2014-02-16

Subject: Genes modernos oferecem vislumbre de sexo entre diferentes etnias

 

Genes modernos oferecem vislumbre de sexo entre diferentes etnias

 

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@ Nature/James L. Stanfield/National Geographic Creative

De invasões a migrações, comércio e escravatura, a história está repleta de acontecimentos que conduziram a interacções entre populações antes separadas e, em muitos casos, a situações mais íntimas. Estudando os dados genéticos de pessoas vivas, os investigadores criaram agora um atlas histórico das ocasiões em que essa mistura ocorreu.

O estudo, publicado na última edição da revista Science, usa métodos estatísticos para fazer inferências sobre quais as populações que se cruzaram, e quando, ao longo dos últimos 4 mil anos.  As descobertas são igualmente apresentadas sob a forma de um mapa interactivo (ver ligação ao lado). Os autores do estudo sequenciaram DNA de 1490 pessoas de 95 populações geneticamente distintas de todo o mundo e testaram quase 500 mil variações de base única, conhecidas por polimorfismos de nucleótido único ou SNP.

Oitenta das populações revelaram evidências de mistura genética. Muitos dos acontecimentos de mistura identificados são consistentes com registos históricos, o que valida a abordagem. Por exemplo, os registos sugerem que o povo Hazara do Afeganistão e do Paquistão descendem em parte de guerreiros mongóis e o estudo confirma-o, mostrando que o DNA mongol penetrou nos Hazara por volta do momento em que o império mongol se expandia.

Outros eventos de miscigenação inferidos pelo estudo eram até desconhecidos e não surgem nos registos históricos mas são plausíveis. Por exemplo, sequências do DNA do povo Tu da China actual indicam que europeus semelhantes aos gregos actuais se misturaram com uma população do leste asiático por volta de 1200 a.C. A fonte deste DNA europeu pode ter sido mercadores que faziam a rota da seda.

Outro exemplo, o DNA do povo Kalash, uma população isolada num vale remoto do Paquistão, revelou evidências de um influxo genético europeu ou do Médio Oriente (os investigadores não conseguiram localizar uma região geográfica precisa) algures entre 990 e 210 a.C., um período que se sobrepõe com o reinado de Alexandre, o grande. A tradição local Kalash defende que são descendentes do exército de Alexandre, o grande, apesar de não existir registo histórico dessa mistura.

“Eles desenvolveram um método estatístico sofisticado para fazer inferências sobre a história humana”, diz Joshua Akey, geneticista na Universidade de Washington em Seattle, que não esteve envolvido no estudo. “Estes avanços são críticos para conseguirmos ler a história do nosso passado escrita no nosso genoma", acrescenta ele. 

Akey liderou recentemente um estudo semelhante com genomas europeus, cujos resultados foram publicados em Janeiro. Apesar de não ter revisto este último artigo em detalhe, ele considera que o método estatístico dos autores pode ser muito poderoso e é uma melhoria significativa em relação às abordagens anteriores.

 

Este tipo de mapeamento genético baseia-se na recombinação. Com excepção dos cromossomas sexuais, todos os cromossomas humanos presentes numa célula estão representados por duas versões, semelhantes mas não idênticas, cada uma proveniente de um progenitor. 

Quando se trata de criar a próxima geração, as duas versões são misturadas através do processo de crossing-over e o cromossoma recombinado é encaminhado para o espermatozóide ou para o óvulo. O comprimento do segmento não interrompido de cada fonte vai diminuindo ao longo das gerações, pelo que a dimensão desses segmentos pode ser usada como um temporizador: quanto maior o segmento ancestral permanecer nos genomas actuais, mais recentemente terá ocorrido a miscigenação.

Mas o uso do DNA de pessoas vivas tem as suas limitações. Os genomas modernos nem sempre contêm DNA que seja uma boa aproximação do grupos fonte originais, especialmente para os eventos de miscigenação mais antigos, em que as populações ancestrais podem ter desaparecido sem deixar descendentes directos. “Esperamos que no futuro possamos encontrá-los acrescentando dados de amostras de DNA antigo", diz Simon Myers, estatístico especializado em bioinformática na Universidade de Oxford, Reino Unido, e co-autor deste último estudo. 

Também é difícil definir precisamente as fontes de mistura quando ocorre entre grupos geneticamente semelhantes e cenários que envolvam várias ondas de mistura ao longo do tempo ou entre vários grupos difíceis de distinguir.

Mas Myers espera que maiores amostragens melhorem a resolução: “Isso dar-nos-á uma melhor compreensão da história humana mas também nos pode ajudar a compreender como variantes genéticas raras, que se podem propagar através de eventos de miscigenação, influenciam a saúde e a doença em diferentes populações.”

 

 

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