2014-06-01

Subject: Evolução silencia grilos

 

Evolução silencia grilos

 

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Populações de um grilo macho que vivem em ilhas havaianas diferentes perderam a sua capacidade de produzir os seus chamamentos característicos em resultado de adaptações evolutivas separadas mas simultâneas nas suas asas.

As alterações, que permitem aos insectos evitar atrair uma mosca parasita, ocorreram de forma independente em apenas 20 gerações e são visíveis a olho nú, revela o estudo agora conhecido.

As descobertas podem ajudar a lançar luz sobre as primeiras etapas da evolução convergente, quando grupos ou populações diferentes desenvolvem adaptações semelhantes em resposta à selecção natural.

Os grilos Teleogryllus oceanicus macho são conhecidos pelo seu chamamento, que é produzido ao roçar as asas uma na outra. As veias das asas formam estruturas especiais que originam as vibrações que ouvimos como a canção dos grilos: “O mecanismo é algo como passarmos a unha nos dentes de um pente", explica o líder do estudo Nathan Bailey, biólogo evolutivo na Universidade de St Andrews, Reino Unido.

As serenatas nocturnas atraem as fêmeas e facilitam a reprodução mas, infelizmente para os machos no Havai, o som também atrai uma mortífera mosca parasita Ormia ochracea. As larvas da mosca enterram-se no grilo e crescem no seu corpo, matando o seu hospedeiro ao emergirem cerca de uma semana depois.

Ambas as espécies terão provavelmente chegado ao Havai no final do último século, o grilo vindo da Oceânia e e mosca da América do Norte. Para se protegerem do seu novo inimigo, grande número de grilos macho da ilha havaiana de Kauai rapidamente deixaram de cantar.

A alteração parece ter sido causada por uma mutação que alterou a forma das asas, tornando-as incapazes de produzir os sons habituais. O feito foi alcançado em menos de 20 gerações, um mero piscar de olhos evolutivo, e, dado que os grilos vivem apenas algumas semanas, num processo muito rápido.

Em 2003, um estudo feito por Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia, Riverside, descobriu que até 95% dos grilos macho em Kauai já não eram capazes de cantar. A mutação tinha eliminado praticamente todas as estruturas das asas que ajudavam a produzir som, deixando as asas achatadas mas ainda capazes de voar.

Apenas dois anos depois, em 2005, os grilos macho da ilha de Oahu, a 101 km de Kauai, também começaram a ficar silenciosos. Actualmente cerca de metade dos machos de Oahu não cantam, descobriu Bailey.

A sua equipa ficou intrigada pela existência de mutantes silenciosos em mais de uma população e suspeitaram que as asas achatadas teriam simplesmente migrado de Oahu para Kauai, quem sabe à boleia de navios e aviões.

No entanto, veio a saber-se que ainda que os grilos de Oahu também tivessem asas achatadas, estas eram muito diferentes das dos seus vizinhos de Kauai. A diferença é notória mesmo a olho nu, com os grilos de Oahu a perder muito menos estruturas produtoras de som do que os de Kauai.

No seu estudo, agora publicado na revista Current Biology, Bailey e a sua equipa analisou os genomas dos grilos de ambas as ilhas usando uma técnica que corta o DNA em pequenos fragmentos e depois detecta centenas de milhar de marcadores genéticos. Os marcadores genéticos associados às asas achatadas eram muito diferentes nas populações de Kauai e Oahu. “Isso significa que porções mutadas diferentes do genoma originam asas achatadas nos machos de cada população", diz Bailey.

Estas evidências sugerem que as mutações ocorreram independentemente nas duas ilhas, tornando os grilos havaianos silenciosos “um excelente exemplo de evolução convergente”, diz o biólogo evolutivo Richard Harrison, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.

Apesar das evidências a favor da evolução convergente puderem ser vistas por todo lado no mundo natural, é difícil apanhá-la em acção. O estudo mostra que soluções convergentes superficialmente semelhantes para ataques por parasitas atraídos pelo som “podem evoluir de formas radicalmente diferentes”, diz Tom Tregenza, ecologista evolutivo na Universidade de Exeter, Reino Unido. “O genoma pode criar resultados semelhantes usando conjuntos muito diferentes de genes.”

A equipa de Bailey está agora a trabalhar para identificar os genes envolvidos e compreender de que forma eles interagem com o resto do genoma do grilo.

Tregenza diz que, para além de identificar os genes, outra “excitante via de investigação futura” será investigar de que forma a perda do canto afecta a capacidade das fêmeas para escolher os seus parceiros e as consequência disso para a evolução da população.

 

 

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