2014-04-27

Subject: Estudo sobre Tamiflu contestado

 

Estudo sobre Tamiflu contestado

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Pichi Chuang/Reuters/Corbis

O estudo que questiona o armazenamento de medicamentos antivirais no valor de milhares de milhões de dólares como forma de mitigar a ameaça de pandemias de gripe está a ser criticado pelos investigadores da gripe.

A análise do Tamiflu e do Relenza, medicamentos conhecidos como inibidores da neuraminidase, foi publicado a 10 de Abril pela Cochrane Collaboration, um grupo que revê a eficácia das medidas de saúde pública e concluía que os medicamentos tinham pouca utilidade. Ao mesmo tempo, a revista BMJ publicou uma série de artigos, incluindo dois que sumariavam as descobertas Cochrane, e vários editoriais que se focavam na campanha de cinco anos da Cochrane e da BMJ para obter dados de testes clínicos das farmacêuticas não publicados e usados na análise.

Os resultados “desafiam a assunção histórica de que os inibidores da neuraminidase são eficazes no combate à gripe", era declarado num comunicado conjunto BMJ–Cochrane sobre as descobertas. Os medicamentos “foram sobrevalorizados na sua eficácia e subvalorizados nos seus problemas", disse Fiona Godlee, editora-chefe da BMJ, numa conferência de imprensa. O estudo gerou enorme cobertura noticiosa a nível mundial, incluindo parangonas que apelidavam o Tamiflu de “inútil e ineficaz".

Mas a análise e a sua conclusão são vigorosamente contestados por muitos investigadores de gripe. Defendem que a análise, uma actualização da Cochrane, se baseia em testes clínicos aleatórios (TCA) dos medicamentos que não têm poder estatístico suficiente para que se possam deles obter conclusões fidedignas sobre os efeitos sobre as complicações da gripe e as hospitalizações e estes são os resultados cruciais de interesse durante uma pandemia de gripe.

Os críticos dizem que a análise também excluiu muitos estudos observacionais que mostraram que os medicamentos podem ser úteis em situações clínicas normais.

O Tamiflu é receitado como o principal tratamento para casos graves de gripe e os investigadores temem que a tempestade mediática mine a confiança do público nesta classe de medicamentos. “Corremos o risco de perder uma das poucas armas que temos devido a publicidade negativa", diz Peter Openshaw, director do Centro de Infecções Respiratórias do Imperial College de Londres.

A análise da Cochrane, uma organização sem fins lucrativos de Londres, considerou tanto o Tamiflu (oseltamivir), produzido pela farmacêutica Roche, como o Relenza (zanami­vir), comercializado pela GlaxoSmithKline, e é uma das primeiras a rever relatórios de testes clínicos, documentos que as companhias submetem aos reguladores e que contêm dados mais completos do que os TCA publicados.

Ambos os medicamentos revelaram encurtar a duração dos sintomas de gripe e são eficazes no tratamento da doença grave. O que está em disputa é se reduzem as hospitalizações e as complicações graves. Os autores da Cochrane e da BMJ alegam que não há evidência disso e consideram que as descobertas questionam a decisão dos governos, desde meados da década de 2000, de armazenar os medicamentos perante a ameaça de uma pandemia de gripe das aves H5N1, cuja taxa de mortalidade é de cerca de 60%. Carl Heneghan, da Universidade de Oxford, Reino Unido e co-autor da análise, considera que “não há maneira credível destes medicamentos poderem prevenir uma pandemia" e que o armazenamento “é dinheiro deitado fora".

Mas uma dúzia de peritos vieram referir que os relatórios dos estudos clínicos, apesar de permitirem análises mais detalhadas, não trazem substanciais novas descobertas: “Os autores Cochrane fizeram uma análise exaustiva e merecem todo o crédito pelos seus esforços para obter os dados em bruto da Roche e das autoridades reguladoras mas, em último caso, as descobertas não são surpresas", diz Peter Horby, investigador de gripe na Unidade de Investigação Clínica da Universidade de Oxford em Hanói, Vietname.

Jody Lanard e Peter Sandman, peritos independentes de comunicação de risco de Nova Iorque, dizem que o comunicado sobre a análise omite descobertas cruciais na sua opinião. Por exemplo, arredonda a relatada redução dos sintomas nos adultos causada pelo Tamiflu de 17 horas para “apenas meio dia" e descreve a redução como "pequena". Também não relata a redução de 29 horas nas crianças. Lanard e Sandman alegam que “os resultados foram cuidadosamente seleccionados para darem uma pior imagem dos antivirais".

 

A opinião de Horby é que o comunicado BMJ–Cochrane contribuiu para a má interpretação dos média sobre o que o estudo diz e não diz: "A análise não afirma que os medicamentos são 'ineficazes' ou inúteis', como foi apregoado em alguns órgãos de comunicação social."

BMJ–Cochrane continuam, no entanto, a considerar que o comunicado “fez um bom trabalho a apresentar as descobertas principais". Defendem que a sua apresentação da redução da duração dos sintomas como justificada e salientam que os resultados completos foram incluídos no sumário da análise. A cobertura mediática, dizem, “não foi má em termos de equilíbrio ou rigor".

As duas organizações concordam que o poder estatístico limitado dos dados dos testes clínicos sobre o número de hospitalizações e complicações torna difícil tirar conclusões fiáveis mas defendem que as suas descobertas de não haver evidências de efeitos desafiam as análises anteriores que revelavam que os medicamentos reduziam as complicações e hospitalizações. Alegam que a análise mostrou realmente novas descobertas, como por exemplos os dados sobre os efeitos secundários.

Os TCA são considerados o standard máximo para estabelecer a eficácia dos medicamentos e a Cochrane restringe-se a metaanálises desse tipo na sua revisão mas os críticos salientam que estes pequenos testes clínicos foram feitos para obter aprovação dos reguladores para o Tamiflu ser usado como tratamento e profilaxia da gripe sazonal, que é geralmente suave. Isso significa que os sujeitos saudáveis raramente desenvolveram complicações, por outras palavras, os testes não foram concebidos para testar os resultados graves que são mais relevantes para as pandemias.

Os críticos acrescentam que os estudos observacionais sobre a forma como grandes números de pessoas reagem ao tratamento sob cuidados médicos normais também podem fornecer informação importante sobre a eficácia dos medicamentos. Em Março, por exemplo, um estudo observacional de 30 mil pessoas hospitalizadas durante a pandemia de gripe suína de 2009–10 relatou que os inibidores da neuraminidase reduziram a mortalidade em 25%.

Mas devido à sua política de rever apenas TCA, a Cochrane não incluiu dados observacionais: “Dado o número limitado de TCA e as consideráveis evidências sobre a eficácia dos inibidores da neuraminidase ao longos dos últimos 10 anos ou mais, é difícil justificar a exclusão das evidências observacionais", diz Ben Cowling, epidemiologista de gripe na Universidade de Hong Kong.

BMJ–Cochrane referem que excluem todos os estudos observacionais porque são “pouco fiáveis para estabelecer os efeitos do tratamento".

 

 

Saber mais:

Relatório contesta a utilidade de armazenar Tamiflu

Gripe suína partilha muitas características com pandemia de 1918

Testes com H1N1 têm início no Reino Unido

Surto de gripe dos porcos corre o mundo

Tácticas de guerra duplicam o poder de produtos antigripe das aves

Perguntas mais frequentes sobre a gripe das aves

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com