2014-02-24

Subject: Scan a cérebros de cães revela respostas vocais

 

Scan a cérebros de cães revela respostas vocais

 

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@ BBC

Os donos de cães mais devotados alegam frequentemente que os seus animais de estimação os compreendem e um novo estudo agora conhecido sugere que podem ter razão.

Ao realizar tomografias axiais computorizadas a cães, investigadores húngaros descobriram que o cérebro canino reage às vozes da mesma forma que o cérebro humano. Sons com carga emocional, como o choro ou o riso, também desencadearam respostas semelhantes, talvez ajudando a explicar porque razão os cães parecem tão em sintonia com as emoções humanas.

O trabalho foi publicado na última edição da revista Current Biology.

O autor principal do estudo, Attila Andics, da Universidade Eotvos Lorand da Academia de Ciências da Hungria em Budapeste, comenta: "Achamos que cães e humanos têm um mecanismo muito semelhante de processar a informação emocional."

Participaram no estudo onze cães domésticos, que tiveram que receber treino específico durante algum tempo: "Usámos estratégias de reforço positivo, muitos elogios", recorda Andics.

"Existiram 12 sessões de treino preparatório e depois sete sessões na sala de tomografia, até que os cães fossem capazes de permanecer imóveis períodos de tempo que atingiram os oito minutos. Uma vez treinados, ficavam tão felizes que seria difícil de acreditar se não tivesse assistido."

Como termo de comparação, a equipa analisou os cérebros de vinte e dois voluntários humanos usando as mesmas técnicas de tomografia axial computorizada.

Os cientistas fizeram as pessoas e os cães ouvir 200 sons diferentes, desde sons de carros e assobios a sons humanos (mas não palavras) e vocalizações caninas. Descobriram que uma região semelhante, o pólo temporal na zona mais anterior do lobo temporal, era activado tanto quando animais como pessoas ouviam vozes humanas.

"Sabemos que existem zonas de voz em humanos, áreas que reagem mais fortemente a sons humanos do que a qualquer outro tipo de som", explica Andics. "A localização da actividade no cérebro do cão é muito semelhante à que encontramos no cérebro humano. Só o facto de termos encontrado essas áreas no cérebro do cão é uma surpresa, é a primeira vez que tal se observa num mamífero não primata."

Sons emocionais, como o riso ou o choro, também apresentaram um padrão semelhante de actividade, com uma área perto do córtex auditivo primário a revelar actividade em cães e humanos. Da mesma forma, vocalizações emotivas de cães, como o ganir ou um ladrar agressivo, também causaram reacções semelhantes em todos os voluntários.

 

Andics refere: "Sabemos muito bem que todos os cães são muito bons a aperceberem-se dos sentimentos dos seus donos e sabemos também que um bom dono é capaz de detectar alterações emocionais no seu cão mas só agora começamos a compreender como tal pode ser."

No entanto, apesar de os cães reagiram a vozes humanas, as suas reacções eram de longe mais fortes perante sons caninos. Também parecem menos capazes de distinguir entre sons ambientais e sons vocais, quando comparados com os humanos: cerca de metade do córtex auditório revela actividade nos cães que escutavam este tipo de ruídos, comparado com apenas 3% da mesma área nos humanos.

Comentando a investigação, Sophie Scott, do Instituto de Ciências Cognitivas do University College de Londres, refere: "Encontrar algo como isto num cérebro de primata não é surpreendente mas é algo espantoso demonstrá-lo em cães."

"Os cães são um animal muito interessante de estudar pois seleccionamos muitas características que os tornam mais amigáveis para os humanos. Alguns estudos mostraram que eles compreendem muitas palavras e a intencionalidade, como o apontar."

"Seria muito interessante", acrescenta ela, "verificar a resposta dos cães a palavras e não apenas a sons. Quando rimos ou choramos, esses sons são muito mais parecidos com chamamentos animais e essa pode ser a razão da resposta. Um passo adiante seria se tivessem revelado sensibilidade a palavras ditas na linguagem falada pelos donos."

Andics já referiu que esse será precisamente o foco das suas próximas experiências.

 

 

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