2014-06-02

Subject: Sapos tóxicos podem ser desastre ecológico em Madagáscar

 

Sapos tóxicos podem ser desastre ecológico em Madagáscar

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Paul Sutherland/National Geographic/Getty Images

A vida selvagem única de Madagáscar está a enfrentar uma invasão de sapos tóxicos que pode devastar as espécies nativas da ilha: cobras que se alimentam dos sapos estão especialmente em risco de envenenamento, bem como muitos outros animais únicos da ilha como lémures e aves endémicas, e até mesmo o Homem não está a salvo.

Numa carta à revista Nature recentemente publicada, 11 investigadores alertam para a observação de sapos asiáticos Duttaphrynus melanostictus perto de Toamasina, o maior porto da ilha, em Março. Suspeita-se que os anfíbios tenham chegado da Ásia em contentores marítimos e estejam agora a tirar partido do que os autores descrevem como “recursos e clima ideais" para se estabelecerem.

“O tempo escasseia, pelo que estamos a emitir um apelo urgente à comunidade conservacionista e aos governos para que previnam este desastre ecológico", dizem Jonathan Kolby, investigador de saúde da vida selvagem na Universidade James Cook em Townsville, Austrália, e os seus colegas.

A descoberta dos anfíbios invasores recorda a praga australiana dos sapos dos canaviais Rhinella marina. Estes animais, parentes do sapo asiático, foram introduzidos deliberadamente na Austrália em 1935, onde devastaram as populações animais nativas e se espalharam pela maior parte do país, desafiando tentativas de os erradicar. Kolby e os seus colegas alertam que algo semelhante pode acontecer em Madagáscar.

Os sapos já se revelaram mortais para cobras, incluindo a boa Acrantophis spp., endémica da ilha, relata Kolby na carta à Nature. Estabelecendo paralelos com a situação do sapo dos canaviais, ele alerta para o facto de mais de 50 espécies endémicas de cobras poderem estar ameaçadas pois é provável que se alimentem dos sapos tóxicos. Espécies icónicas de Madagáscar como os fossa Cryptoprocta ferox, lémures e aves endémicas também estão ameaçadas. Para além disso, os sapos podem propagar doenças a outros anfíbios e até mesmo contaminar a água potável e transmitir parasitas ao Homem.

A espécie ainda não está largamente disseminada em Madagáscar mas já foi encontrada a meros 25 km de importante reserva natural de Betampona e a pouco mais de outros pontos quentes de biodiversidade de importância internacional. Não é claro a que velocidade consegue viajar mas os sapos dos canaviais chegaram a expandir o seu território à taxa de 50 km ao ano.

A tragédia potencial não está restrita a Madagáscar: “Há um enorme risco de dispersão destes sapos, a partir de Madagáscar, para outras ilhas do Índico, como as Mascarenhas, Comoros e Seychelles”, diz Kolby.

Os sapos já estão a ser recolhidos e retirados, diz ele, e a Madagasikara Voakajy, uma organização não governamental de Antananarivo devotada à protecção da biodiversidade, está a seguir a propagação dos anfíbios. Os sapos devem ser caçados, a sua prole destruída e os lagos drenados para bloquear a sua reprodução, diz Kolby. “Ainda estamos nos primeiros estádios do crescimento populacional", pelo que um programa de erradicação deve ser desenvolvido rapidamente, “enquanto as populações ainda são relativamente pequenas e manejáveis".

Mark Hoddle, director do Centro de Investigação de Espécies Invasoras da Universidade da Califórnia, Riverside, salienta que para ser considerada invasora, uma espécie não nativa tem que estabelecer uma população reprodutora que se espalhe e provoque danos ambientais e económicos. Nesta base, pode ser demasiado cedo para declarar o sapo asiático em Madagáscar uma espécie problemática, diz ele, mas existem “muito boas razões para estar preocupado".

 

 

Saber mais:

Relatório segue ameaça de invasão na Europa

Epigenética importante para o sucesso evolutivo

Pistas genéticas para plantas invasoras e ameaçadas

Expulsar espécies para salvar ecossistemas?

Espécies invasoras têm impacto retardado

Sapos dos canaviais estão a evoluir para super-invasores

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com