2014-02-09

Subject: Medicamento diurético impede autismo em ratos

 

Medicamento diurético impede autismo em ratos

 

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@ Nature/Getty

Tipicamente, as crianças com autismo começam a revelar os sintomas óbvios, como a dificuldade em estabelecer contacto visual e o lento desenvolvimento da linguagem, cerca de um ano, ou mais, após o nascimento. Um estudo realizado em ratos vem agora indiciar que um tratamento pré-natal pode afastar esses problemas.

As descobertas, relatadas na revista Science, não sugerem que as perturbações do espectro do autismo possam ser evitadas em crianças mas investigadores não envolvidos no estudo consideram que acrescentam evidências que apoiam um controverso teste clínico que sugeria que algumas crianças com autismo beneficiaram da toma de um medicamento diurético vulgar chamado bumetanide.

Nesse teste, a equipa liderada pelo neurocientista Yehezkel Ben-Ari, do Instituto Mediterrâneo de Neurobiologia em Marselha, deu a 60 crianças bumetanide ou um placebo, diariamente durante três meses. As crianças que tinham sintomas menos severos de autismo revelaram ligeiras melhorias no comportamento social após a toma do medicamento e praticamente nenhum efeito secundário foi observado.

Mas os investigadores do autismo receberam os resultados com cautela. Muitos salientaram que o estudo não apontava um mecanismo biológico claro que pudesse explicar de que forma o medicamento melhorava os sintomas da doença.

O último estudo é uma tentativa de responder a essas críticas identificando o papel do neurotransmissor GABA. Estudos em humanos e outros animais sugerem que o GABA, que em pessoas saudáveis inibe a actividade neuronal, está alterado nos autistas e activa algumas células cerebrais. 

A equipa de Ben-Ari colocou a hipótese de que sistema tem problemas por altura do nascimento, quando os neurónios produtores de GABA presentes no cérebro em desenvolvimento deixam de activar neurónios e passam a inibi-los. A queda na concentração de iões cloro nos neurónios é a causa desta alteração logo o bumetanide, que reduz os níveis de cloro nas células, poderá restaurar a função inibidora do GABA e melhorar os sintomas do autismo.

Para aumentar as evidências que apoiam a hipótese, a equipa de Ben-Ari virou-se para dois modelos animais do autismo: ratos com uma mutação que em crianças origina o síndrome do X frágil (uma forma de autismo) e ratazanas expostas a um medicamento anti-convulsões durante o desenvolvimento embrionário. Os investigadores descobriram que, em ambos os modelos, os neurónios do hipocampo permaneceram excitatórios depois do nascimento em resposta ao GABA e continham níveis mais elevados de cloro do que nos roedores normais.

 

Esses problemas, no entanto, foram revertidos quando as mães dos roedores receberam bumetanide um dia antes de dares à luz. As suas crias também revelaram menos comportamentos autistas: por exemplo, tanto as ratazanas como os ratos produziam vocalizações mais parecidas com as dos roedores normais. A descendência “tem mais GABA, menos cloro e menos problemas comportamentais", diz Ben-Ari. O artigo, no entanto, não clarifica se os benefícios permaneceram ao longo da vida dos animais.

Elizabeth Berry-Kravis, neurologista pediátrica no Centro Médico da Universidade Rush em Chicago, Illinois, diz que o último estudo apoia indirectamente os resultados do teste clínico do bumetanide mas também considera que as descobertas devem ser vistas com cautela devido às diferenças no desenvolvimento humano e dos roedores: por exemplo, os roedores nascem com um estado de desenvolvimento maior que os humanos.

“Este artigo não nos diz que temos o tratamento para o autismo", diz ela. "Até realizarmos um grande teste em humanos não saberemos se será possível tratar os pacientes mais tarde, quando existe um diagnóstico."

Um teste clínico multi-centros está em curso na Europa para testar o bumetanide em crianças com autismo. Ben-Ari é o chefe-executivo da companhia Neurochlore de Marselha, que desenvolve tratamentos para o autismo e está a financiar estes testes.

Mas Andrew Zimmerman, neurologista pediátrico na Faculdade de Medicina da Universidade do Massachusetts em Worcester e co-autor de um comentário que acompanha o artigo, diz que são precisas formas melhores de identificar as crianças que poderão desenvolver autismo antes mesmo de se pensar em impedir a doença. Marcadores moleculares no líquido amniótico ou imagens cerebrais não invasivas têm o potencial de revelar os primeiros sinais do autismo, diz ele: “Espero que as pessoas trabalhem primeiro nos biomarcadores para detectar quem está em risco."

 

 

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