2014-04-18

Subject: Relatório do IPCC debaixo de fogo (mais uma vez) 

 

Relatório do IPCC debaixo de fogo (mais uma vez) 

 

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@ Nature/Paul McGee/Moment/Getty Images

Está o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) a perder gás? Está a lidar com um problema à escala global que permanece tão urgente como antes mas o seu último relatório, publicado a 13 de Abril e que se foca na mitigação, deixou muitos peritos climáticos e analistas de política insatisfeitos.

O documento, uma sumário de políticas preparado pelo Grupo de Trabalho III, é a terceira parte do Quinto Relatório de Avaliação do IPCC. Segue-se a relatórios sobre a ciência das alterações climáticas e os impactos das alterações climáticas, publicados nos últimos meses.

Compilado por centenas de autores e revisores de topo ao longo de vários anos, o relatório alerta para o facto de, sem mudanças substanciais de política e tecnologia, o planeta se encaminha para subidas de temperatura perigosas. Foca-se, por isso mesmo, nas opções tecnológicas e económicas que permitiriam estabilizar a concentração dos gases de efeito de estufa na atmosfera a um nível aceitável.

“A análise está toda lá", diz Bob Ward, director de política do Instituto Grantham de Investigação sobre Alterações Climáticas e Ambiente da Faculdade de Economia de Londres, que não esteve envolvido na elaboração do relatório. “Agora os decisores têm que lidar com a mensagem."

Mas outros consideram as conclusões chave pouco surpreendentes e parcas em detalhes. Dizem que o documento passa ao lado de qualquer indicação do que os países, ou grupos de países, devem especificamente fazer para passar a sistemas de energia mais limpos. Em particular, os críticos estão preocupados com os maiores emissores (China, Estados Unidos, União Europeia e Índia), que são responsáveis em conjunto por mais de metade da produção global de dióxido de carbono.

@ Nature/IPCC

“A mensagem central é que as emissões têm que baixar e que os custos dessa tarefa são aceitáveis", diz Glen Peters, analista de política climática no Centro para a Investigação Internacional sobre Alterações Climáticas e Ambiente de Oslo (CICERO). “Mas este tipo de visão global não ajuda muito os decisores de países específicos e é virtualmente inútil para o processo internacional de negociação sobre o clima."

Outros concordam. Steve Rayner, que estuda o enquadramento político das alterações climáticas na Universidade de Oxford, Reino Unido, refere: "As descobertas principais são previsíveis e não muito entusiasmantes. O já muito familiar jargão da mensagem final não parece justificar o enorme esforço envolvido."

O relatório, dado a conhecer numa conferência de imprensa muito concorrida num hotel de Berlim, detalha de que forma as emissões anuais subiram de 27 gigatoneladas de equivalentes de CO2 em 1970 para 49 Gt em 2010 e podem já ter ultrapassado as 52 Gt por ano. O relatório acrescenta que para termos uma hipótese de 50% de manter a subida da temperatura superficial global abaixo da meta das Nações Unidas de 2°C o Homem não pode produzir mais do que outras 1550 Gt de gases de efeito de estufa até 2100. À taxa actual de emissões, esse limite será excedido antes de 2050.

 

O grupo de trabalho também alerta para o facto de as metas de emissões dos países desenvolvidos para 2020, acordadas na cimeira climática de Cancún, México, são incompatíveis com o tecto de 2°C, que foi estabelecido na mesma cimeira. “Alcançar este objectivo exigirá reduções muito mais substanciais para além de 2020”, revela o relatório.

O IPCC também reconhece que a indústria de energias renováveis tem feito progressos substanciais em desempenho e redução de custos mas salienta que as crescentes exigências energéticas globais e um aumento da quota de carvão na mistura de combustíveis nos últimos anos ameaça coarctar os esforços de mitigação.

“Independentemente das metas precisas de emissões, temos que por o comboio da mitigação em andamento essencialmente aumentando as formas de energia de baixo carbono no mundo", diz Ottmar Edenhofer, co-secretário do grupo de mitigação do IPCC. A energia nuclear e as tecnologias de geoengenharia seguras, como a remoção de CO2 atmosférico e a captura e armazenamento de emissões de carbono, precisam de ser consideradas, diz ele.

Há muito que alguns investigadores defendem uma abordagem mais pragmática e diversificada às alterações climáticas. Por exemplo, um grupo escreveu num artigo sobre política em 2010 que estimular o progresso tecnológico ao mesmo tempo que se reduz a pobreza (estima-se que 1,5 mil milhões de pessoas não tenham acesso a electricidade) pode, em última análise, revelar-se mais eficaz do que tratados internacionais sobre alterações climáticas, como o expirado Protocolo de Kyoto.

Robert Stavins, economista ambiental na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e um dos autores principais do relatório do IPCC, enfatiza que os maiores desafios na mitigação dos efeitos das alterações climáticas são políticos e não tecnológicos.

A maioria dos críticos concorda que o IPCC, apesar de não remeter para políticas, tem conseguido fortalecer as ligações entre a ciência e a política: “O processo força os decisores a realmente se envolverem com a ciência subjacente às alterações climáticas", diz Peters. “Dada a escala do problema que enfrentamos, é bom saber disso."

 

 

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