2014-03-02

Subject: Reservas marinhas construídas à volta de interesses económicos

 

Reservas marinhas construídas à volta de interesses económicos

 

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@ Nature/Ingo Arndt/Minden Pictures/FLPA

Todos os anos mais zonas do planeta são colocadas sob a protecção oferecida pelos parques e reservas marinhos e a Austrália tem estado na linha da frente  desta tendência mas uma revisão das políticas de conservação do país, publicada esta semana, defende que a as zonas que mais precisam de protecção estão a ser negligenciadas pois os políticos apenas protegem zonas que os interesses comerciais não se importam de abandonar.

Há muito que a Austrália está envolvida num controverso esforço para criar uma rede de reservas marinhas nas suas águas nacionais, desde a mais famosa colecção de corais na Grande Barreira de Corais a leste ao ponto de encontro de tubarões-baleia ao largo de Ningaloo a ocidente.

Agora, uma equipa internacional de investigadores defende que estes esforços, a maior parte dos quais apenas teve frutos desde o final de 2012, basicamente foram em vão. A recém-criada rede de reservas marinhas australiana “praticamente não faz diferença nenhuma para a maior parte das utilizações do oceano", escrevem os investigadores na revista Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems.

O problema, dizem os autores, é que o sistema é essencialmente residual, ou seja, muitas das zonas colocadas fora do alcance da exploração comercial são as que levantariam menos questões. Os investigadores analisaram vários factores no sistema de áreas protegidas marinhas australiano (APM), incluindo a extensão em que as zonas recém-estabelecidas se sobrepõem com pescas preexistentes e com zonas de exploração de petróleo e gás. A equipa conclui que os mares australianos foram protegidos apenas em zonas em que isso não interferiria com a sua utilização comercial.

Rodolphe Devillers, geógrafo na Universidade de Newfoundland em St John’s, Canadá, que liderou o estudo, diz que isso demonstra que as zonas que estão a ser colocadas sob protecção parecem estar a ser escolhidas com o objectivo de “minimizar o conflito entre interesses comerciais que seriam politicamente inaceitáveis". "O facto de as APM serem residuais era esperado mas o grau em que o são foi surpreendente, se não mesmo assustador, principalmente para o novo sistema de reservas australiano."

Robert Pressey, cientista marinho na Universidade James Cook em Townsville, Austrália, e um dos co-autores do estudo, considera que nenhuma área protegida pode ser considerada inútil pois “pelo menos alguma coisa é protegida". Mas, continua ele, “as reservas residuais também são um problema pois , para muitos, dão a ilusão de progressos na conservação".

 

Callum Roberts, biólogo que estuda APM na Universidade de York, Reino Unido, concorda em parte com as conclusões do estudo: “Têm toda a razão em dizer que fizemos um trabalho muito mau até agora na protecção de zonas com as maiores ameaças à biodiversidade."

No entanto, Roberts diz que apesar de várias APM “grandes e remotas" terem sido criadas em zonas com pouca pressão comercial, muitas APM menores, incluindo algumas valiosas, foram duramente conquistadas. “Existem duros esforços em curso para proteger zonas costeiras intensamente utilizadas, resultando em muitas novas APM todos os anos. O artigo Pressey passa por cima de tudo isso com demasiada facilidade", diz ele.

“Precisamos de novas abordagens para correr em paralelo mas especialmente precisamos de melhorar a criação de APM em zonas de utilização intensiva e a dar-lhes um nível elevado de protecção", acrescenta Roberts.

Os planos para as reservas marinhas australianos já foram criticados e considerados inadequados por outros estudos mas também já atraíram apoio para a sua ambiciosa e integrada rede de protecção que pretendem implementar em redor de toda a ilha.

O actual governo australiano, que herdou o sistema de reservas quando chegou ao poder em 2013, comprometeu-se a voltar a analisar a rede. Apesar de alguns conservacionistas temerem que isso seja o prelúdio da redução da protecção a favor de pescas e outros interesses comerciais, Pressey refere: “Se o actual governo federal interpretar a nossa análise correctamente, o que não seria difícil, a forma óbvia de melhorar o sistema APM é aumentar, e não reduzir, a protecção dada aos ecossistemas e às espécies."

 

 

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