2014-04-13

Subject: Tempo está a esgotar-se para o primata mais raro do mundo

 

Tempo está a esgotar-se para o primata mais raro do mundo 

 

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@ Nature/Jessica Bryant

Os esforços de conservação da vida selvagem estão sob escrutínio enquanto os cientistas lutam para salvar uma espécie que apenas pode ser encontrada num canto de uma ilha do mar do sul da China. O gibão de Hainan é o primata mais raro do mundo e a sua sobrevivência a longo prazo está em risco, segundo uma análise recente.

Pensa-se que restem apenas 23 dos 25 conhecidos, aninhados em menos de 20 quilómetros quadrados de floresta na ilha chinesa de Hainan. A espécie Nomascus hainanus, cujo efectivo ultrapassava os 2 mil no final da década de 1950, foi devastada pela destruição do habitat pela indústria madeireira e pela caça furtiva. A extinção daria ao gibão a distinção pouco desejada de ser o primeiro macaco a ser dizimado por acção humana. Para criar um plano para o salvar, investigadores de primatas de todo o mundo reuniram-se numa cimeira de emergência em Hainan no mês passado.

“Com uma correcta gestão de conservação ainda é possível conservar e recuperar a população de gibões de Hainan", diz o co-secretário do encontro Samuel Turvey, que estuda extinções animais na Sociedade Zoológica de Londres (SZL). “Mas dado o altamente perigoso estado actual da espécie, não nos podemos dar ao luxo de esperar mais para iniciar um programa de recuperação coordenado e proactivo.” Ele acrescenta que o encontro foi um bem sucedido primeiro passo no salvamento do animal e de que o plano de acção está a ser finalizado.

O plano será baseado numa análise de viabilidade da população que modela a dimensão potencial da população de gibões nas próximas décadas para um leque de diferentes cenários. Está a ser concebido por Kathy Traylor Holzer, planeadora de conservação do Grupo de Especialistas em Reprodução e Conservação em Apple Valley, Minnesota. “É uma das menores populações com que já trabalhei", diz Traylor Holzer. “Este número, e todos numa única localização, é extremamente assustador."

Modelos preliminares, que consideram factores como o sucesso reprodutor, alterações de habitat e ameaças naturais, sugerem que o gibão de Hainan pode estar a salvo da extinção nas próximas duas décadas mas o seu habitat restrito significa que um único evento catastrófico (como um tufão ou um surto de doença), pode dizimar a minúscula população. Mais, a baixa diversidade genética nos animais que restam pode resultar em descendência pouco saudável devido à consanguinidade. Para melhor compreender a genética dos animais, a SZL está a realizar sequenciações de DNA usando amostras de fezes.

Outro potencial problema é que os gibões viviam originalmente na floresta das terras baixas mas os madeireiros afugentou-os para altitudes mais elevadas. Alguns cientistas pensam que o seu lar actual pode não ser óptimo para as suas necessidades, por exemplo porque não fornece um fornecimento anual adequado de frutos carnudos que preferem comer.

 

O aumento da monitorização pode ser a chave para a conservação do gibão mas avistar os animais pode ser difícil, pelo que os investigadores por vezes dependem dos chamamentos sociais dos macacos para os encontrar. Turvey salienta, no entanto, que quando os jovens machos deixam os grupos estabelecidos sociais, algo normal após atingirem a maturidade sexual, fazem menos chamamentos e são mais difíceis de encontrar.

Bosco Chan, especialista em conservação chinesa nos Jardins Botânicos e Agrícolas Kadoorie em Hong Kong, diz que um dos maiores desafios é encontrar suficiente floresta adequada para onde a população do gibão de Hainan se possa expandir. Chan, que estuda os gibões e esteve presente no encontro, salienta que a conservação em Hainan também beneficiaria outras espécies: o gibão é uma espécie guarda-chuva, o que significa que medidas tomadas para o salvaguardar também protegerão o ecossistema mais vasto da ilha.

A China tem sofrido enormes perdas de biodiversidade devido à sua rápida industrialização nas últimas décadas. Apesar de existirem alguns sucessos de conservação notáveis, como o panda gigante, também houve enormes retrocessos, como o golfinho do rio Yangtze Lipotes vexillifer que foi considerado 'funcionalmente extinto' desde 2007. Os investigadores esperam que o gibão de Hainan se junte ao panda como um ícone da conservação, reflectindo o renovado interesse da China na protecção da sua vida selvagem.

“O governo está a prestar mais atenção, o público está a prestar mais atenção", diz Chan. Turvey concorda, salientando que representantes de várias instituições governamentais chinesas estiveram no workshop.

Chan tem esperança pois tem vindo a ver mais gibões nos últimos anos. “Estou muito positivo, quando comecei em 2003 apenas conseguíamos confirmar a presença de 13 indivíduos e no ano passado registamos 23.”

 

 

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