2014-05-12

Subject: Ruído electrónico desorienta aves migratórias

 

Ruído electrónico desorienta aves migratórias 

 

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@ Nature/Delpho/ARCO

Interferências devidas a aparelhos electrónicos e a sinais de rádio AM podem perturbar as bússolas magnéticas internas das aves migratórias, relatam os investigadores na revista Nature. O seu trabalho levanta a questão do impacto significativo das cidades nos padrões de migração das aves.

Décadas de experiências têm demonstrado que as aves se orientam através das rotas migratórias com a ajuda de bússolas internas guiadas pelo campo magnético da Terra mas, até agora, havia muito pouca evidência de que as radiações electromagnéticas criadas pelo Homem afectassem esse processo.

Como a maioria dos biólogos que estudam a magnetorrecepção, o autor do relatório Henrik Mouritsen estava habituado a trabalhar em zonas rurais longe das cidades repletas de ruído electromagnético mas, em 2002, passou para a Universidade de Oldenburg, localizada numa cidade alemã com cerca de 160 mil pessoas. 

Como parte de um trabalho para identificar que parte do cérebro processa a informação da bússola interna, manteve piscos-de-peito-ruivo Erithacus rubecula migratórios no interior de cabanas de madeira, um procedimento padrão que permite aos investigadores investigar a navegação magnética tendo a certeza que as aves não obtêm indicações a partir do sol ou das estrelas. 

O que ele descobriu foi que as aves não se conseguiam orientar no campus: “Tentei tudo para que funcionasse e não consegui", recorda Mouritsen, “até ao dia em que resolvi envolver a cabana de madeira com alumínio."

Mouritsen cobriu as cabanas com placas de alumínio e ligou-os electricamente à terra para eliminar ruído electromagnético nas frequências de 50 kilohertz a 5 megahertz, o que inclui as transmissões de rádio AM. Esta protecção reduziu a intensidade do ruído em duas ordens de magnitude e, nessas condições, as aves conseguiram orientar-se.

Quando a equipa desligou a corrente, as placas de alumínio já não eliminaram o ruído artificial e os piscos voltaram a não conseguir orientar-se. Para testar com maior rigor se o ruído electromagnético era responsável pela situação, os investigadores simularam-no usando um gerador de sinal comercial e as aves, mais uma vez, ficaram desorientadas.

Antes de partilhar os resultados, a equipa passou sete anos a conduzir testes, replicados de forma independente por diferentes gerações de estudantes. “Queríamos ter a certeza que podíamos realmente documentar que o que estávamos a ver era real", diz Mouritsen.

 

As descobertas implicam que a navegação das aves é controlada por um sistema biológico sensível ao ruído electromagnético artificial mas o seu mecanismo biofísico não é claro. Mesmo assim, o trabalho coloca a controversa perspectiva de que pode ser necessário que deixemos de usar a parte relevante do espectro electromagnético, diz Joseph Kirschvink, geobiólogo no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena e autor de um comentário que acompanha o artigo.

Roswitha Wiltschko, investigadora da navegação das aves na Universidade de Frankfurt, Alemanha, não tem observado este efeito no seu trabalho. “Nunca usámos nenhuma protecção e as nossas aves orientam-se perfeitamente. Isto foi uma grande surpresa para mim, o facto de poder haver um campo tão fortemente perturbador."

Wiltschko aconselha cautela na conclusão de que o ruído electromagnético afecta as aves migratórias em todas as cidades mas outros investigadores já relataram evidências do fenómeno. “Estes efeitos são reais", diz John Phillips, biólogo sensorial no Virginia Tech em Blacksburg. Phillips realiza estudos comportamentais relacionados com navegação e memória espacial em outras espécies, incluindo ratos e tritões, e protege-os das interferências electromagnéticas que considera poderem alterar os resultados: "Não estudaríamos o mecanismo da visão com flashes a disparar a intervalos irregulares."

Mouritsen tenciona continuar com o seu trabalho sobre os efeitos do ruído electromagnético, em parte para perceber o funcionamento do sentido magnético das aves, mas considera que o ruído pode já estar a causar problemas práticos às aves: “Se elas não podem usar uma das suas bússolas mais significativas quando estão perto de cidades, que efeito isso terá na sua sobrevivência?"

 

 

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