2014-04-15

Subject: RNA dos espermatozóides transporta marcas de trauma

 

RNA dos espermatozóides transporta marcas de trauma 

 

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O trauma é insidioso, não só aumenta o risco de uma pessoa desenvolver perturbações psiquiátricas como pode mesmo passar para a próxima geração. 

Pessoas traumatizadas durante o genocídio dos Khmer Vermelhos no Cambodja têm tendência para ter filhos com depressão e ansiedade, por exemplo, e crianças filhas de veteranos australianos da guerra do Vietname têm taxas mais elevadas de suicídio do que a população em geral.

O impacto do trauma provém, em parte, de factores sociais, pois tem influência na forma como os progenitores interagem com os seus filhos mas o stress também deixa marcas epigenéticas, alterações químicas que afectam a forma como o DNA se expressa, sem alterar a sua sequência nucleotídica. 

Um estudo publicado esta semana na revista Nature Neuroscience revela que o stress no início da vida altera a produção de pequenas moléculas de RNA, conhecidas por microRNA, nos espermatozóides de ratos. Os ratos revelam comportamentos depressivos que persistem na sua descendência, que também revela problemas metabólicos.

O estudo é espantoso por mostrar que os espermatozóides reagem ao ambiente, diz Stephen Krawetz, geneticista na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Wayne em Detroit, Michigan, que estuda o microRNA nos espermatozóides humanos, ainda que não tenha estado envolvido neste estudo. “O pai está a ter um papel muito maior em todo o processo, não se limita a entregar genoma e ficar despachado", diz ele. Segundo ele, este é mais um estudo de muitos que mostra que alterações subtis no microRNA dos espermatozóides “criam o cenário para uma enorme pletora de outros efeitos".

Neste novo estudo, Isabelle Mansuy, neurocientista na Universidade de Zurique, Suíça, separou periodicamente a mão rata das suas crias e expôs as mães a situações de stress (colocando-as em água fria ou prendendo-as fisicamente). Estas separações ocorriam todos os dias mas em momentos erráticos, de modo a que as mães não conseguissem confortar as suas crias (a geração F1) com um carinho extra antes da separação.

Quando criados desta forma, os descendentes macho mostravam comportamentos depressivos e tendiam a subestimar o risco, mostra o estudo. Os seus espermatozóides também revelaram uma expressão anormalmente alta de cinco microRNA. Um destes, o miR-375, tem sido associado ao stress e á regulação do metabolismo.

A descendência dos machos F1, a geração F2, mostrava comportamentos depressivos semelhantes, bem como um metabolismo do açúcar anormal. As gerações F1 e F2 também tinham níveis anormais dos cinco microRNA no sangue e no hipocampo, uma região cerebral envolvida nas respostas ao stress. Os efeitos comportamentais persistiram na geração F3.

 

Mansuy está agora a tentar perceber se biomarcadores microRNA semelhantes existem em pessoas expostas a eventos traumáticos ou nas suas crianças. “Se alguns forem alterados persistentemente no sangue, então podem ser usados como marcadores para susceptibilidade ao stress ou ao desenvolvimento de perturbações psiquiátricas", diz ela.

Para eliminar a possibilidade de os efeitos do stress estarem a ser transmitidos socialmente, os investigadores também recolheram RNA dos espermatozóides de machos F1 e injectaram-no em óvulos recém-fecundados de ratos não traumatizados. Isto resultou em ratos com comportamentos depressivos e sintomas metabólicos semelhantes, que, por sua vez, foram passados à geração seguinte.

Os autores admitem f4rontalmente que há muito a ser descoberto sobre as razões biológicas destas descobertas pois, por exemplo, ninguém sabe como o stress desencadeia as alterações no microRNA dos espermatozóides. Um papel possível será através de receptores de glucocorticóides, proteínas envolvidas na resposta ao stress expressadas nos espermatozóides. 

Também podem ser hormonas de stress em circulação no sangue que chegam aos testículos e se ligam a esses receptores, de alguma forma desencadeando alterações na expressão do microRNA, diz Sarah Kimmins, epigeneticista na Universidade McGill em Montreal, Canadá. “Ninguém ainda explorou isso e parece-me uma via muito entusiasmante."

Krawetz salienta outro quebra-cabeças levantado pelo estudo, o facto de a experiência traumática não ter afectado o microRNA dos espermatozóides das gerações F2 e F3, o que pode significar que as anomalias nestes descendentes provêem de outro tipo de mecanismo epigenético, como a metilação do DNA ou marcadores químicos nas histonas. Mas por agora, diz ela, “são tudo conjecturas".

 

 

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