2014-04-11

Subject: Relatório contesta a utilidade de armazenar Tamiflu

 

Relatório contesta a utilidade de armazenar Tamiflu 

 

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@ Nature/Katie Collins/Press Association Images

Os governos desperdiçaram milhares de milhões de dólares a armazenar medicamentos antivirais para utilização contra a gripe sazonal e pandémica, conclui um grupo sem fins lucrativos de peritos médicos, após analisar os resultados de testes clínicos não publicados.

A Cochrane Collaboration, uma organização internacional com sede em Oxford, Reino Unido, tem vindo a defender a sua tese contra a eficácia do antiviral Tamiflu (oseltamivir) há mais de quatro anos, inicialmente com base numa análise prévia dos limitados dados publicados disponíveis. Agora, veio publicar uma análise de mais de 500 artigos, depois de uma campanha junto da revista British Medical Journal (BMJ) para ter acesso a todos os dados não publicados sobre o Tamiflu.

No entanto, outros cientistas consideram que, apesar do escrutínio ser bem-vindo, a análise revelou pouca informação nova e, por si só, não é argumento suficiente para acabar com o armazenamento.

O governo português terá gasto €5 milhões com o armazenamento de Tamiflu, o Reino Unido € 10 milhões e os Estados Unidos €1,5 mil milhões. Numa conferência de imprensa em Londres, representantes da Cochrane defenderam que o antiviral tinha uma eficácia muito limitada e que não devia ser armazenado.

O dinheiro “foi deitado pelo cano abaixo", refere o co-autor do relatório Carl Heneghan, director do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford, e co-fundador do grupo AllTrials, que luta pela transparência dos testes clínicos. Ele considera, portanto, que os governos não devem continuar a gastar esse dinheiro.

Alguns peritos, no entanto, dizem que os autores levam demasiado longe as conclusões do seu estudo ao recomendarem que não se armazenem antivirais. “Devemos exigir testes clínicos melhor concebidos e mais transparentes mas não devemos colocar em risco vidas ao ignorar o enorme corpo de evidências que apoia o uso de antivirais ao longo dos últimos cinco anos", referiu Peter Openshaw, director do Centro de Infecções Respiratórias do Imperial College Londres.

Sabrina Spinosa, da Agência Europeia de Medicina (EMA), que aprovou a utilização do Tamiflu para a União Europeia em 2002, diz que a agência também reviu os 20 relatórios dos testes clínicos que a Cochrane Collaboration analisou (depois de ter descartado outros por serem tendenciosos): “A revisão não levanta novas preocupações", diz ela, mantendo a sua avaliação de risco-benefício do medicamento.

Heneghan e Tom Jefferson, outro dos autores do estudo, apregoaram um "falhanço de muitos sistemas" na forma como os testes clínicos foram conduzidos pelas farmacêuticas e relatados de forma incompleta nas revistas de pares. As agências reguladoras não foram claras e transparentes nas suas decisões de aprovar o medicamento, dizem eles.

A análise Cochrane descobriu que o Tamiflu retira cerca de meio dia da semana durante a qual, em média, os adultos sentem os sintomas da gripe e um pouco mais de um dia no caso de crianças. Mas considera que não há evidências de que o medicamento previna a hospitalização ou as complicações da gripe, como a pneumonia. Isto contradiz a meta-análise publicada em 2003, que influenciou fortemente a decisão dos governos de começar a armazenar o medicamento. 

Mas a análise Cochrane, que também reviu testes de um antiviral semelhante, o Relenza (zanamivir), concorda a avaliação da americana Agência de Alimentação e Medicamentos que refere que os medicamentos têm um desempenho modesto. Estes testes também mostraram que o Tamiflu aumenta ligeiramente o risco de problemas como perturbações psiquiátricas e disfunções renais.

 

Jonathan Nguyen-Van-Tam, investigador de saúde pública na Universidade de Nottingham, Reino Unido, não contesta as descobertas mas salienta que os testes revistos por Cochrane estudaram essencialmente pessoas de outra forma saudáveis que apanharam gripe. Evidências posteriores recolhidas sobre a utilização do Tamiflu na pandemia de 2009 do H1N1 sugerem que o medicamento foi útil, diz ele. Por exemplo, um estudo liderado por ele revelou que em pacientes hospitalizados o medicamento reduzia a mortalidade em um quinto e era especialmente eficaz quando dado no espaço de dois dias desde o início dos sintomas.

Mas Jefferson refere que esses estudos não foram testes controlados e aleatórios pelo que não podem ser usados para media a eficácia do medicamento. E mesmo que seja verdade que o Tamiflu seja útil para pacientes em hospitais, isso não é evidência de que deva ser armazenado e tomado por pessoas saudáveis numa pandemia, acrescenta ele. Mais, os governos não devem apontar para testes posteriores para apoiar decisões anteriores de armazenamento, "querem reescrever a história", diz ele.

A definição de evidências relevantes para a Cochrane neste caso tem-se tornada mais estrita ao longo dos anos, diz Marc Lipsitch, epidemiologista na Faculdade de Saúde Pública de Harvard em Boston, Massachusetts, e agora exclui todos ou quase todos os dados não aleatórios. “Um conjunto alargado de dados, aleatórios ou não, com vários graus de escrutínio público devem ser considerados", diz ele, e podem conduzir a escolhas diferentes.

A análise Cochrane foi financiada pelo Instituto Nacional de Investigação da Saúde inglês, depois de um comité do parlamento inglês ter concluído que não havia consenso sobre o grau de eficácia do Tamiflu, que é produzida pela farmacêutica suíça Roche. Um outro grupo, o Multiparty Group for Advice on Science (MUGAS), também está a rever os dados e deverá publicar um relatório este ano mas os investigadores Cochrane levantaram a questão de a equipa MUGAS ser parcialmente financiada pela Roche.

Os autores acrescentam que a Organização Mundial de Saúde devia considerar retirar o Tamiflu da sua lista de medicamentos essenciais. A organização referiu em comunicado que irá ter em conta as descobertas.

“Apelamos a todos para que não confiem apenas nos testes clínicos publicados ou em comentários de decisores de saúde comprometidos", diz Jefferson, “mas que procurem eles próprios a informação."

 

 

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