2014-05-18

Subject: Células reprogramadas lentas a produzir tumores em macacos

 

Células reprogramadas lentas a produzir tumores em macacos 

 

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@ Nature

Uma das maiores preocupações com a utilização de células estaminais é o risco do desenvolvimento de tumores mas agora um novo estudo mostra que é preciso um grande esforço para que células pluripotentes induzidas (iPS) desenvolvam tumores depois de serem transplantadas para macacos. As descobertas vão animar as perspectivas de um dia essas células poderem ser usadas clinicamente em humanos.

A produção de células iPS a partir das próprias células da pele do animal e depois retransplantá-las para o seu corpo também não desencadeia uma resposta inflamatória, desde que as células tenham sido antes coagidas a diferenciar-se num tipo mais especializado. Ambas as observações, agora publicadas na revista Cell Reports, abrem boas perspectivas para potenciais terapias celulares.

“É importante porque, neste momento, este campo da ciência é muito controverso", diz Ashleigh Boyd, investigador de células estaminais no University College de Londres, que não esteve envolvido no trabalho. “Está a mostrar que o peso das evidências aponta para o facto de as células não serem rejeitadas."

As células estaminais pluripotentes podem diferenciar-se em muitos tipos celulares especializados em cultura, pelo que têm o potencial para ser usadas como terapias para substituir tecidos perdidos em doenças como o Parkinson ou algumas formas de diabetes ou cegueira. As células iPS, que são formadas por reprogramação de células adultas, têm a vantagem extra de permitirem que os transplantes sejam adequados ao receptor.

Investigadores de todo o mundo buscam terapias baseadas em células iPS e um grupo japonês começou a alistar pacientes para um estudo em humanos no ano passado. No entanto, trabalhos em ratos sugerem, de forma controversa, que mesmo células iPS geneticamente compatíveis podem desencadear respostas imunitárias e que as células estaminais pluripotentes também podem formar tumores de crescimento lento, outra preocupação de segurança.

Cynthia Dunbar, biólogo da células estaminais nos Institutos Nacionais de Saúde em Bethesda, Maryland, que liderou o estudo, decidiu avaliar ambas as preocupações em macacos rhesus saudáveis. Normalmente, a capacidade de formação de tumores das células estaminais humanas apenas é estudada em ratos, como teste de pluripotência, com os sistemas imunitários comprometidos, diz ela.

“Quisémos realmente obter um modelo que fosse mais próximo do ser humano e foi, de alguma forma, apaziguador que um macaco com um sistema imunitário normal tivesse que receber grande quantidade de células imaturas para haver algum tipo de crescimento tumoral e ainda assim de crescimento muito lento."

Dunbar produziu células iPS a partir de pele e de glóbulos brancos de dois macacos rhesus e transplantou-as de volta para os animais que as forneceram. Foram necessárias 20 vezes mais células iPS para forma rum tumor num macaco, quando comparadas com as necessárias num rato imunocomprometido. Esta informação será valiosa na avaliação dos riscos de segurança de potenciais terapias, diz Dunbar. Apesar de as células iPS terem realmente desencadeado uma ligeira resposta imunitária, atraindo glóbulos brancos e causando inflamação local, as células iPS que tinham sido primeiro diferenciadas para um novo estado maduro não o fizeram.

Apesar de este ser o primeiro estudo a analisar células iPS transplantadas de volta para o macaco que as forneceu, não é o primeiro estudo em primatas a monitorizar como as células diferenciadas a partir de iPS se comportam depois de transplantadas. 

Cientistas da Universidade de Kyoto, Japão, descobriram que células iPS de macaco que tinham sido diferenciadas em neurónios dopaminérgicos (o tipo de neurónio que morre com a doença de Parkinson) e transplantados novamente para o cérebro tinham sobrevivido durante meses sem formar tumores. Investigadores da RIKEN em Kobe, Japão, obtiveram resultados semelhantes quando transplantaram células iPS coagidas a diferenciar-se em células pigmentares do epitélio da retina, as células que apoiam os fotorreceptores do olho. 

Nenhum destes estudos observou formação de tumores e ambos descobriram que os transplantes não são rejeitados quando os animais recebem as suas próprias células. No entanto, ambos os locais estudados geralmente têm pouca capacidade para desencadear respostas imunitárias.

Dunbar, pelo contrário, diferenciou as células iPS em células precursoras de osso e colocou-as em pequenas estruturas logo abaixo da pele, uma localização com forte resposta imunitária. Os transplantes não causaram irritação ou inflamação, provavelmente porque as células diferenciadas não expressam as proteínas embrionárias ausentes em tecidos maduros. Após oito semanas formou-se novo tecido ósseo e quase um ano depois não havia formação de tumores, ainda que a formação de osso persistisse.

Será necessário mais trabalho pois as evidências de outros estudos sugerem que as células precursoras de osso podem, elas próprias, reduzir o sistema imunitário, diz Dunbar. Ela espera repetir estes estudos usando células iPS coagidas a formar células de coração e fígado.

 

 

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