2014-06-10

Subject: Possível ancestral da bactéria causadora da doença de Lyme encontrado em carraça fóssil

 

Possível ancestral da bactéria causadora da doença de Lyme encontrado em carraça fóssil

 

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@ Nature(/George Poinar, Jr./Oregon State University

Evidências antigas de um inimigo familiar emergiram de uma carraça fóssil infestada com o que parecem ser espiroquetas, um grupo de bactérias de forma espiralada responsável por muitas doenças humanas. 

As espiroquetas em questão assemelham-se muito às actuais Borrelia, o género bacteriano responsável pela doença de Lyme. A descoberta, recentemente descrita na revista Historical Biology, poder fornecer pistas sobre a história evolutiva do agente patogénico causador da doença de Lyme que actualmente assola o Homem mas é igualmente notável pela sua novidade.

“Esta é a primeira evidência de espiroquetas numa carraça fóssil anterior ao Homo”, explica George Poinar, Jr., paleoentomólogo e parasitólogo na Universidade Estadual do Oregon e autor do novo artigo. Apesar de a doença de Lyme não existir nessa época, as espiroquetas na carraça fóssil provavelmente terão contribuído para a variabilidade genética das 12 ou mais espécies de Borrelia que causam a Lyme e outras doenças semelhantes na actualidade, diz ele.

Os parasitas representam pelo menos metade de todas as espécies animais modernas e essa distribuição já devia corresponder à verdade há milhões de anos. “De certa forma, esta descoberta não é surpreendente dado que virtualmente todas as espécies do planeta são parasitadas”, diz Armand Kuris, parasitologista na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, que não esteve envolvido no estudo. Evidências destas associações parasita/hospedeiro são difíceis de encontrar, no entanto: “Em termos de encontrar qualquer tipo de documentação física no registo fóssil, isso é muito raro, especialmente para agentes patogénicos microbianos", diz Kuris says. “É isso que torna este artigo tão interessante."

A carraça contendo espiroquetas, um indivíduo juvenil, surgiu num pedaço de âmbar com 15 a 20 milhões de anos, juntamente com três outras carraças jovens que não continham espiroquetas. Poinar adquiriu o espécime há perto de 25 anos durante uma visita à República Dominicana. Só recentemente olhou para o pedaço com um potente microscópio composto, aumentando o espécime mil vezes e só aí se apercebendo das minúsculas carraças que continha.

Tal como as modernas, as carraças antigas provavelmente ficaram infectadas com as espiroquetas ao alimentar-se do sangue de vertebrados infectados. Permanece um mistério, no entanto, quais seriam esses hospedeiros que serviram como reservatório natural para as espiroquetas. Ancestrais dos actuais jaguares, pica-paus e solenodons são alguns dos potenciais hospedeiros portadores de espiroquetas que vivam na mesma floresta quente e húmida que a carraça.

Poinar, no entanto, pensa que é mais provável que a carraça tenha herdado as espiroquetas da sua mãe através de um processo conhecido por transmissão vertical e não de um reservatório animal. Ele não encontrou evidências de que o jovem aracnídeo se tenha alimentado de sangue antes do seu encontro fatal com a resina que se transformou em âmbar.

Poinar colocou a recém-descoberta bactéria num novo género, baptizando-a como Palaeoborrelia dominicana. Ele não tentou analisar o DNA antigo para confirmar se a bactéria é ou não aparentada com as modernas Borrelia pois os testes destruiriam o espécime. Assim, é impossível saber até que ponto, de alguma coisa, as espiroquetas antigas são aparentadas com as Borrelia contemporâneas mas a sua morfologia e localização no sistema digestivo da carraça indicam que deve ter ligações. “A lógica e todas as outras evidências dizem que pode muito bem ser uma espiroqueta parente da Borrelia”, diz Kuris, “mas não podemos ter a certeza existem outros parasitas espiroquetas que usam as carraças como vectores."

As evidências mais antigas da doença de Lyme datam de há 5300 anos, numa múmia que continha material genético de Borrelia mas as origens evolutivas da doença são desconhecidas. A doença de Lyme é uma das muitas doenças humanas causadas por espiroquetas, pelo que, mesmo que esta doença tenha origem recente, os nossos problemas com estas bactérias devem ser muito mais antigos. Quando o Homo sapiens entrou em cena, há cerca de 200 mil anos, especula Pointer, as carraças e as suas espiroquetas estariam à espera. “Estou convencido que sofremos com problemas causados por espiroquetas e carraças desde que nos conhecemos como tal."

 

 

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