2014-06-17

Subject: Estudo testa estratégia para livrar crianças de HIV

 

Estudo testa estratégia para livrar crianças de HIV

 

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Quando uma criança nascida com HIV foi alegadamente 'curada' parecia demasiado bom para ser verdade. O sucesso, relatado pelos investigadores em Março de 2013 e posteriormente publicado na revista The New England Journal of Medicine, incendiou a esperança de que outros bebés pudessem beneficiar do mesmo regime agressivo de medicamentos que esta criança recebeu. 

Através de uma série de circunstâncias raras o baptizado ‘bebé do Mississippi' começou o tratamento tradicional contra o HIV 30 horas após o nascimento mas o potente cocktail de medicamentos foi abruptamente interrompido quando a criança tinha 18 meses.

Surpreendentemente, mesmo depois de o tratamento ter parado o plasma da criança continuou a dar sinais do vírus. O bebé tem agora mais de 3 anos de idade e permanece aparentemente livre da doença mas exactamente de que forma a criança venceu o vírus que provoca a SIDA permanece um mistério.

É aqui que entram os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Este mês os NIH espera lançar um estudo global que irá tentar replicar os resultados do bebé do Mississippi. Os investigadores tencionam identificar 54 crianças HIV-positivas e tratá-las com medicamentos anti-retrovirais tradicionais, começando o tratamento no espaço de 48 horas após o nascimento. A equipa tenciona alistar crianças HIV-positivas em 17 hospitais e clínicas americanos e 11 outros países, incluindo Haiti, Índia, Malawi, África do Sul e Tailândia.

Depois dos pacientes receberem os medicamentos agressivos durante um período longo (provavelmente os primeiros dois anos de vida), os investigadores interromperão a terapia se não conseguirem identificar vírus no sangue das crianças. Seguidamente, os bebés serão cuidadosamente monitorizados para ver se o vírus regressa. “Qualquer criança alistada terá o potencial de ser seguida durante 5 anos”, diz Ellen Gould Chadwick, um dos investigadores que lidera o teste clínico e professora de pediatria e doenças infecciosas na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern em Chicago. Se a infecção regressar, o tratamento será retomado.

“Tanto quanto sabemos não há vírus no bebé do Mississippi, logo consideramo-lo curado. Agora que temos um caso curado, o que é encorajador mas em medicina temos que ir mais além", diz Anthony Fauci, director executivo do Instituto Nacional para Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.

A gestão do HIV pode tornar-se um jogo de escondidas de apostas altas e para a vida. A bateria tradicional de medicamentos anti-SIDA pode ser bem sucedida a suprimir o HIV mas não elimina do corpo. O vírus hiberna em reservatórios de células memória T CD4+ de vida longa, reservatórios estes que resistem aos medicamentos mesmo com terapias de anos. Se os médicos conseguiram bloquear a infecção antes destes reservatórios se formarem (com um tratamento precoce e agressivo), então talvez os medicamentos possam acabar completamente com a infecção.

Até à data os investigadores permanecem pouco seguros sobre se o bebé do Mississippi e outros bebés HIV-positivos nascem sem estes reservatórios virais, o que implicaria que tratamento precoce bloquearia a sua formação, ou talvez sejam mais fáceis de eliminar que os dos adultos. Espera-se que este teste clínico ajude a encontrar as primeiras respostas para esta questão.

As crianças alistadas receberão um regime de 3 medicamentos que será aumentado com um quarto algumas semanas após o nascimento. Uma vez o tratamento ajude a criança a baixar os níveis do vírus durante pelo menos 3 meses, a criança receberá apenas 3 medicamentos até que os médicos interrompam o tratamento. Mas mesmo com o protocolo agressivo, Fauci considera “os benefícios da terapia avassaladoramente superiores ao risco de toxicidade", salientando que já há muitos casos de crianças com menos de um ou dois anos de idade.

Um dos melhores momentos do esforço global no combate ao HIV foi a redução da transmissão de mãe para filho. Se uma mãe HIV-positiva receber o cocktail potente de medicamentos durante a gravidez, a criança nasce sem a doença mais de 99% das vezes e mais de metade dessas mães recebem esse tratamento.

Mesmo quando uma mãe HIV-positiva não recebe tratamento durante a gravidez, a sua criança ainda pode nascer sem doença pois a taxa de transmissão de mãe para filho rondam 15 a 45%, logo os investigadores terão que alistar muitas crianças para o estudo antes de confirmarem a infecção pelo HIV.

Foi há uns meros 33 anos que que o vírus da SIDA foi catapultado para a consciência pública. Essa primeira menção surgiu na newsletter semanal do Centro de Controlo de Doenças americano. Nela detalhava-se uma rara infecção pulmonar parasítica em "cinco homens jovens, todos homossexuais activos". Desde então, o HIV infectou perto de 75 milhões de pessoas em todo o mundo, levando à morte de 36 milhões delas.

 

 

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