2014-06-13

Subject: Dinossauros nem de sangue quente, nem de sangue frio

 

Dinossauros nem de sangue quente, nem de sangue frio

 

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@ Nature/DEA Picture Library/Getty

Os dinossauros nem eram lentos como lagartos, nem altamente energéticos como mamíferos mas antes algo intermédio, sugere um novo estudo agora conhecido.

O trabalho defende um raro terreno intermédio no debate de longa data sobre se os dinossauros eram ectotérmicos de sangue frio, que usam o ambiente para ajustar a sua temperatura interna, ou endotérmicos de sangue quente, que têm um controlo interno da temperatura corporal. “Há uma terceira possibilidade", diz John Grady, biólogo na Universidade do Novo México em Albuquerque.

Actualmente, o terreno intermédio está ocupado por animais como o atum, os tubarões lamnídeos ou as tartarugas-de-couro. Estudando a forma como estes animais controlam a temperatura corporal pode ajudar a revelar como os dinossauros o faziam há milhões de anos, diz Grady. Os mesotérmicos consomem energia para regular a temperatura do corpo mas não mantêm uma temperatura constante, como um mamífero ou uma ave fariam. O atum, por exemplo, permanecem até 20°C mais quentes do que a água que os envolve, excepto quando mergulham profundamente em águas frias, momento em que a sua taxa metabólica também cai a pique.

Para determinar onde no espectro metabólico se posicionam os dinossauros, Grady compilou uma base de dados de taxas de crescimento de 381 animais, incluindo 21 dinossauros. A análise, publicada na última edição da revista Science, recolheu dados de outros estudos que estimaram taxas de crescimento de várias formas. Para os dinossauros, que incluíram técnicas como a contagem de anéis de crescimento de ossos fossilizados para estimar a idade de um indivíduos e a medição do comprimento dos ossos para estimar a massa total. Os animais incluíam desde crocodilos de crescimento lento a cavalos de crescimento rápido.

A equipa comparou então a velocidade com que cada animal cresce com a quantidade de energia que consome e descobriu que os mamíferos, que crescem dez vezes mais rapidamente que os répteis, também tinham taxas metabólicas dez vezes superiores. Os investigadores usaram essa informação para inferir as taxas metabólicas dos dinossauros e concluíram que estes ficariam a meio da escala, num estado que a equipa de Grady apelidou de mesotermia.

Esta capacidade para pairar entre os mundos de sangue frio e de sangue quente pode ter dado aos dinossauros uma vantagem ecológica, diz Grady. Eles podem ter sido capazes de se deslocar pela paisagem mais rapidamente que um crocodilo mas exigiriam menos alimento que um mamífero de tamanho semelhante. 

“O facto de os dinossauros terem sido basicamente dominantes durante 130 milhões de anos diz muito sobre o facto de terem tido alguns truques a seu favor”, diz Grady.

O rápido metabolismo dos mamíferos e das aves provavelmente evoluiu ao longo de milhões de anos, essencialmente depois dos dinossauros mesotérmicos, diz Stephen Brusatte, paleontólogo na Universidade de Edimburgo, Reino Unido. Muitas aves modernas chocam e crescem até ao tamanho adulto no espaço de semanas mas os primeiros fósseis de aves, como o Archaeopteryx, aparentemente cresciam muito mais lentamente.

O estudo é uma importante contribuição para a compreensão da forma como os dinossauros cresciam, diz Gregory Erickson, paleontólogo na Universidade Estadual da Florida em Tallahassee. Revisita “a forma como os animais vivos crescem de forma muito mais rigorosa”, diz ele, “e torna possível olhar para os animais vivos e dizer quais deles são mais parecidos com os dinossauros, o que é muito fixe".

Grady quer testar as suas ideias estudando fósseis de dinossauros de regiões polares, como o Alasca. Ele espera comparar medições isotópicas em ossos, que alguns dizem indicar a temperatura corporal do animal. As temperaturas baixas teriam, em princípio, exagerado as diferenças nos diferentes tipos de termorregulação, diz ele, tornando mais fácil perceber que quantidade de energia cada espécie consumia.

 

 

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