2014-06-18

Subject: Teste clínico sobre HIV debaixo de fogo

 

Teste clínico sobre HIV debaixo de fogo

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

O tratamento de pessoas com HIV avançou tanto que alguns médicos e activistas estão a apelar ao Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas americano (NIAID) que pare um teste que compara de que forma os protocolos mais antigos e recentes impedem as mães de transmitir o HIV aos seus filhos recém-nascidos.

O estudo Promoting Maternal–Infant Survival Everywhere (PROMISE) está a comparar três formas de fornecer medicamentos anti-retrovirais a mulheres grávidas: com o Opção B+ as mulheres recebem um cocktail de três medicamentos conhecido por terapia altamente activa anti-retroviral (HAART) e permanecem nele indefinidamente. Com o Opção A as mulheres tomam um único medicamento durante a gravidez e no Opção B recebem a terapia com três medicamentos mas terminam-na após o parto ou a amamentação, desde que as células imunitárias não tenham descido para níveis pouco saudáveis.

Mary Glenn Fowler, líder do teste e médico na Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore, Maryland, diz que o estudo irá fornecer evidências cruciais sobre se a exposição das grávidas ao tratamento anti-retroviral agressivo usado nas opções B e B+ as coloca, e aos seus bebés, em risco desnecessariamente. “É crucial ter a certeza que não estamos a fazer mal", diz ela.

Mas no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou que, onde fosse viável, todas as mulheres grávidas com HIV recebessem Opção B+. “O teste PROMISE tornou-se praticamente redundante", diz o médico Erik Schouten, que trabalha para a organização sem fins lucrativos Management Sciences for Health no Malawi, um dos 15 países em que o teste será conduzido.

No entanto, em Dezembro os líderes do grupo que conduz o estudo, a rede conhecida por International Maternal Pediatric Adolescent AIDS Clinical Trials, decidiram continuar o PROMISE mas parar outros testes perante um corte de 32% no seu orçamento. Em Maio, um painel de revisores independentes considerou que os resultados produzidos até ao momento justificavam a sua continuação. “Estamos entre o lume e a frigideira", diz Carl Dieffenbach, director da Divisão de SIDA do NIAID.

A opção B+ não foi submetida a nenhum teste clínico de grande dimensão que demonstrasse que protegia as crianças melhor que a opção B, reconhece Jennifer Cohn, directora médica dos Médicos sem Fronteiras em Genebra, Suíça. Mas “o movimento vai em direcção à simplificação do tratamento”, diz ela, e a opção B exige que sejam feitas escolhas sobre quando o tratamento deve ser recomeçado.

Em locais onde as instalações laboratoriais são escassas e as mulheres têm em média cinco ou seis filhos, os médicos têm muitas vezes dificuldade em seguir os protocolos que exigem testes a células imunitárias regulares e a retoma do tratamento se os seus níveis descem ou se as mulheres ficam grávidas novamente. Em parte por essa razão, países como o Uganda, Malawi, Tanzânia e Zâmbia optaram pela simplicidade da opção B+. Mas isso significa que algumas mulheres que participem no teste PROMISE receberão um tratamento menos agressivo do que o recomendado nos seus países.

“É inconcebível que grávidas infectadas com HIV devidamente informadas aceitem inscrever-se num estudo onde poderão receber tratamento inferior ao oferecido pelo seu ministério da saúde”, escreve o pediatra Arthur Ammann, fundador da Global Strategies de Albany, Califórnia, numa carta escrita a 7 de Junho aos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) em Bethesda, Maryland.

No entanto, Fowler diz que os ministros da saúde de todos os locais do teste PROMISE concordaram em continuar com o teste depois da OMS rever as suas directrizes, com excepção da Tanzânia, que ainda está a considerar a sua decisão.

Uma revisão de 2012 do desenho dos testes PROMISE encomendado pelos NIH concluiu que era ético continuar a testar os regimes antigos em países que agora usam a opção B+ pois não havia evidências, à data, de que a opção B+ fosse melhor.

Mas os responsáveis pela saúde pública acreditam que seja pois dá maior cobertura, logo a opção B+ é mais eficaz na protecção das crianças do que outros tratamentos. Segundo as estatísticas das Nações Unidas, o número de infecções com HIV em crianças até aos 14 anos reduziu-se a metade entre 2009 e 2012 no Malawi e na Zâmbia e, durante esse período, a opção B+ foi genericamente adoptado em ambos os países.

Dieffenbach diz ninguém, para além do painel de revisão independente, viu os dados do PROMISE, e eles dizem que o teste continua a fornecer informação útil. Ele também diz que qualquer plano para acabar com o teste garantirá que as grávidas alistadas continuarão a receber tratamento.

“Temos que pensar nestas coisas”, diz Dieffenbach, “como de que forma mudaríamos este teste numa forma que seja tanto útil para a investigação e lide de forma ética e respeitosa com estas mulheres.”

 

 

Saber mais:

Estudo testa estratégia para livrar crianças de HIV

Método de edição genética funciona contra HIV em teste clínico

Bloqueio do suicídio celular prometedor como terapia contra HIV

Esperanças de cura dos 'pacientes de Boston' arrasadas

Vacina contra HIV aumentou risco de infecção

Esforço para alcançar cura para SIDA acelera

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com