2014-01-29

Subject: Visão super-colorida do camarão louva-a-deus desmistificada

 

Visão super-colorida do camarão louva-a-deus desmistificada

 

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@ Nature/Roy L. Caldwell/Science/AAASOs camarões louva-a-deus não vêem a cor da mesma forma que nós. Apesar de os crustáceos terem muito mais células detectoras de luz que os humanos, a sua capacidade de discriminar as cores é limitada, revela um relatório agora publicado na revista Science.

Os investigadores descobriram que a visão a cores do camarão louva-a-deus depende de um mecanismo simples, eficiente mas até agora desconhecido que funciona ao nível dos fotorreceptores individuais.

Os resultados viraram de cabeça para baixo as suspeitas dos cientistas de que o camarão, que tem 12 tipos diferentes de fotorreceptores para a cor, fossem capazes de detectar tonalidades que os humanos, que têm apenas 3 tipos, não conseguiam, refere o co-autor do estudo Justin Marshall, neurocientista marinho na Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália.

Quando o olho humano vê uma folha amarela, os seus fotorreceptores enviam sinais para o cérebro informando-o de níveis relativos de estímulos: os receptores sensíveis à luz vermelha e verde relatam grande actividade, enquanto os receptores sensíveis à luz azul relatam pouca actividade. O cérebro compara a informação de cada tipo de receptor e conclui que se trata de amarelo. Usando este sistema, o olho humano consegue distinguir milhões de cores e tonalidades diferentes.

Para testar se o camarão louva-a-deus, com os seus 12 receptores, consegue distinguir muitas mais, a equipa de Marshall treinou camarões Haptosquilla trispinosa a reconhecerem um de dez comprimentos de onda específicos, dos 400 aos 650 nanómetros, mostrando-lhes duas cores e oferecendo-lhes um camarão congelado ou um mexilhão quando escolhiam a cor certa.

Nos testes seguintes, o camarão conseguia discriminar entre os seus comprimentos de onda treinados e outras cores 50 a 100 nanómetros acima ou abaixo no espectro. Mas quando a diferença entre os comprimentos de onda testados e treinados era reduzida para 12 a 25 nanómetros, o camarão já não os conseguia distinguir.

 

Se o olho do camarão comparasse os espectros adjacentes da mesma forma que o olho humano faz, teria conseguido discriminar entre comprimentos de onda tão próximos como 1 a 5 nanómetros, dizem os autores. 

Pelo contrário, cada tipo de receptor parece escolher uma cor específica, identificando-a de uma forma menos sensível do que o olho humano mas que não exige pesadas comparações ao nível do cérebro. Provavelmente isso permite ao camarão predador uma vantagem em termos de velocidade na distinção entre presas de diferentes cores, considera Roy Caldwell, ecologista comportamental na Universidade da Califórnia, Berkeley.

Michael Bok, biólogo na Universidade Lund, Suécia, e perito em visão, considera que este trabalho é um passo importante para a compreensão da incrível complexidade do olho do camarão louva-a-deus: "O próximo passo é perceber o que esses sinais dizem ao cérebro e de que forma ele os usa."

 

 

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