2014-03-31

Subject: Redução de tamanho de salamandras associada a alterações climáticas

 

Redução de tamanho de salamandras associada a alterações climáticas 

 

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As salamandras das montanhas americanas dos Apalaches estão a encolher e os investigadores suspeitam que as alterações climáticas são as culpadas, revela um estudo recentemente publicado na revista Global Change Biology.

Seis espécies pertencentes ao género Plethodon estão agora entre 2 e 18% mais pequenas do que eram na década de 1950, de acordo com medições corporais feitas a salamandras adultas, não incluindo a cauda.

“Esta é a primeira evidência de que as salamandras estão a encolher", diz uma das co-autoras do estudo Karen Lips, ecologista de anfíbios na Universidade do Maryland em College Park. “Não sabemos se se trata de uma alteração genética ou um sinal de que estão a conseguir adaptar-se às novas condições."

Mas apesar do efeito parecer ser significativo, não é universal. A média do tamanho corporal de uma espécie aparentada que vive na mesma região aumentou durante o mesmo período de tempo e oito outras espécies do género Plethodon não revelam alterações significativas.

A análise de Lips tira partido de espécimes de salamandra recolhidos entre a década de 1950 e o ano de 2007 por Richard Highton, ecologista da Universidade do Maryland, que entretanto se aposentou. Em 2011 e 2012, Lips e os seus colegas voltaram a recolher amostras de 78 dos locais originalmente analisados por Highton, que se estendem por 767 km de elevações variadas nos Apalaches. Também incluíram medições realizadas por eles em 2009 em locais do Parque Nacional das Great Smoky Mountains no Tennessee.

Originalmente Lips procurou determinar se o possível declínio das populações de salamandras, relatado pela primeira vez por Highton era causado pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis, causador de infecções mortíferas em anfíbios. Quando descobriu que menos de 1% dos animais que estudou estava infectado pelo fungo, Lips começou a suspeitar que as alterações climáticas podiam ser um factor.

Lips descobriu que a redução de tamanho era maior a altitudes inferiores, áreas que estão a sofrer temperaturas cada vez mais elevadas e redução da precipitação ao longo do período de 55 anos, apesar de nenhum factor por si só ser capaz de explicar a redução do tamanho corporal.

Para determinar de que forma as condições climáticas afectavam a sobrevivência das salamandras, o co-autor do estudo Michael Sears, modelador ecológico na Universidade Clemson na Carolina do Sul, criou um modelo biofísico que simulava a actividade diária das salamandras usando dados de temperatura e humidade dos Serviços Meteorológicos americanos. 

 

Ele descobriu que a actividade metabólica para dois tamanhos de salamandra, modelados pela relativamente pequena P.  cinereus e apela muito maior P. glutinosus, aumentava entre 7,14% e 7,86% ao longo das cinco décadas. A não ser que as salamandras comessem mais para compensar o metabolismo mais acelerado, teriam que ficar mais pequenas, diz Lips.

David Bickford, ecologista evolutivo na Universidade Nacional de Singapura, considera as descobertas prova da redução de tamanho dos exotérmicos relacionada com o aquecimento global que previu há anos: “Por que razão algumas espécies parecem ser mais vulneráveis às alterações climáticas e como outros factores interagem com o clima são aspectos vitais para futuras investigações", diz Bickford.

Mas outros investigadores consideram que os dados de Highton nunca tiveram como objectivo a realização de um estudo dobre alterações climáticas. Joseph Milanovich, ecologista na Universidade Loyola em Chicago, salienta que Highton não recolheu espécies à noite, o que pode produzir uma distribuição de tamanho diferente nos anfíbios de uma mesma população e pode distorcer as comparações de tamanho entre dados antigos e recentes.

Ken Dodd, ecologista populacional na Universidade da Florida em Gainesville, diz que o estudo exagera o papel das alterações climáticas. “Outros factores potenciais, como a poluição atmosférica  alongo prazo, alterações de habitat e alterações na estrutura florestal devidas a insectos não indígenas, não foram consideradas na análise", diz Dodd, que recolheu amostras com Highton na década de 1970.

Lips diz que trabalhos anteriores da sua equipa já tinham eliminado o excesso de capturas, abate de árvores e chuvas ácidas como factores logo as alterações climáticas parecem ser o motor mais plausível para as alterações do tamanho corporal numa região na sua maioria protegida. 

 

 

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