2014-04-06

Subject: Diversificação dos colibris continua em pleno

 

Diversificação dos colibris continua em pleno 

 

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Os colibris demoraram apenas 22 milhões de anos a diversificar-se, a partir de um único ancestral comum, em 338 minúsculas e coloridas espécies e, sabe-se agora, ainda não terminaram.

O biólogo evolutivo Jim McGuire, da Universidade da Califórnia, Berkeley, descobriu que apesar de alguns grupos de colibris terem saturado o espaço disponível nos seus ambientes, outros ainda se estão a desenvolver em novas espécies a uma taxa extraordinária. Comparando as suas taxas de especiação e extinção, a equipa de McGuire calculou que o número de espécies de colibris deve duplicar antes de atingir um equilíbrio, nos próximos milhões de anos. 

Os resultados foram agora publicados na revista Current Biology.

“Trata-se de evidências únicas de um dos mais espectaculares exemplos de uma radiação adaptativa incompleta”, diz Juan Francisco Ornelas, biólogo evolutivo no Instituto de Ecologia em Xalapa, México.

Os colibris apenas podem ser encontrados no Novo Mundo e a maioria das espécies vive na América do Sul. A equipa de McGuire levou a cabo o maior estudo alguma vez realizado da evolução do grupo comparando DNA de 284 espécies.

“É impressionante", diz Robb Brumfield, geneticista na Universidade Estadual do Louisiana em Baton Rouge. “As amostras que usaram são o produto de mais de 30 anos de trabalho de ornitólogos que carregaram tubos de azoto líquido para regiões remotas" da América Central e do Sul. Os investigadores recolheram amostras de tecidos e precisavam de as manter congeladas para a sequenciação de DNA.

A sua análise revelou que os colibris se dividem em nove linhagens principais, que se diversificaram umas das outras na América do Sul, ao longo dos últimos 22 milhões de anos. Mas inicialmente começaram por divergir de um grupo irmão, as andorinhas, há cerca de 42 milhões de anos e os fósseis sugerem que esta divergência terá ocorrido na Eurásia. “É uma falha enorme", diz McGuire. Os colibris não conseguem voar através dos oceanos logo devem ter-se deslocado sobre terra, atravessando a ponte do estreito de Bering para a América do Norte antes de se dirigirem para sul.

 

Uma vez alcançada a América do Sul radiaram dramaticamente, especialmente nos Andes. Estas montanhas representam apenas 7% da massa de terra das Américas mas são lar de 40% das espécies de colibris. Muitos destes surgiram nos últimos 10 milhões de anos, o momento em que os Andes começaram a elevar-se rapidamente, o que sugere um possível papel no estímulo da diversificação.

“Os Andes são mais ou menos o pior local possível para ser um colibri", diz McGuire. Estas aves “têm taxas metabólicas super-elevadas e a disponibilidade de oxigénio é baixa. Também é mais difícil planar devido à reduzida densidade do ar e, no entanto, eles estão lá em cima a faze-lo". 

Apesar de alguns insectos se alimentarem em altitudes elevadas, ele recorda que poucos insectos no frio das montanhas elevadas, o que deixa espaço para os colibris ocuparem o seu nicho de polinizadores. As montanhas também fornecem uma manta de retalhos de habitats, de vales isolados a encostas íngremes com clima em alteração rápida. Os colibris estão adequados a explorar esses nichos ecológicos.

Mas Ornelas considera que McGuire está a exagerar a importância dos ambientes andinos. Avaliando pelas cores brilhantes, ornamentos elaborados, exibições de corte espectaculares e chamamentos complexos típicos dos colibris, a selecção sexual terá certamente desempenhado um papel crucial na sua evolução.

Seja como for, os colibris estão a produzir novas espécies a um ritmo em desaceleração, provavelmente por estarem a ficar sem espaço ou nichos vagos que possam ocupar. Mas McGuire descobriu que algumas linhagens se diversificaram 15 vezes mais depressa que outras e ainda mantêm um ritmo elevado. “As taxas são muito diferentes e apesar de o espaço ecológico estar a acabar, ainda há algum para mais espécies.”

 

 

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