2014-03-18

Subject: Pragas esgueiram-se para milho geneticamente modificado 

 

Pragas esgueiram-se para milho geneticamente modificado 

 

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@ Nature/Biosphoto/FLPA

Mesmo com colheitas biotecnológicas, os agricultores ainda precisam de fazer uso de práticas antigas como a rotação de culturas para combater as pragas de insectos. Essa é a lição a ser retirada da última descoberta de resistência a toxinas anti-pragas que foram inseridas no milho.

De acordo com uma pesquisa da equipa liderada por Aaron Gassmann, entomólogo na Universidade Estadual do Iowa em Ames, em alguns campos do Iowa um tipo de escaravelho conhecido por lagarta-da-raiz do milho Diabrotica virgifera virgifera LeConte desenvolveu resistência a dois dos três tipos de toxina do Bacillus thurinigiensis (Bt) produzidos por milho geneticamente modificado. 

A resistência a um dos tipos de toxina Bt tem crescido nas lagartas nos últimos anos mas agora há uma reviravolta: os investigadores descobriram que esse tipo de toxina Bt também confere protecção contra outro tipo, introduzido mais recentemente. “Trata-se de duas das três toxinas presentes no mercado actualmente", diz Gassmann. “É uma parte substancial da tecnologia disponível.”

O seu trabalho surge na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O milho geneticamente modificado (GM) capaz de produzir a toxina Bt Cry3Bb1, que fornece protecção contra pragas como a lagarta-da-raiz, foi aprovado para utilização pela primeira vez em 2003 nos Estados Unidos. Em 2009, os agricultores começaram a ver danos devidos à lagarta-da-raiz nas suas culturas GM e, em 2011, esses danos já se tinham propagado ao milho GM com uma segunda toxina, a mCry3A. 

Em testes laboratoriais, Gassmann mostrou que este era um caso de resistência cruzada, ou seja, as lagartas que se tinham tornado resistentes à Cry3Bb1 também eram resistentes à mCry3A, possivelmente porque as toxinas partilham semelhanças estruturais e alguns locais de ligação no intestino dos insectos.

Parte do problema é que as lagartas-da-raiz são rijas e o milho Bt não produz toxinas suficientes para as controlar. As toxinas Bt usadas contra pragas como a broca do milho europeia Ostrinia nubilalis matam mais de 99,99% dos seus alvos, enquanto mais de 2% das lagartas-da-raiz conseguem sobreviver ao milho Bt. A resistência nas lagartas pode evoluir rapidamente em campos onde o mesmo tipo de milho é cultivado todos os anos: no Iowa revelou-se, em média, apenas 3,6 anos depois.

 

Nicholas Storer, líder de política científica para a biotecnologia na Dow AgroSciences em Washington DC, diz que o estudo ilustra que se as culturas GM não fizerem parte de uma política integrada de gestão de pragas, a resistência pode desenvolver-se rapidamente num campo individual. 

As companhias de biotecnologia agrícola como a Dow estão agora a ‘piramidar' as suas sementes para que produzam dois tipos diferentes de toxinas Bt para atacar a lagarta-da-raiz. Por exemplo, a Dow juntou-se à Monsanto de St Louis, Missouri, para vender sementes que combinam a Cry3Bb1 com a Cry34/35Ab1, uma toxina que até agora não revelou desenvolvimento de resistências.

Gassmann diz que piramidar as toxinas é uma forma importante de atrasar o desenvolvimento de resistências mas as combinação é menos eficaz uma vez que a resistência surja para uma das toxinas. Assim, os agricultores não devem depender exclusivamente da tecnologia para o combate às pragas e devem, pelo contrário, alterar periodicamente a cultura cultivada num dado campo para ajudar a perturbar o ciclo de vida da praga. “A lagarta-da-raiz não pode sobreviver se o milho não estiver lá”, diz Gassmann.

Storer concorda que mesmo as melhores tecnologias têm sempre que ser combinadas com os métodos antigos: “A rotação de culturas era a ferramenta principal de combate à lagarta-da-raiz antes de o milho Bt aparecer", diz ele. “Temos que o manter.”

 

 

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