2014-04-08

Subject: Stress altera o genoma das crianças 

 

Stress altera o genoma das crianças 

 

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@ Nature/Pasieka/Science Photo Library

Crescer num ambiente social stressante deixa marcas duradouras nos cromossomas jovens, revelou um estudo feito em rapazes afro-americanos. Os telómeros, sequências repetitivas de DNA que protegem as extremidades dos cromossomas ao longo do tempo, são mais pequenos em crianças de lares pobres e instáveis do que em crianças criadas com famílias mais protectoras.

Quando os investigadores examinaram o DNA de 40 rapazes com 9 anos de grandes cidades americanas, descobriram que os telómeros das crianças de lares com ambientes agrestes eram 19% mais curtos do que os de crianças de ambientes privilegiados. O comprimento dos telómeros é frequentemente considerado um biomarcador do stress crónico.

O estudo, publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, aproxima os investigadores da compreensão da forma como as condições sociais na infância podem influenciar a saúde a longo prazo, diz Elissa Epel, psicóloga da saúde na Universidade da Califórnia, San Francisco, que não esteve envolvido na investigação.

As amostras de DNA e os dados socio-económicos dos participantes foram recolhidos no âmbito do Estudo de Famílias Frágeis e Bem-estar das Crianças, um esforço financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde americanos para seguir 5 mil crianças, na sua maioria nascidas em famílias mono-parentais em grandes cidades americanas entre 1998 e 2000. Os ambientes das crianças foram classificados com base no nível de educação da mãe, a razão entre o rendimento e as necessidades da família, educação rígida e grau de estabilidade familiar, diz o autor principal do estudo Daniel Notterman, biólogo molecular na Universidade Estadual da Pensilvânia em Hershey.

Os telómeros dos rapazes cujas mães tinham um diploma do ensino secundário eram 32% mais longos quando comparados com os de rapazes cujas mães não tinham completado a escolaridade básica. Crianças provenientes de famílias estáveis tinham telómeros 40% mais longos do que os de crianças que tinham sofrido muitas alterações na estrutura familiar, como por exemplo um progenitor com múltiplos parceiros.

A ligação entre lares com ambientes stressantes e comprimento dos telómeros é moderada por variantes genéticas em vias que processam dois transmissores químicos no cérebro, a serotonina e a dopamina, descobriu o estudo. 

 

Estudos anteriores tinham correlacionado variantes em alguns dos genes estudados, como o TPH2, com depressão, perturbação bipolar e outras questões de saúde mental. Variantes de outro gene, o 5-HTT, reduzem a quantidade de proteína que recicla a serotonina nas sinapses nervosas. Pensa-se que alguns alelos destes genes aumentem a sensibilidade dos transportadores a riscos externos.

Neste último estudo, os investigadores descobriram que as variantes sensibilizadoras desses genes protegiam os telómeros em crianças de ambientes carinhosos e causavam ainda mais danos nos telómeros de crianças de lares desfavorecidos. Aqueles que não tinham esses alelos revelavam pouca variação nos seus telómeros, independentemente das condições de vida.

Mas rapazes com mais de dois alelos sensibilizadores eram fortemente influenciados pelo ambiente dos seus lares. Tinham os telómeros mais curtos em lares stressantes e os mais longos em lares privilegiados. Apesar de se saber que estas variantes influenciam as respostas químicas ao stress no cérebro, nunca tinham sido associadas ao comprimento dos telómeros até agora, diz Notterman.

A equipa tenciona expandir a sua análise para aproximadamente 2500 crianças e suas mães para ver se estas descobertas preliminares se confirmam. No entanto, como os efeitos do stress são tangíveis com 9 anos, Notterman sugere que práticas de intervenção precoce podem ajudar a moderar os efeitos da adversidade na saúde das crianças.

“Este foi apenas um pequeno estudo a testar uma grande teoria”, diz Epel. “É um primeiro mas importante passo na compreensão da forma como as disparidades sociais se infiltram na nossa pele de forma a afectar a saúde a grande prazo.”

 

 

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