2014-01-23

Subject: Metas climáticas da UE não convencem cientistas

 

Metas climáticas da UE não convencem cientistas

 

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@ Nature/Sean Gallup/Getty Images

Os estados membros da União Europeia devem reduzir as suas emissões colectivas de gases de efeito de estufa em 40% até 2030, quando comparadas com níveis de 1990. A nova meta, anunciada ontem, é uma tentativa de voltar a encarreirar a Europa nos seus objectivos de corte de emissões em pelo menos 80% até 2050 mas fica aquém dos planos mais agressivos que muitos peritos esperavam.

O objectivo de redução de emissões a médio prazo faz parte do quadro de políticas da UE sobre alterações climáticas e energia para 2030, que foi revelado hoje em Bruxelas após semanas de intensas conversações internas. Mais, a Comissão Europeia propõe aumentar a quota global da UE de energias renováveis para 27% do consumo total de energia até 2030, quota essa que actualmente se situa perto dos 14%.

Esse enquadramento também contém uma proposta para aumentar a redução anual no limite sobre as emissões dos sectores industriais que participam no sistema de troca de emissões da UE, de 1,74% actualmente para 2,2% após 2020. Também propõe a criação de uma reserva de estabilidade do mercado para combater o desfasamento entre a oferta e a procura que surgiu no sistema. 

No entanto, a Comissão adiou a proposta sobre metas de melhoria de eficiência energética para depois da publicação da revisão da actual directiva sobre eficiência energética da União, que deverá ocorrer em Julho.

“Colocámos para nós próprios objectivos ambiciosos mas alcançáveis", disse José Barroso, presidente da Comissão Europeia ma conferência de imprensa em Bruxelas. “Isto irá fortalecer o papel de liderança que a Europa tem tido no debate sobre o clima global e ajudar a moldar futuras políticas climáticas internacionais."

O pacote deve ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos governos dos estados membros. Idealmente, diz Barroso, até à Primavera do próximo ano a UE deverá estar numa posição capaz de assegurar o nível da sua contribuição para os esforços de redução de gases de efeito de estufa. O mundo espera chegar a acordo sobre um novo tratado climático global na conferência das Nações Unidas sobre o clima que se realizará em Paris no final de 2015.

A UE espera alcançar os 40% de redução de emissões até 2030 com as tecnologias existentes e com custos económicos relativamente baixos, de acordo com os resultados de uma análise multi-modelos publicada no início deste mês mas os cientistas envolvidos no estudo alertam que os custos de retirar mais carbono da economia europeia podem subir rapidamente a seguir, a não ser que surgem progressos substanciais nas tecnologias energéticas de baixo carbono, como as energias renováveis e a captura e armazenamento de carbono.

A Europa deverá aumentar os seus esforços de investigação no campo. O programa de €70 mil milhões Horizon 2020 inclui €5,4 mil milhões para investigação em energia não fóssil para combustíveis mas alcançar a meta proposta também vai exigir um investimento substancial na rede eléctrica europeia, incluindo as ligações transfronteiriças, diz Günther Oettinger, comissário europeu da energia.

 

Em 2008, os estados membros da UE tinham acordado num plano para reduzir as suas emissões colectivas para 20% abaixo dos níveis de 1990 até 2020. Apesar de alguns países estarem atrasados no cumprimento dos seus objectivos nacionais, a UE como um bloco deve exceder esse objectivo em quase 5%, diz Connie Hedegaard, comissária europeia para a acção climática.

Os críticos contrapõem que à vista desse sucesso, devido em parte à recessão económica dos últimos anos, a Europa pode facilmente dar-se ao luxo de se propor metas mais ambiciosas para 2030 do que as propostas pela Comissão.

“As modestas metas para 2030 não estão de acordo com o que a ciência nos tem dito que é preciso fazer para limitar o aquecimento global a menos de 2°C”, diz Rebecca Harms, dos Verdes. “Depois de um início prometedor, as ambições climáticas europeias estão novamente a descair."

Do ponto de vista científico, a meta da UE para 2030 teria que ser mais perto dos 80% do que dos 40%, concorda Kevin Anderson, perito em energia e clima na Universidade de Manchester e director-adjunto do Centro Tyndall para a Investigação Climática da Universidade East Anglia em Norwich, Reino Unido.

Anderson já tinha antes criticado a Comissão por não representar correctamente as probabilidades, “com consequências dramáticas para a escala necessária de mitigação", de manter o aquecimento atmosférico abaixo dos 2°C.

“Ainda que as decisões políticas sejam da responsabilidade dos políticos, certamente que nos cabe a nós cientistas defender a consistência científica", diz ele. “Independentemente das incertezas científicas, estou surpreendido que tão poucos cientistas estivessem preparados para apregoar a sua preocupação com esta falta de ambição.”

 

 

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