2014-06-09

Subject: Rãs urbanas usam esgotos como megafones

 

Rãs urbanas usam esgotos como megafones

 

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@ Nature/Brandon Po-Han Chou/National Taiwan University

Uma minúscula rã arborícola para estar a usar os canos de drenagem das cidades para amplificar as suas serenatas para atrair fêmeas. Numa pesquisa agora publicada na revista Journal of Zoology, os investigadores descobriram que a rã arborícola de Mientien, nativa de Taiwan, se congrega nos canos de drenagem de águas pluviais à beira da estrada durante a época de acasalamento.

Os registos áudio revelaram que as canções de acasalamento das rãs no interior das estruturas eram mais ruidosas e mais longas do que as dos seus rivais menos entendidos nas lides urbanas, que se reuniam em terrenos próximos dos esgotos.

“Este é provavelmente o primeiro estudo a mostrar que um animal usa preferencialmente estruturas de origem humana para potencialmente reforçar os sons da sua comunicação vocal", diz Mark Bee, biólogo na Universidade do Minnesota, Twin Cities, em St Paul. “Estes machos podem estar a tirar partido da acústica melhorada dos canos de drenagem para vencer os seus competidores."

A capacidade das rãs para amplificar as suas vozes é um fenómeno conhecido: em 2002, investigadores demonstraram que o macho das rãs Metaphrynella sundana do Bornéu usa cavidades de árvores ocas presentes no seu habitat natural para aumentar o volume dos seus chamamentos.

Neste último estudo, uma equipa liderada pelo zoólogo Yu-Teh Kirk Lin, da Universidade Nacional de Taiwan em Taipé, estudou as rãs arborícolas Kurixalus idiootocus de um subúrbio arborizado de Taipé durante a época de acasalamento, que dura de Fevereiro a Setembro.

Os machos desta espécie realizam um ritual conhecido por lekking e formam grupos (ou leks) durante a época de acasalamento para competir pelas fêmeas com um comportamento de corte, neste caso, cantando. A equipa de investigadores descobriu que as rãs arborícolas urbanas usavam os canos de betão abertos do sistema de drenagem de águas pluviais como locais para leks, drasticamente diferentes dos presentes nos seus habitats naturais, onde se reúnem em lagos.

Aleatoriamente, os investigadores estabeleceram 11 zonas de 10 metros de comprimento e 0,5 metros de largura no interior dos canos e secções adjacentes de terreno no exterior dos canos com 10 metros de lado, com o objectivo de serem monitorizados depois do escurecer, quando as rãs iniciam as suas canções de acasalamento.

Descobriram que as rãs seleccionavam os esgotos para realizar os seus chamamentos de acasalamento com maior frequência do que escolhiam outras localizações, em média 1,64 machos por metro quadrado (pouco mais de 7 anfíbios por local) foram encontrados no interior dos canos e apenas 0,02 machos por metro quadrado (perto de dois por local) no exterior.

Os chamamentos emitidos a partir do interior dos canos de drenagem eram mais altos e mais longos que os do exterior, ambas características importantes como critérios de selecção de parceiro pelas fêmeas criteriosas de muitas espécies de rãs, diz Lin. Ainda que impossível de distinguir pelo ouvido humano, software de análise acústica revelou que os chamamentos dos canos são cerca de 4 decibéis mais altos do que os do exterior. O comprimento de todas as 13 notas da canção de uma rã era 10% maior quando o chamamento era emitido a partir do interior dos canos de drenagem.

No entanto, o estudo não avaliou se estes machos tinham realmente mais sucesso romântico que os seus parceiros no exterior. Os autores consideram necessários mais estudos para confirmar que os machos se deslocam para o interior dos canos especificamente para amplificar os seus chamamentos de acasalamento.

Bee salienta que podem existir outras razões, como o evitar dos predadores, para as rãs procurarem as estruturas de origem humana, pelo que as hipóteses alternativas ainda precisam de ser eliminadas.

 

 

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