2014-03-15

Subject: Por que razão as renas se afastam das linhas de alta tensão

 

Por que razão as renas se afastam das linhas de alta tensão

 

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@ Nature/Mark Bryan Makela/Corbis

Muitos animais, incluindo alguns mamíferos e aves, são conhecidos por evitarem as linhas de alta tensão em regiões remotas e agora os cientistas vieram propor que este comportamento pode resultar da sensibilidade dos olhos de alguns animais árcticos à luz ultravioleta (UV) emitida pelos cabos.

Apesar de alguns humanos considerarem as linhas e postes de alta tensão inestéticas, a maioria dos enormes flashes de luz UV que emitem estão para além dos limites da visão humana. No entanto, para os animais que conseguem ver nestes comprimento de onda, as linhas de alta tensão são estruturas “horrendas” que enviam “gigantescos flashes pelo céu", diz Glen Jeffery, neurocientista no Instituto de Oftalmologia do University College de Londres.

Jeffery e uma equipa interdisciplinar que inclui um etologista ambiental e um físico especializado em linhas de alta tensão delineiam a sua teoria numa carta publicada esta semana na revista Conservation Biology. Eles propõem que alguns animais, como renas, roedores e aves, detectam as descargas de UV como coroas de luz ao longo dos cabos e também como flashes brilhantes e intermitentes dos isoladores dos cabos, algo que pode explicar a razão porque as renas evitam as linhas de alta tensão.

“O animal sabe que ‘essa zona da cidade é para evitar e vou para lá'", diz Jeffery, que investiga a visão UV de animais com um interesse especial na forma como os animais árcticos lidam com os longos períodos de luz e escuridão a que estão sujeitos tão a norte.

Ele e os seus colegas salientam que apesar de as renas não terem proteínas específicas para os UV nos olhos, ainda assim as suas retinas reagem à luz UV. Estes animais também podem ter maior probabilidade de reagir aos flashes de UV devido à elevada sensibilidade dos seus olhos, adaptados a ver nos longos e escuros Invernos árcticos. Para além disso, a luz UV é fortemente dispersada e reflectida pela neve, o que pode fazer as coroas parecerem ainda mais brilhantes.

A hipótese pode ter implicações muito sérias: se as linhas de alta tensão representarem realmente uma barreira para a vida selvagem, podem impedir a miscegenação de populações e limitar as migrações, diz Jeffery. As evidências que já existem indicam que isto pode já ser um problema em algumas regiões mas o mecanismo subjacente tem permanecido pouco claro.

 

“A indústria de energia tem que pensar sobre onde está a colocar os seus cabos relativamente à ecologia que as rodeia", diz Jeffery. Escudos em redor de zonas que criam coroas e flashes podem vir a ser necessários para criar “locais de passagem seguros para a vida selvagem", sugere ele.

A explicação proposta para a razão porque alguns animais evitam as linhas de alta tensão é “uma sugestão plausível, em vez de uma teoria convincente", diz Michael Land, neurobiólogo que estuda a visão na Universidade do Sussex.

“As renas quase de certeza que conseguem ver os UV quando se adaptam ao escuro do longo Inverno árctico e podem muito bem ser capazes de ver as linhas de alta tensão no escuro", diz Land. “O facto de também as evitarem durante o dia, quando a luz UV está por todo o lado, é intrigante e não é claro porque elas quereriam evitar estas descargas.”

Jeffery sugere que os animais aprenderam a evitar as linhas de alta tensão e simplesmente ficaram condicionadas a evitá-las sempre. Para testar a sua teoria, a sua equipa desenvolveu uma máquina que gera coroas e o seu próximo projecto é transportá-la para o árctico e estudar a resposta que obtêm dos animais. 

 

 

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