2014-06-05

Subject: Limite de velocidade a navios pode salvar baleias-francas

 

Limite de velocidade a navios pode salvar baleias-francas

 

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@ Nature/Brian J. Skerry/National Geographic/Getty Images

Limites de velocidade aplicados aos navios podem ter ajudado a salvar as baleias-francas do Atlântico norte de uma morte por colisão, sugerem estudos realizados tanto pelo governo americano como por investigadores independentes, pelo que as organizações conservacionistas estão a ir a tribunal pedir a expansão das áreas onde as medidas de protecção são aplicadas.

As baleias-francas do Atlântico norte Eubalaena glacialis são dos mamíferos marinhos mais ameaçados de extinção, pois, apesar da recente tendência positiva, restas apenas 450 delas. Os navios são os maiores matadores de baleias conhecidos e a redução da sua velocidade foi significativamente associada a uma redução nas colisões e mortes.

Assim, em 2008 o governo americano introduziu zonas de limite de velocidade conhecidas por áreas de gestão sazonal (AGS). Dados históricos mostram que o efectivo de baleias está concentrado em áreas particulares na costa leste americana em certos momentos, como durante a época de nascimento das crias. Nesses momentos, o tráfego de navios nas AGS em volta dos principais portos e territórios de alimentação, nascimentos e amamentação não pode viajar a mais de 18,5 km por hora.

No mês passado, uma equipa liderada por Julie van der Hoop, oceanógrafa biológica na Instituição Oceanográfica Woods Hole no Massachusetts, publicou uma análise sobre a morte de baleias-francas devidas a colisões com navios entre 1990 e 2012. Os investigadores descobriram que nas zonas posteriormente designadas AGS, as mortes decresceram significativamente, de 2 por ano em 2000–06 para cerca de 0,33 por ano em 2007–12. Van der Hoop diz que também devem estar em jogo outros factores, dado que o decréscimo começou antes da designação de AGS mas, acrescenta ela, “estamos a caminhar na direcção certa em termos de lidar com a questão da mortalidade.”

Mas o estudo também descobriu que antes de 2008 apenas 36% das mortes por colisão com navios ocorreram em zonas que se tornariam AGS. Cerca de 32% das mortes ocorreram fora dessas zonas, incluindo rotas de migração não protegidas, mas durante as alturas do ano em que as AGS estariam em efeito. “É desencorajador apercebermo-nos de áreas onde há muito mortalidade que estão actualmente desprotegidas", diz van der Hoop.

Um desafio crucial na protecção às baleias, e na análise dos efeitos das medidas de protecção, é que o cumprimento das regras das AGS é muito baixa. Num estudo agora publicado na PeerJ, os investigadores seguiram remotamente as velocidades de mais de 8 mil navios que viajavam em AGS entre 2008 e 2013. Gregory Silber, biólogo que lidera as actividades de recuperação de grandes cetáceos para a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) em Silver Spring, Maryland, descobriu que nos primeiros dois anos das restrições de velocidade nas AGS os navios apenas as cumpriam em 4% das viagens. Em 2013, após sucessivos programas de notificação dos navios e seus operadores das restrições e da sua aplicação, o cumprimento subiu para quase 24%.

Os esforços de notificação incluíram cartas enviadas pela NOAA para os operadores dos navios, relatórios mensais sobre a velocidade dos navios e contactos rádio directos com os navios. No entanto, e sem surpresa, a melhoria mais efectiva veio das multas por falta de cumprimento dos limites de velocidade estabelecidos.

Os grupos ambientalistas têm vindo a pressionar para expandir as protecções às baleias-francas, uma posição que consideram apoiada por investigações governamentais e independentes.

A 10 de Abril, o Centro para a Diversidade Biológica (CDB) de Tucson, Arizona, juntou-se a três outras organizações (a Humane Society dos Estados Unidos, os Defensores da Vida Selvagem e a Conservação de Baleias e Golfinhos) para instaurar um processo judicial federal apelando ao governo para que aumente o espaço designado habitat cr+itico para as baleias sob a Acta de Espécies Ameaçadas americana. Actualmente, as baleias têm pouco mais que 10 mil quilómetros quadrados de habitat crítico e o CDB pede cerca de 130 mil. A NOAA está obrigada por lei a responder formalmente até 10 de Junho.

Sarah Uhlemann, advogada principal do CDB no caso, diz que essa designação é um primeiro passo crítico pois pode reduzir ou eliminar a expansão das actividades que ameaçam as baleias, como por exemplo o uso de equipamento de pesca que pode aprisionar baleias no interior do habitat crítico. A designação pode salientar áreas chave que podem ser protegidas por medidas mais robustas, incluindo o estabelecimento de AGS.

Os grupos deram início à petição para a expansão do habitat crítico em 2009. Logo depois, a NOAA reconheceu a necessidade de expansão da protecção mas a agência ainda não propôs uma regra para aí chegar. “O processo é para os obrigar a despacharem-se", diz Uhlemann. “Esperamos que a agência avance e diga 'sim, têm razão, vamos faze-lo'.”

 

 

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