2014-05-26

Subject: O mistério do genoma gelatinoso

 

O mistério do genoma gelatinoso

 

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@ Nature/Leonid L. Moroz/Mathew Citarella

Os ctenóforos têm o aspecto de pequenas bolas de discoteca e deslocam-se pelos oceanos usando cílios especializados e capturando pequenas presas com os seus tentáculos pegajosos: “Parecem alienígenas que vieram para a Terra", diz Leonid Moroz, neurocientista na Universidade da Florida em St Augustine.

O genoma do ctenóforo do Pacífico Pleurobrachia bachei, que Moroz e a sua equipa descrevem na última edição da revista Nature, apenas vem acrescentar ao mistérios destes animais gelatinosos, pois a sequência omite classes inteiras de genes que podem ser encontrados em todos os outros animais, incluindo genes normalmente envolvidos na imunidade, desenvolvimento e função neural. Por essa razão, os investigadores defendem que os ctenóforos desenvolveram um sistema nervoso de forma independente dos outros animais.

Os ctenóforos há muito que vexam os taxonomistas. A sua semelhança com as medusas e alforrecas valeu-lhes um lugar de grupo irmão dos cnidários na árvore da vida. Com base no seu sistema nervoso, capaz de detectar luz, sentir as presas e mover musculatura, muitos investigadores colocavam-nos como divergindo do ancestral comum dos animais logo após as esponjas e os placozoários, nenhum dos quais tem sistema nervoso. 

Mas agora, armados com dados que mostram que os ctenóforos não têm muitos dos genes mais comuns, alguns cientistas defendem que este grupo representa os parentes vivos mais próximos dos primeiros animais.

A equipa de Moro defende que o genoma do P. bachei, bem como dados de expressão genética de outros ctenóforos, apoiam esta teoria. Por exemplo, o microRNA, que regula a expressão genética noutros animais, está completamente ausente do genoma deste ctenóforo.

A maior surpresa, diz Moroz, foi a ausência de muitos componentes padrão de um sistema nervoso. 

Praticamente todos os sistemas nervosos conhecidos usam os mesmos dez neurotransmissores primários mas o P. bachei parece empregar apenas um ou dois. Moroz especula que o organismo pode completar o seu sistema nervoso usando moléculas que os investigadores ainda não encontraram na espécie, como hormonas proteicas especializadas.

A unicidade dos sistema nervoso deste ctenóforo leva Moroz e a sua equipa a defender que deverá ter evoluído independentemente, após a linhagem dos ctenóforos ter divergido dos outros animais, há cerca de 500 milhões de anos: “Todos pensam que este tipo de complexidade não pode ser alcançado duas vezes mas este animal sugere que isso acontece", diz Moroz.

Gert Wörheide, geobiólogo evolutivo na Universidade Ludwig Maximilian em Munique, Alemanha, está intrigado pela teoria de que o sistema nervoso evoluiu duas vezes em diferentes ramos da árvore filogenética animal mas contesta que os ctenóforos sejam os parentes mais próximos dos primeiros animais.

O ancestral comum de todos os animais pode muito bem não se ter parecido nada com ctenóforos e o sistema nervosos do P. bachei pode ser uma adaptação mais recente, diz ele: "Penso que a última palavra ainda não foi dita sobre a real posição dos ctenóforos na árvore da vida." 

 

 

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