2014-04-12

Subject: Truques bacterianos para transformar plantas em zombies 

 

Truques bacterianos para transformar plantas em zombies 

 

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@ Nature/JIC Photography

Muitos parasitas tomam de assalto o corpo dos seus hospedeiros para se propagarem, exemplos disto incluem os vermes que alcançam a água forçando os seus hospedeiros grilos a afogarem-se ou os vermes que do fígado que obrigam as formigas infectadas a subir as folhas das ervas, onde as vacas as comem, tal como ao verme.

Mas os parasitas também conseguem tornar as plantas zombies e uma equipa de cientistas do Centro John Innes em Norwich, Reino Unido, descobriu agora como o fazem.

Quando as plantas são infectadas por bactérias parasitas conhecidas por fitoplasmas, as suas flores transformam-se em ramos folhosos, as pétalas tornam-se verdes e desenvolvem uma massa de folhas e ramos conhecida por 'vassouras de bruxa'. Esta transformação esteriliza a planta mas atrai insectos sugadores de seiva que transportam a bactéria para novos hospedeiros.

“A planta parece viva mas apenas existe para benefício do agente patogénico", explica a patologista vegetal Saskia Hogenhout, do Centro John Innes em Norwich, Reino Unido. “No sentido evolutivo, a planta morreu e não produzirá descendência."

“Muitos ficam espantados com o conceito de uma planta zombie pois é estranha a ideia de as plantas terem comportamentos", diz David Hughes, parasitologista na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park. “Mas elas têm-nos e, sendo assim, por que razão os parasitas não haviam de ter evoluído de forma a controlar o seu comportamento, tal como o fazem com baratas ou grilos?"

A equipa de Hogenhout já tinha demonstrado que as bactérias manipulam os seus hospedeiros através de uma única proteína, chamada SAP54. Esta molécula interage com a proteína da planta RAD23, que envia moléculas destinadas à destruição para o centro de remoção de resíduos da célula, o proteassoma. Neste caso, as moléculas-alvo são as que produzem flores.

As descobertas dos investigadores foram publicadas na última edição da revista PLoS Biology.

 

A mesma interacção entre a SAP54 e estas proteínas vegetais aumenta a atracção que a planta exerce sobre os devoradores de folhas e seiva que transmitem as fitoplasmas. A equipa descobriu que os insectos põem mais ovos sobre plantas infectadas que produziam flores tipo folha do sobre aquelas que florescem normalmente. Também mostraram que mesmo a SAP54 isoladamente, na ausência de bactérias, é capaz de atrair os insectos.

“A beleza do artigo é que a bactéria controla tanto planta como insecto, ao mesmo tempo e com a mesma  proteína", diz Hughes. “E isso é espantoso."

Hogenhout diz que esta descoberta revela a relação entre o programa de desenvolvimento da planta e o seu sistema imunitário, algo que ninguém tinha ainda suspeitado e que deve ser verdade para muitas outras espécies. Ela espera que estudar esta relação conduza a novas formas de, simultaneamente, melhorar a produção agrícola e aumentar a resistência a pragas.

Ela também pretende determinar de que forma outros agentes fitopatogénicos criam plantas zombies. A ferrugem Puccinia monoica, por exemplo, esteriliza os seus hospedeiros e transforma-lhes as folhas em 'pseudoflores' de um amarela brilhante. Estas flores falsas estão carregadas de células do fungo e atraem insectos polinizadores que as propagam para hospedeiros não infectados. Ninguém sabe de que forma o fungo reprograma o seu hospedeiro, diz Hogenhout, “seria mesmo fixe descobrir".

 

 

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