2014-06-12

Subject: Origem da raposa do árctico seguida até ao Tibete

 

Origem da raposa do árctico seguida até ao Tibete

 

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@ Nature/Matthias Breiter/Minden Pictures/FLPA

Pensava-se que a raposa do árctico Vulpes lagopus tinha evoluído na Europa à medida que o gelo se expandia durante um período glacial que cobriu a Terra há 2,6 milhões de anos mas as evidências do registo fóssil vêm agora sugerir que os animais se pré-adaptaram a viver no ambiente frio e agreste nos terrenos tibetanos.

Enquanto caminhava pelas montanhas tibetanas, Xiaoming Wang, paleontólogo de vertebrados no Museu de História Natural de Los Angeles County na Califórnia, tropeçou em alguns ossos de mandíbula e dentes em rochas localizadas acima dos 4730 metros acima do nível do mar.

Os fósseis, escavados nas bacias Zanda e Kunlun Pass no planalto tibetano, não correspondem a nenhuma das cerca de 20 espécies conhecidas de raposas, logo representam uma nova espécie, relata Wang na última edição da revista Proceedings of the Royal Society B. A equipa baptizou a espécie Vulpes qiuzhudingi, em honra de Qiu Zhuding, proeminente paleontólogo na Academia Chinesa de Ciências em Pequim.

A maior parte das raposas é omnívora mas os dentes da V. qiuzhudingi são típicos de um animal essencialmente carnívoro característico de predadores que vivem em ambientes extremamente frios, incluindo ursos polares, raposas do árctico e lobos do árctico: “A nova espécie tibetana e a raposa do árctico revelam espantosas semelhanças nas suas adaptações dentárias para uma alimentação carnívora extrema”, diz Wang.

Os espécimes foram escavados em rochas com cerca de 3,6 a 5,1 milhões de anos. “São os primeiros fósseis do tipo de raposa do árctico a serem encontrados fora de regiões árcticas e são anteriores aos registos mais antigos em 3 a 4 milhões de anos", diz Wang. “O cenário parece claro de que temos um ancestral das raposas do árctico no alto Tibete.”

Mikael Fortelius, paleontólogo evolutivo na Universidade de Helsínquia, diz que a raposa do árctico é apenas um dos vários ícones da idade do gelo cuja ancestralidade é seguida até ao planalto tibetano, tal como o rinoceronte peludo Coelodonta thibetana e o leopardo das neves Uncia uncia. O estudo “fornece um forte apoio à hipótese 'out of Tibete'”, que propõe que os animais se adaptaram ao clima frio no Tibete e depois se espalharam para outras partes do mundo à medida que o seu habitat se expandia durante a idade do gelo, diz Fortelius.

Mas nem todos estão convencidos: “As evidências de que a raposa do árctico seja outro descendente tibetano não são particularmente fortes”, diz Lars Werdelin, paleontólogo de vertebrados no Museu de História Natural da Suécia em Estocolmo.

O facto de esta espécie tibetana e a raposa do árctico serem as duas únicas carnívoras extremas entre todas as espécies de raposa não sugere necessariamente que uma tenha dado origem à outra, diz ele. “É igualmente plausível que a característica tenha evoluído independentemente em resposta a condições climáticas semelhantes.”

O enorme espaço de tempo sem evidências no registo fóssil torna difícil saber qual é o cenário correcto, diz Werdelin. “Precisamos de materiais muito mais recentes, de preferência com 1,5 a 2 milhões de anos, para identificar uma relação filogenética entre eles.”

 

 

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