novo estudo, agora publicado na revista Cell, ele mostra que em ratos algumas células da pele também sintetizam β-endorfinas em resposta a doses baixas crónicas de luz UV.

A β-endorfina criada foi suficiente para aumentar a tolerância à dor em ratos e alterar o seu comportamento. Apesar de os ratos normalmente preferirem o escuro, os ratos expostos a luz UV procuravam uma gaiola brilhantemente iluminada se fossem ensinados a associar a gaiola mais escura a um tratamento com naloxona, uma substância que bloqueia a acção dos opióides. No entanto, ratos geneticamente incapazes de produzir β-endorfina não apresentavam estas alterações comportamentais.

Que fique claro, no entanto, que apesar de os ratos serem rapados para a experiência, são animais nocturnos e cobertos de pêlo cujas respostas ao sol podem não corresponder às dos humanos. Adinoff salienta que apesar de o estudo mostrar que os ratos recebem uma recompensa física pela exposição aos UV, não mostra que se tornaram dependentes.

Mais, os efeitos da β-endorfina não eram tão pronunciados como os que foram observados em estudos prévios com ratos que receberam morfina. Mesmo assim, Fisher diz que se os resultados se revelarem verdadeiros para o Homem, o impacto na sociedade pode ser muito maior pois a exposição ao sol afecta muito mais população do que as drogas opióides.

Durante anos, os investigadores têm-se mostrado interessados na razão porque as pessoas se bronzeiam compulsivamente. Adinoff e a sua equipa, por exemplo, mostraram que a exposição à luz UV aumenta o fluxo sanguíneo para os centros de recompensa do cérebro em humanos.

Ainda assim, Steven Feldman, dermatologista na Faculdade de Medicina da Universidade Wake Forest em Winston-Salem, Carolina do Norte, diz que o público é largamente desconhecedor do potencial de criação de dependência do bronzeamento. O trabalho de Fisher fornece pistas importantes: “Este trabalho estabelece um firme fundamento científico para algo que, se calhar, já devíamos saber mas não estávamos atentos à situação", diz ele.

Mesmo que se demonstre que o sol cria dependência, as pressões sociais ainda deverão compelir as pessoas, especialmente os jovens adultos, a tomar banhos de sol, salienta Feldman. “Estamos constantemente a dizer às pessoas para não se exporem ao sol", diz ele, “mas há uma impressão entre os adolescentes que têm maior probabilidade de conseguir sair no fim de semana se estiverem bronzeados.”

 

 

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