2014-02-11

Subject: Vacina contra HIV financiada por crowd-fundind desencadeia debate

 

Vacina contra HIV financiada por crowd-fundind desencadeia debate

 

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@ Nature/THOMAS DEERINCK, NCMIR/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Reid Rubsamen não consegue conter o entusiasmo quando fala do seu Projecto Imunidade, a sua iniciativa de recolha de dinheiro através de crowd-funding para produzir uma nova vacina contra o HIV.

"Temos que sonhar alto", diz o anestesista e empreendedor, cuja energia o torna perfeito para o projecto, sediado em Oakland, Califórnia. Os seus vídeos ajudaram a angariar US$402 mil de crowd-funders e a companhia de tecnologia Y Combinator, de Mountain View, Califórnia, contribuiu com outros $20 mil.

Mas fora da campanha promocional de Rubsamen estão investigadores de HIV ou dados que apoiem a estratégia científica do projecto. A abordagem pouco ortodoxa levanta a questão de se o crowd-funding em Silicon Valley, que tende a ser mais impressionável com tecnologia e marketing do que dados científicos revistos por pares, é compatível com a investigação médica, um assunto cada vez mais pertinente à medida que os cientistas apelam ao público para financiar mais projectos para desenvolver terapias. A situação é proibida por grandes sites de crowd-funding, como o Kickstarter, mas os investigadores médicos estão a encontrar outras vias. 

"Fico preocupado com o facto de as capacidades de gerir uma campanha bem sucedida de crowd-funding serem opostas à capacidades necessárias para produzir uma terapia bem sucedida", diz Max Hodak, co-fundador da companhia Transcriptic, de Menlo Park, Califórnia, que angariou $1,2 milhões dos $4,1 milhões do financiamento da AngelList. “Pode-se ter uma pessoa má em ciência mas boa em angariações públicas."

De facto, dois investigadores de HIV que o projecto anunciou como apoiantes, Bruce Walker do Hospital Geral do Massachusetts em Boston e Salim Abdool Karim director do Centro para o Programa de Investigação da SIDA na África do Sul, pediram que os seus nomes fossem retirados dos materiais do projecto nas últimas duas semanas. Walker diz ter sido inscrito como conselheiro do projecto "por engano" e Abdool Karim, que era apresentado como investigador clínico, não respondeu aos pedidos de comentário sobre o seu envolvimento.

Outros cientistas estão cépticos sobre a estratégia do Projecto Imunidade, que tenciona desencadear linfócitos T a atacar as células do corpo infectadas com HIV. O projecto espera encontrar pedaços do HIV, os epitopos, que são o alvo dos 'controladores' de HIV, pessoas que mantêm naturalmente o vírus em cheque. O colaborador de Rubsamen, o informático David Heckerman, da Microsoft Research, está a procurar estes epitopos me bases de dados públicas. Ele e Rabsumen esperam que se conseguirem incorporar estes epitopos numa vacina possam estimular qualquer pessoa a produzir as mesmas células T protectoras.

Mas os investigadores de HIV dizem que os controladores bloqueiam o HIV em parte graças à sua composição genética, algo que não pode ser duplicado nos não-controladores. Isso tornaria impossível a um não-controlador imitar completamente a resposta com células T do controlador.

"Eles estão a tirar partido do desespero das pessoas", diz o imunologista Louis Picker, da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon em Portland. "O conceito que estão a vender é velho, já foi demonstrado que não funciona e não pode funcionar."

 

De facto, o projecto viu recusado financiamento da Gates Foundation em Seattle, Washington, um resultado que Rubsamen atribui ao actual interesse do campo em vacinas que desencadeiem uma resposta mediada por proteínas protectoras, anticorpos, em vez de células T. Tanto essa abordagem como a das células T falharam em testes clínicos de vacinas contra o HIV.

Os investigadores estão desconfortáveis com os materiais concebidos para inspirar e induzir o público, pois duvidam que possam transmitir rigorosamente a ciência do Projecto Imunidade. Eles salientam que o site do projecto não menciona a sua minúscula hipótese de sucesso (a maior parte dos candidatos a vacinas falham) ou o facto de os acordos existentes já prometerem uma vacina contra HIV a custo baixo ou zero. O site menciona que testes em animais revelaram resultados positivos mas esses testes foram para vacinas para outros vírus. Rubsamen diz que este trabalho foi submetido a uma revista para revisão por pares.

"Parece que estão a ir directamente ao público, a fazer apelo à emoção pois não têm apoio científico para se estabelecerem na comunidade científica", diz a virulogista Abbie Smith, da Universidade de Emory em Atlanta, Georgia, que criticou o projecto no seu blogue, ERV.

Rabsumen espera que o crowd funding angarie mais pessoas em benefício da ciência: “Precisamos de fazer mais a comunicar o que estamos a fazer."

Mitchell Warren, director-executivo da organização não governamental de prevenção do HIV AVAC, de Nova Iorque, dá a Rabsumen crédito pelo que já fez: "Têm sido mais bem sucedidos do que outros a cativar a atenção dos média e a usar abordagens de financiamento novas."

 

 

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