2014-05-21

Subject: Esqueleto mexicano fornece pistas para ancestralidade americana

 

Esqueleto mexicano fornece pistas para ancestralidade americana

 

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@ Nature/Paul Nicklen/National Geographic

O esqueleto praticamente intacto de uma adolescente delicada que morreu há mais de 12 mil anos no que actualmente é o México pode ajudar a deslindar o enigma da forma como as Américas foram inicialmente povoadas.

Mergulhadores cavernícolas descobriram o esqueleto há sete anos num complexo de grutas inundadas conhecido como Hoyo Negro, nas selvas da península do Iucatão. Baptizaram a rapariga Naia, como as náiades, as ninfas aquáticas da mitologia grega. Ela está numa câmara colapsada juntamente com os vestígios de 26 outros grandes mamíferos, incluindo um tigre dente-de-sabre, a 600 metros do poço mais próximo. A maioria desses mamíferos extinguiram-se há cerca de 13 mil anos.

A análise dos vestígios, a maioria dos quais permanece na gruta submersa onde foram encontrados, sugere que os nativos americanos actuais são descendentes dos primeiros paleoamericanos, que migraram da Sibéria no final do último período glacial. Uma teoria alternativa mantinha, pelo contrário, que um misterioso e mais recente influxo tinha trazido novas populações do leste asiático.

“Naia, e os outros animais, terão caído por um poço escondido 30 metros para para um lago raso", diz o paleontólogo James Chatters, da Paleociência Aplicada em Bothell, Washington, que liderou o estudo agora publicado na revista Science. “Não teriam tido qualquer hipótese de sair." A pélvis partida do esqueleto de outra forma intacto de Naia é provavelmente o resultado dessa queda, diz ele.

Era impossível recuperar de forma segura o corpo da sua localização na caverna, pelo que a equipa de investigadores realizou as medições in situ. Colocaram o crânio num tripé rotativo e colocaram a câmara num segundo tripé a seu lado. Virando lentamente o crânio, tiraram fotografias a cada 20º e, posteriormente, usaram-nas para reconstruir uma imagem tridimensional.

Naia, calculam eles, teria cerca de metro e meio de altura. O seu crânio, com a sua face pequena, angular e projectada, e testa pronunciada, era semelhante aos dos primeiros fósseis de paleoamericanos de há mais de 10 mil anos, a maioria dos quais foram encontrados no Pacífico noroeste. Os seus dentes e desenvolvimento ósseo sugerem que teria 15 a 16 anos de idade.

Os mergulhadores também recuperaram dois dentes, uma costela e uma amostra dos depósitos minerais que tinham crescido na superfície dos ossos. Usando dois métodos independentes para datar os vestígios, os autores dataram por carbono o esmalte dos dentes e mediram a razão de urânio e tório nos depósitos minerais. Naia terá, concluíram eles, entre 12 e 13 mil anos.

O DNA mitocondrial para a sua análise genética proveio de um dos seus dentes e revelou assinaturas genéticas comuns com os nativos americanos modernos, apesar do seu crânio muito diferente.

“Nunca podemos nunca excluir que os nativos americanos têm mais de um grupo de ancestrais", diz Chatters. Mas os dados da sua equipa, salienta ele, são consistentes com a ideia de que os nativos americanos evoluíram de ancestrais siberianos.

“Ajuda a apoiar a visão consensual, de evidências arqueológicas, genéticas e linguísticas, que as Américas foram inicialmente povoadas há 15 a 20 mil anos, a partir da Sibéria", diz o geneticista humano Chris Tyler-Smith, do Instituto Wellcome Trust Sanger de Cambridge, Reino Unido.

Segundo esta teoria largamente aceite, as Américas foram povoadas por ancestrais siberianos que atravessaram a ponte de terra de Bering que, à época, ligava a Eurásia e o Alasca. Pensa-se que a migração tenha começado durante a idade do gelo do Pleistoceno, que terminou há cerca de 14 mil anos, e continuou durante vários milhares de anos a seguir, à medida que essas populações se deslocavam para sul.

No entanto, os investigadores ficaram intrigados com a razão porque os crânios paleoamericanos com mais de 10 mil anos encontrados até agora têm uma morfologia tão diferente destas descobertas mais recentes e dos nativos americanos modernos. Os cientistas colocam a hipótese de outros ancestrais dos nativos americanos terem chegado numa migração posterior. Os novos resultados de DNA indica que os crânios muito diferentes dos nativos americanos modernos teriam evoluído em solo norte-americano.

Os vestígios paleoamericanos são escassos e muito distantes, pois as tribos nómadas nem sempre criavam túmulos para os seus mortos. Este é o primeiro esqueleto completo a ser encontrado e o primeiro grande conjunto de vestígios a ser descoberto tão a sul.

 

 

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