2014-02-18

Subject: Estudo revive origem aviária da pandemia de gripe de 1918

 

Estudo revive origem aviária da pandemia de gripe de 1918

 

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@ Nature/CORBIS

O vírus que causou a pandemia de gripe de 1918 provavelmente veio de aves norte-americanas domésticas e selvagens e não da mistura de vírus humanos e suínos. Um estudo agora publicado na revista Nature reconstroi as origens do vírus da gripe A e segue a sua evolução e fluxo através de diferentes hospedeiros animais ao longo de dois séculos.

“Os métodos que temos vindo a usar desde há muitos anos e que são cruciais para perceber as origens da sequência genética e o momento destes eventos têm todos falhas”, diz o autor principal Michael Worobey, ecologista e biólogo evolutivo na Universidade do Arizona em Tucson.

Worobey analisou mais de 80 mil sequências genéticas de vírus isolados de humanos, aves, cavalos, porcos e morcegos usando um modelo que desenvolveu para mapear as relações evolutivas entre vírus de diferentes espécies hospedeiras. A árvore filogenética ramificada que daí resultou mostrou que os genes do mortífero vírus pandémico de 1918 tinha origem aviária.

As aves já tinham sido implicadas na origem da mortífera estirpe anteriormente. Uma análise genética de 2005 do vírus pandémico de 1918 obtido de tecidos preservados de uma vítima concluiu que os vírus mais próximos tinham origem aviária mas um estudo de 2009, pelo contrário, descobriu que os genes virais circularam em humanos e suínos durante dois a 15 anos antes da pandemia e combinaram-se para produzir o vírus letal.

Gavin Smith, biólogo evolutivo na Duke-NUS Graduate Medical School da Universidadr Nacional de Singapura, apelida o actual estudo de “uma importante contribuição para a forma como analisamos os dados”. Smith, co-autor do estudo de 2009, salienta que identificou uma relação aviária para dois genes no vírus de 1918 mas não para seis dos genes, como este último estudo fez.

O estudo de Worobey é muito persuasivo, diz Oliver Pybus, biólogo evolutivo na Universidade de Oxford, Reino Unido. “Mostra que as evidências de origem suína são muito mais fracas mas é quase impossível fechar completamente a porta a isso.”

Os cientistas usam os modelos de relógio molecular de evolução para estabelecer relações entre organismos seguindo mutações genéticas ao longo do tempo. Estes modelos dependem da noção de que as alterações genéticas se acumulam a uma taxa constante e fiável, como segundos tiquetaqueando com o passar do tempo. 

 

Alguns modelos assumem que a taxa de evolução molecular é mais ou menos igual mas há evidências de que o vírus da gripe evolui a taxas diferentes em diferentes hospedeiros (mais rápido em aves que em cavalos, por exemplo). O modelo de Worobey tem essa possibilidade em conta permitindo que cada relógio específico do hospedeiro tiquetaqueie independentemente.

“É um exemplo espantoso de como as especificações de alguns modelos podem alterar as nossas reconstruções", diz Philippe Lemey, epidemiologista molecular no Instituto Rega de Investigação Médica em KU Leuven, Bélgica.

A análise também revela um ancestral partilhado por praticamente todas as estirpes de gripe das aves e um vírus H7N7 que atacou cavalos e mulas na América do Norte em 1872. O surto panzoótico começou em Toronto, Canadá, e rapidamente se espalhou para sul e para oeste. Os jornais relataram ruas "praticamente desertas" em Washington DC e carga acumulada em depósitos ferroviários e cais em Filadélfia, Pennsylvania. “A transmissão entre cavalos e humanos parece ter sido crucial para algumas epidemias no tempo em que os cavalos eram parte íntima das nossas vidas", diz Richard Lenski, biólogo evolutivo na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing.

“Agora temos esta ideia de que a fonte para muitos vírus da gripe que agora encontramos por todo o mundo é potencialmente equino, enquanto o dogma desde há muito tem sido que são aviário”, diz Pybus. “É um estudo fascinante e uma grande surpresa."

 

 

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