2014-05-03

Subject: Nem sempre sabes o que estás a dizer

 

Nem sempre sabes o que estás a dizer

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

Se pensas que sabes o que acabaste de dizer, pensa novamente pois as pessoas podem ser levadas a pensar que disseram algo que não disseram, relatam os investigadores esta semana.

O modelo dominante do funcionamento da fala é que se trata de uma acção planeada antecipadamente, ou seja, os oradores começam com uma ideia consciente e exacta do que vão dizer, mas alguns investigadores pensam que a linguagem não é totalmente planeada e que as pessoas sabem o que disseram, em parte, porque se ouvem a si próprias.

Assim, o investigador cognitivo Andreas Lind, da Universidade Lund, Suécia, quis ver o que aconteceria se uma pessoa dissesse uma palavra mas se ouvisse a dizer outra. “Se usamos o feedback auditivo para comparar o que dizemos com uma intenção bem específica, então qualquer tipo de discrepância pode ser rapidamente detectado. Mas se o feedback é antes um factor poderoso num processo interpretativo dinâmico, então a manipulação pode passar despercebida."

Na experiência de Lind, os participantes fizeram o teste Stroop, em que uma pessoa vê, por exemplo, a palavra 'vermelho' impressa a azul e lhe é perguntado o nome da cor da letra (neste caso, azul). Durante o teste, os participantes ouviam as suas respostas através de auscultadores.

As respostas foram gravadas de forma a que Lind pudesse, ocasionalmente, repetir a palavra errada, dando aos participantes feedback auditivo da sua própria voz a dizer algo diferente do que tinham realmente dito. Lind escolheu as palavras 'cinzento' e 'verde' (grå e grön em sueco) para trocar, pois apesar de terem sons semelhantes têm significados diferentes.

Depois de os participantes ouvirem a palavra manipulada, aparecia uma questão no monitor sobre o que tinham acabado de dizer e também lhes era perguntado depois do teste se tinham detectado a alteração. 

Quando o software activado pela voz acertava perfeitamente no tempo, de forma a que a palavra errada começasse no espaço de 5 a 20 milissegundos depois de o participante começar a falar, a modificação não era detectada em mais de dois terços da vezes. Em 85% das substituições não detectadas, os participantes aceitaram que tinham dito a palavra errada, indicando os falantes ouvem as suas próprias palavras para os ajudar a especificar o significado do que estavam a dizer.

 

Os restantes 15% não se apercebiam da manipulação mas também não pareciam notar que a palavra tinha mudado e Lind não tem a certeza do porquê. Os resultados foram publicados esta semana na revista Psychological Science.

Lind diz não estar surpreendido com o facto de o engano ter sido tão bem sucedido. Quando se sujeitou ele próprio ao teste, mesmo ele achou que as trocas de linguagem eram convincentes, apesar de saber exactamente quando as manipulações estavam a acontecer: “Quando dizemos uma coisa mas nos ouvimos a nós próprios a dizer outra é um sentimento muito poderoso."

Barbara Davis, que estuda a produção da fala na Universidade do Texas em Austin, considera o trabalho uma experiência criativa que lança um "intrigante desafio ao paradigma dominante" do discurso pré-programado mas não pensa que isto signifique que não há planeamento verbal: “Dizer o nome de uma cor é diferente de um discurso fluente, é outro nível de complexidade. Muitos concordariam que deve haver simultaneamente planeamento e feedback auditivo a funcionar."

Adultos que perdem a audição podem levar muito tempo até que os seus padrões de linguagem se deteriorem, diz Davis, o que indica que o feedback auditivo não é necessário à fala.

Lind concorda que o feedback auditivo não é o único factor em jogo: “Se não o tens, ainda és capaz de falar, mas se o tens provavelmente dependerás mais dele do que de outros tipos de feedback no que toca a determinar o significado das tuas próprias palavras.”

 

 

Saber mais:

Elefantes reconhecem a voz dos inimigos

Scan a cérebros de cães revela respostas vocais

Cientistas lêem sonhos

Anatomia de um ferimento cerebral

Evolução de um único gene associada à linguagem

Ancestralidade comum entre Homem e grandes símios pode ser ouvida no riso

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com