2014-02-13

Subject: Icónico estudo em ilha dá as últimas

 

Icónico estudo em ilha dá as últimas

 

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Desde 1958 que os ecologistas têm seguido as populações de lobos e alces da ilha Royale no Lago Superior florescer e minguar em resposta uma à outra, a doenças e ao clima. Mas o estudo mais longo do mundo feito com predadores está agora ameaçado: devastada pela consanguinidade, a população de lobos caiu de 30 há uma década para apenas 10 indivíduos avistados este ano, levando o Serviço Nacional de Parques americano a considerar importar novos animais para um 'salvamento genético'.

Agora a natureza está a intervir e pode salvar o icónico projecto sem necessidade de dardos tranquilizantes ou pode fazer soar a campainha final. Com a queda abrupta das temperaturas no último mês, o Lago Superior congelou pela primeira vez em seis anos e uma ponte de gelo com 24 Km de comprimento pode permitir que lobos do continente canadiano alcancem a ilha americana, trazendo um novo fluxo de genes, mas os cientistas do projecto consideram mais provável o oposto, ou seja, que os últimos lobos da ilha a abandonem em busca de parceiros.

Se isso acontecer, coloca um fim a um estudo que forneceu lições de ecologia durante muitas gerações. Mostrou de que forma a predação pode estruturar a população de presas: quando o número de lobos caiu, as populações de alces dispararam. Também ofereceu pistas para o comportamento dos lobos, fisiologia dos alces, ciclo de vida da carraça dos alces e até sobre a forma como os lobos podem ter sido levados a formar alcateias para manter afastados necrófagos como os corvos, em vez de estar relacionado com algum tipo de vantagem na caça.

Ao longo de décadas a procura de causas e efeitos no ecossistema foi muito mais fácil pelo isolamento relativamente às populações humanas e animais do continente. Ocasionalmente, no entanto, o Lago Superior congela, permitindo que os primeiros lobos alcançassem a ilha Royale no início da década de 1940, cerca de 30 anos depois dos primeiros alces. 

O lago congelou praticamente todos os anos no início do estudo mas isso mudou. A mais recente ponte de gelo foi em 2008 e a anterior a essa em 1997, quando um lobo que os biólogos baptizaram de 'velhote cinzento' chegou à ilha. Ele foi pai de 34 crias e forneceu um raro estímulo de novos genes que permitiu a duplicação da população em meados dos 2000.

Não será imediatamente claro se os lobos atravessaram a ponte de gelo este ano. Os cientistas estão a realizar o censo anual da população voando duas a três vezes por semana ao longo da costa mas a neve cobre rapidamente pegadas de lobo. Se chegarem novos lobos, a sua presença provavelmente só será confirmada nos próximos meses, quando o DNA extraído das fezes for recolhido.

John Vucetich, um dos líderes do projecto e ecologista na Universidade Tecnológica do Michigan em Houghton, refere que a necessidade de influxo de genes é urgente. Nas últimas duas décadas os esqueletos dos lobos revelaram sinais de deformidades que podem estrangular dolorosamente nervos e afectar a marcha. De acordo com um trabalho liderado por Vucetich e Rolf Peterson, também ecologista na Universidade Tecnológica do Michigan, isso pode explicar porque o número de alces necessários para suportar um dado número de lobos aumentou: a eficiência de ataque dos predadores pode estar comprometida.

Para Vucetich, o salvamento genético não só é necessário à continuidade do estudo, como para a preservação do ecossistema. Os alces alimentam-se de abetos balsâmicos, logo quando a sua população se expande sem controlo predatório menos sementes de abeto crescem o suficiente para escapar para longe do alcance dos alces e reproduzir-se. Já há uma geração de árvores em falta, de 1910, quando os alces chegaram à ilha, a 1940, quando os lobos chegaram. A maioria dos abetos balsâmicos da ilha Royale ou têm mais de 100 anos e estão no fim da vida, ou são jovens e baixos o suficiente para ser devorados até à morte. Se as árvores não escaparem na próxima década, diz Vucetich, “grandes zonas da ilha Royale não terão abetos balsâmicos, que são um componente base do ecossistema da floresta boreal".

 

Muitos cientistas familiarizados com a ilha Royale apoiam o salvamento genético, especialmente porque a actividade humana tem contribuído para o actual declínio populacional, com as alterações climáticas, o parvovírus canino e outras circunstâncias. Com este historial de influência humana, o argumento de que se devia deixar a natureza seguir o seu curso não cola para os ecologistas.

David Mech, biólogo de lobos do Geological Survey americano, defende uma "espera vigilante": ele acha que se pode aprender muito do estudo de como a consanguinidade afecta a persistência das populações e que esse conhecimento será útil para a conservação, que muitas vezes precisa de manter populações pequenas e consanguíneas de espécies ameaçadas. Ele não está convencido que os lobos estejam condenados, acha que têm que atingir números baixos antes de recuperar. E mesmo que desapareçam, diz ele, novos lobos podem ser rapidamente ali colocados.

Mas Vucetich diz que podem passar cinco anos antes de o último lobo morrer e os cientistas o confirmarem, mais cinco para as burocracias federais aprovarem um salvamento genético e uma nova alcateia atingir a plena força predatória. Ele teme que uma década sem predação de alces significativa deixe os abetos devastados.

Phyllis Green, superintendente do Parque Nacional da Ilha Royale, considera três alternativas: fazer nada; espera vigilante seguida de reintrodução se a população atingir o zero; salvamento genético. Ela ainda não iniciou nenhum processo formal de decisão e não se compromete com prazos mas diz querer tomar uma decisão conjunta com os seus directores nacionais e regionais "antes de ficarmos sem opção".

Ela está a agir cautelosamente em parte por causa das implicações da sua decisão. O mandato do Serviço Nacional de Parques americano geralmente é visto como manter intocada uma zona, sem intervenção humana, mas um salvamento genético pode abrir um precedente para intervenções para contrariar os efeitos das alterações climáticas noutros parques.

Green sabe que muitos cientistas são a favor do salvamento genético mas também presta atenção aos que dizem que não deve intervir: "É um problema complicado."

 

 

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