2014-04-25

Subject: Um alívio para os homens: o cromossoma Y não está a desaparecer

 

Um alívio para os homens: o cromossoma Y não está a desaparecer 

 

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@ Nature/Sebastian Kaulitzki/Alamy

O cromossoma Y faz decididamente parte do nosso rol de entulho cromossómico: entre os nossos 23 pares de material genético, os primeiros 22 são basicamente iguais em tamanho mas o Y, que contém genes que determinam se um dado mamífero será macho, está emparelhado com um X muito maior. 

De facto, o cromossoma Y apenas mantém 19 dos cerca de 600 genes que em tempos partilhou com o X, há 200 ou 300 milhões de anos, mas aparentemente o declínio e queda do Y parou, de acordo com uma nova pesquisa publicada esta semana na revista Nature.

O cromossoma Y tem permanecido estável nos últimos 25 milhões de anos e uma razão para isso é que muitos dos genes que lhe restam são cruciais à sobrevivência de todos os humanos, indo muito para além da determinação do sexo. Existem genes que afectam a síntese proteica, o grau de actividade de um gene e outros que unem segmentos de RNA entre si. Podem ser encontrados no coração, sangue, pulmões e muitos outros tecido espalhados pelo corpo. “São jogadores poderosos no centro de comando da célula", diz David Page, biólogo e director do Instituto Whitehead de Investigação Biomédica no Instituto de Tecnologia do Massachusetts. Ele é um dos autores deste novo artigo e refere que “com ele se pode esquecer a noção do Y em desaparecimento".

Ainda que outros cientistas concordem que Page está a dar uma imagem mais robusta do Y, uma das proponentes da ideia do desaparecimento do Y não está convencida. Os últimos milhões de anos podem simplesmente ser um abrandamento numa tendência a longo prazo de degradação, diz Jennifer Graves, geneticista na Universidade Nacional da Austrália em Camberra: “Pelo menos dois grupos de roedores já conseguiram dispensá-lo completamente."

O cromossoma Y começou a perder o respeito no final da década de 1950. O geneticista Curt Stern, na época presidente da Sociedade Americana de Genética Humana, realizou uma conferência salientando que havia muito poucos genes activos no actual cromossoma Y. Em 2002, Graves salientou na Nature que o Y vinha a diminuir de tamanho desde as primeiras linhagens de mamíferos até aos primatas e previu que o cromossoma masculino se extinguiria no espaço de 10 milhões de anos. Isso levou muitos a ponderar se os machos seguiriam o mesmo destino.

Page e os seus colegas, liderados por Daniel Winston Bellott, investigador no seu laboratório, resolveram testar esta ideia examinando a história evolutiva do cromossoma Y. Eles compararam sequências completas do DNA do cromossoma em oito espécies de mamíferos. Começaram com espécies que surgem primeiro no registo fóssil, incluindo opossums, ratos e ratazanas e continuaram para outras mais recentes, incluindo macacos rhesus, chimpanzés e humanos.

A comparação revelou que realmente existia o que Page apelida “uma perda calamitosa de genes" no cromossoma Y desde há centenas de milhões de anos mas há cerca de 25 milhões de anos quando os macacos divergiram dos chimpanzés, quando estes divergiram da linhagem humana há 7 milhões de anos, a redução parou. “Na realidade ficámos espantados com a estabilidade do cromossoma Y nos últimos 25 milhões de anos", diz Page.

Essa estabilidade, defende ele, provém de um núcleo vital de cerca de 12 genes que não têm nada a ver com a determinação sexual do macho, produção de espermatozóides ou desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos. Em vez disso, esses genes presentes no Y expressam-se noutros tecidos, como coração ou sangue, e são responsáveis por funções celulares vitais, como a síntese proteica ou a regulação da transcrição de outros genes. Isso significa que o cromossoma Y é importante para a sobrevivência de todo o organismo, diz ele, logo a sobrevivência desses genes será favorecida pela evolução.

 

Andrew Clark, geneticista na Universidade de Cornell, concorda que depois de o Y ter perdido partes não essenciais de DNA se tem assistido a uma espantosa estabilidade.

Graves não vai tão longe: “A degradação do Y não é claramente um processo linear. As últimas etapas da degradação devem estar sujeitas a grandes flutuações." Na sua opinião, a estabilidade será, assim, temporária. Segundo ela, duas espécies de ratos espinhosos no Japão já perderam completamente o cromossoma Y mamífero, transferindo muitos genes para outros cromossomas. Duas espécies de ratos-toupeira, acrescenta ela, perderam alguns dos genes do cromossoma Y, provavelmente usando outros genes para substituírem as suas funções. “Apesar de os roedores parecerem estar mais avançados que os primatas na experimentação de novos sistemas cromossómicos sexuais bizarros, não devemos ser complacentes", conclui ela.

Page responde que a estabilidade observada está presente em tantas espécies diferentes que perdas adicionais lhe parecem improváveis: "Podem acontecer mas eu não o vejo."

A persistência do cromossoma Y e o seu conjunto de genes reguladores generalizados levanta outra questão aos biólogos diz Page: as células dos homens e das mulheres podem ser bioquimicamente diferentes. Os homens com os seus genes relacionados com o Y terão células ligeiramente diferentes das mulheres, com os seus dois cromossomas X, e isso irá para além das diferenças relacionadas com a determinação do sexo. Quando os biólogos fazem experiências com linhagens celulares geralmente não atenção ao género do indivíduo de onde provêem: “Temos funcionado com um modelo unissexo há muito tempo e isso pode não ser válido", diz Page.

A razão porque isto é tão importante, continua ele, é porque algumas doenças, como as auto-imunes, parecem afectar mais as mulheres, enquanto outras, como as do espectro do autismo, afectam mais os homens. Mas os biólogos que tentam deslindar estes mistérios têm, em grande parte, sido cegos para estas diferenças bioquímicas subtis pois não comparam linhagens femininas e masculinas, o que pode afectar os seus resultados. Para Page, é tempo de remover as vendas.

 

 

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