2014-02-26

Subject: Questionado método usado para matar peixes

 

Questionado método usado para matar peixes

 

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Os investigadores vieram apelar ao abandono de um método vulgarmente usado nos laboratórios para matar peixes-zebra devido às crescentes evidências de que causa sofrimento desnecessário.

O anestésico MS-222, que pode ser adicionado aos tanques de forma a causar uma overdose, parece causar sofrimento aos peixes, como demonstraram dois estudos diferentes. Os autores dos estudos propõem a utilização de métodos ou anestésicos alternativos.

“Estes dois estudos, realizados de forma independente, usam metodologias diferentes para chegar à mesma conclusão: os peixes-zebra detectam e evitam o MS-222 na água", diz Stewart Owen, perito ambiental sénior no Laboratório Ambiental Brixham de AstraZeneca em Brixham, Reino Unido, e co-autor de um dos estudos. “Como esta é uma resposta de aversão clara, de acordo com um modo de actuação mais humano não poderemos continuar a usar este agente para anestesia rotineira dos peixes-zebra.”

A utilização dos peixes-zebra Danio rerio em investigação tem disparado nos últimos anos, à medida que os cientistas foram procurando alternativas a modelos animais mais controversos, como os mamíferos. Os peixes são baratos e fáceis de manter, e, apesar de não existirem dados concretos sobre números, sabe-se que estão milhões em laboratórios por todo o mundo. Destes milhões, virtualmente todos serão mortos.

O MS-222 (etil-3-aminobenzoato-metano­sulfato, também conhecido por TMS) é um dos agentes mais frequentemente usados para matar peixes. Está listado como um método aceitável de eutanásia por muitas instituições e por sociedades como a de Medicina Veterinária americana.

No entanto, o estudo de Owen, publicado no ano passado, e o segundo estudo, publicado no início deste mês por Daniel Weary, da Universidade da Colúmbia Britânica em Vancouver, Canadá, mostra que os peixes-zebra parecem achar o composto químico aflitivo. A investigação deve alterar fundamentalmente a prática, dizem os autores de ambos os trabalhos.

O estudo de Owen usou seguimento vídeo para verificar se os peixes-zebra evitavam o anestésico que fluía por um dos lados do tanque deslocando-se para o outro lado, não tratado. No caso do MS-222, a equipa descobriu que os peixes-zebra passavam significativamente mais tempo no lado não tratado do que no lado que continha o anestésico.

A equipa de Weary permitiu que os peixes-zebra inicialmente passassem algum tempo em secções claras ou escuras de um tanque e seguidamente expô-los ao MS-222 na sua secção preferida, a clara. Depois de expostos ao anestésico, todos os peixes menos um dos 17 peixes do estudo passavam menos tempo no lado claro e desses, 9 passaram a evitá-lo completamente. Isto indica que os peixes preferem o passar por algum desconforto, neste caso a escuridão, a ser expostos ao MS-222.

“Deve haver algo muito desagradável" acerca do MS-222 para produzir uma resposta tão forte nesta experiência, diz Weary, porque os peixes não se dão ao trabalho de evitar outros químicos perigosos em tal grau. “Os resultados são muito claros, estamos numa fase em que se trata apenas de levar os decisores e os investigadores a pensar sobre isto e pensarem os procedimentos."

Há um debate crescente sobre qual serão os métodos mais humanos de matar mamíferos de laboratório, com a eutanásia de roedores sob forte escrutínio. A eutanásia de peixes tem recebido menos atenção até agora: “Penso que o bem-estar dos peixes deve estar 10 a 20 anos atrasado em relação ao dos mamíferos", diz Lynne Sneddon, que estuda bem-estar de peixes e é directora de ciência bioveterinária na Universidade de Liverpool, Reino Unido.

 

Sneddon considera que os dois artigos mostram de forma convincente que a utilização do MS-222 para matar peixes-zebra provavelmente deve ser evitada. No entanto, ela salienta que há diferenças significativas entre espécies e que dados sobre peixes-zebra não devem ser generalizados para outros peixes de laboratório, como os salmonídeos por exemplo, e alerta contra a sua proibição total em animais.

Zoltan Varga, director do Centro Internacional de Recursos de Peixes-zebra da Universidade do Oregon em Eugene, também apela à cautela no abandono do uso do MS-222 pois o método óptimo de matar dependerá fortemente de cada experiência em particular. “A escolha de anestésico é crítica pois há um leque de reacções possíveis e precisamos de administrar medicamentos que lidem com qualquer situação", diz ele. Em alguns casos, este pode muito bem ser o MS-222.

Não há evidências suficientes que mostrem que este é o método mais humano e as opiniões divergem. Owen sugere a utilização do anestésico etomidato, mais barato que o MS-222 e que parece causar menos aversão nos seus testes. A pesquisa de Weary sugere óleo de trevo como outra alternativa barata. Varga favorece o choque hipotérmico, em que os peixes-zebra (uma espécie tropical) são rapidamente arrefecidos. Este método é ilegal no Reino Unido devido a preocupações que o gelo danifique os tecidos dos animais quando ainda estão conscientes.

À medida que o número de peixes em experiências continua a subir, são a segunda espécie para investigação mais popular no Reino Unido, a questão aumenta de importância. “Temos que ter a paciência de permitir tempo de investigação para explorar qual é a melhor, ou seja, a mais humana, forma de o fazer", diz Varga. “Não podemos inferir estes standards a partir da experiência humana, nem de directrizes e regulamentos já estabelecidos para outros organismos de laboratório.”

 

 

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